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Nelas e Canas de Senhorim são pontos de passagem da Volta a Portugal

Edição de 2 de agosto de 2019
03-08-2019
 

A região de Viseu continua a marcar presença na Volta a Portugal, depois de Viseu ter recebido o prólogo que marcou o início da 81ª edição da competição.

Na quinta etapa (5 de agosto), que liga Oliveira do Hospital à Guarda, os ciclistas vão passar por Canas de Senhorim e Nelas. Os corredores vão contar com uma subida de quarta categoria entre Caldas da Felgueira e Vale de Madeiros, sendo que depois rumam ao meio da vila de Canas, onde vão passar na principal avenida.

Os ciclistas vão continuar a pedalar em direção a Nelas através da estrada nacional 234 e vão passar no meio da vila de Nelas, seguindo para Gouveia e depois para a Guarda, cidade onde vai terminar a etapa.

O ciclista José Rosa, profissional com uma longa carreira, faz uma antevisão daquilo que pode acontecer nesta etapa.

“Esta é, por norma, uma zona que tem subidinhas que poderão fazer alguma diferença, mas a diferença vai ser toda feita na subida à Torre e terá já mais ou menos alinhavado quem serão os principais candidatos à Volta a Portugal deste ano. No final da etapa já vamos ter uma ideia de quem vão ser os ciclistas, as equipas, que estarão na discussão”, projeta.

No dia seguinte a esta etapa os ciclistas vão ter direito a um dia de descanso na cidade mais alta de Portugal (Guarda), após dois dias de muita subida.

“A Volta a Portugal este ano é um bocadinho diferente para melhor, vai ter uma chegada à Torre. Para mim os candidatos passarão pelas equipas portuguesas. Temos o Joni Brandão (Efapel), temos toda a equipa da W52 fortíssima, agora na estrada vai se decidir quem serão os mais fortes. Portanto, teremos se calhar aí uma ou outra equipa estrangeira com alguma qualidade. A Israel Cycling Team poderá trazer alguns corredores que eventualmente podem estar na discussão da Volta a Portugal. Agora aguarda-nos esperar para ver o que a estrada nos vai trazer”, assume José Rosa que chegou a vencer uma etapa desta prova em 1989.

A Miranda-Mortágua

No que diz respeito ao Miranda-Mortágua, o corredor Gaspar Gonçalves está na disputa pela camisola azul, tendo conseguido na última etapa (domingo, 4 de agosto) arrecadar dois pontos estando nesta altura a um ponto do líder.

Pedro Silva, diretor desportivo da equipa, afirma que o objetivo era o prémio da montanha e que, apesar de não terem ganho, a etapa correu bem.

O responsável confessa que continuam a sonhar com a camisola azul e que para a etapa desta segunda-feira vão aplicar uma estratégia diferente, para subir na classificação geral. O coletivo do sul do distrito de Viseu está atualmente no nono lugar da classificação da Volta por equipas.

Sabe quem foi o Faísca?

José Albuquerque foi um ciclista que nasceu a 20 de setembro de 1916 na Quinta da Moita, Mangualde, ficando imortalizado com a alcunha de “Faísca” no ciclismo.

Após a conclusão do Ensino Primário na Aldeia de Oliveira, Albuquerque foi aprender o ofício de barbeiro. Na altura fazia diariamente o percurso para a vila de bicicleta e depressa se apaixonou pelo ciclismo. Nas deslocações da Quinta da Moita para Mangualde, sempre a subir, colocava na bicicleta pequenos sacos de areia para exercitar os músculos e aumentar os níveis de esforço.

Com apenas 10 anos, o corredor já evidenciava dotes para a modalidade, dominando provas de carácter regional, numa altura em que o ciclismo era já um dos desportos mais populares.

Em 1936, com 20 anos, começou a ascensão de “Faísca” no pelotão nacional, ano em que venceu inúmeras provas, algumas já de âmbito nacional. José Albuquerque brilhava essencialmente na montanha, onde alcançava vantagem sobre os adversários. Venceu duas Voltas a Portugal em bicicleta, primeiro pelo Clube Atlético de Campo de Ourique em 1938, depois com a camisola do Sporting Clube de Portugal em 1940.

Na altura o seu nome correu o país, mas passada a euforia das vitórias, o acaso não quis que encontrasse as pessoas certas para o acompanhar nos momentos difíceis.

Com a II Grande Guerra Mundial, o ciclismo e o desporto em geral sofreram um golpe, traduzido numa quase paralisação, que levou José Albuquerque a pôr termo à carreira.

No final da década de 40, partiu para Angola, onde trabalhou nos CTT. Independentemente da sua condição social, a sua popularidade permitiu-lhe relações muito fáceis com todas as pessoas. Chegou, inclusive, a formar uma equipa de ciclistas locais que trouxe a uma das Voltas a Portugal, mas foi uma experiência que não passou de uma aventura passageira e sem êxito.

Regressou mais tarde a Portugal, em meados da década de 70, onde veio depois a falecer atropelado numa rua de Mangualde.





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