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"No Cinfães, tive tudo acertado para ser adjunto de um clube da 1.ª Liga"

Edição de 10 de janeiro de 2020
10-01-2020
 

Ainda antes de ser acertada a rescisão do contrato com o Cinfães, Paulo Mendes, agora ex-treinador do atual segundo classificado da Divisão de Honra, já criticava a arbitragem e dizia mesmo ter recebido mensagens para não falar de árbitros. Agora, na hora da saída, o técnico admite erros próprios no Cinfães, fala do futuro e vê-se num grande clube mundial.

Partiu de si a ideia de deixar o Cinfães?

Sim, partiu de mim. Era uma decisão que já tinha tomado, em caso de não ganhar em Carregal do Sal, iria pedir a minha saída. Cheguei a um acordo com o presidente e acaba assim o meu ciclo.

Porque é que tinha vontade de sair? O que falhou?

Falhou muita coisa. Desde a preparação da temporada, até à ideia de jogo que tinha e que não era a mais apropriada para o campeonato e para os jogadores que tínhamos ao dispor. Foi um erro meu não ter tido a capacidade de adaptação à realidade.

Deixa o Cinfães a uma distância para o líder de sete pontos. Que explicações há para isto?

Primeiro temos de olhar para os nossos erros. Sabíamos que não ia ser fácil preparar a época porque descemos do Campeonato de Portugal e tínhamos de construir um plantel todo de novo. Eu sempre disse que não seria a melhor pessoa para fazer um plantel para a Divisão de Honra porque desconheço completamente a realidade do campeonato. Um dos maiores erros que posso ter cometido foi ter imposto uma ideia de jogo demasiado complexa. Nem todos os jogadores estão preparados para ela.

Tem deixado críticas às arbitragens e já afirmou sentir-se não gostado em Viseu. Mantém o que disse ou repensou?

Para muita gente a minha frontalidade soa a arrogância. Mas é esta frontalidade que me faz ser um líder aos 28 anos. Desde início que tivemos queixas de arbitragens, também em jogos que ganhámos. A partir do momento em que começo a queixar-me dos árbitros, começam a chegar-me mensagens a dizer que deveria estar calado. Eu calo-me, mas as coisas continuam a acontecer. Ao fim de 15 jornadas, não sei se é má vontade, falta de experiência, de saber... É um misto.

No seu entender quantos pontos o Cinfães perdeu devido às arbitragens?

Diretamente, dois pontos contra o Nespereira, com o Mortágua em que são três pontos que equivalem a seis...

No seu entender, o Cinfães seria líder...

Não, não digo isso. Pela regularidade o Mortágua é um justo líder. A diferença pontual é que é má demais para ser verdade. Talvez três, quatro pontos de vantagem do Mortágua relativamente ao Cinfães fosse justo.

Mas são sete, que podem vir a ser dez. O campeonato está entregue?

Está muito difícil.

O Paulo é um treinador jovem. Que ambições tem para a sua carreira?

As maiores do mundo. Já estive no futebol profissional e quero lá voltar como treinador principal. E quando digo isto, falo de um patamar mundial. Acredito que vou lá chegar porque tenho capacidades para isso. Tenho de moldar o meu temperamento. Tenho reações no final do jogo que nem sempre são bem entendidas. Tenho mau perder, cobro muito aos jogadores, mas cobro muito mais a mim.

Foi sondado por outros clubes já durante a passagem pelo Cinfães?

Esta época sim. Abordado diretamente, não fui, mas tive uma proposta para ser treinador adjunto de um clube da Primeira Liga. Tínhamos tudo acertado, mas à última hora o entendimento caiu.

Sentiu-se sempre apoiado pela direção e pelos adeptos do Cinfães?

Vamos ser frontais. Pelo presidente, sempre. Por alguns diretores, também sempre. Por outros não e eles sabem quem são. São os primeiros a criar a guerra.

A sua passagem pelo Cinfães esgotou-se?

Eu gostava de ter feito uma coisa: subir o Cinfães ao Campeonato de Portugal. Ainda me lembro no dia 12 de maio em Pedras Rubras e vi o que toda a gente chorou e sofreu. Saímos de campo debaixo de palmas, numa descida de divisão e isso não é fácil. Estes adeptos esperaram mais de uma hora para nos brindar com abraços e carinhos, junto ao autocarro. Viram nos 19 jogos que eu liderei o Cinfães, tudo fizemos para garantir a manutenção.





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