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"O Académico estagnou"

Edição de 28 de junho de 2019
28-06-2019
 

Como surgiu a ideia de criarem esta lista?

Há um ano e meio. Havia problemas entre o atual presidente, António Albino, e o diretor desportivo, André Castro. Eles entraram em rutura e nós, os que somos hoje “Juntos pelo Académico”, achámos que o clube podia ser lesado com esta situação. O futebol profissional é gerido pelo Sr. Albino e pelos 51 por cento que ele tem da SAD. Os restantes é que são do clube a que nós nos estamos a candidatar. Entretanto, aconteceu uma assembleia que foi bastante “quente” e a partir daí decidimos começar a fazer o primeiro rastreio para perceber se podíamos ir ou não a eleições.

Essa assembleia foi em que altura?

Em novembro, dezembro de 2017. Primeiro fizemos várias iniciativas pela cidade quando o clube estava para subir, com as tarjas e os “flyers”, isto numa altura em que o futebol sénior precisava e nós achávamos que tínhamos pouca gente no estádio. Mas, não pensávamos ir a eleições. Íamos falando e íamos percebendo que o clube tinha vários défices.

O atual presidente está na liderança há 15 anos. Sentem algum peso desta liderança?

São 15 anos de história e positiva. O Sr. Albino recuperou o clube quando estava na amargura. Não tinha ninguém e ele fez um trabalho magnífico. Merece até uma estátua se assim o quisermos dizer. Mas foram fechando o clube a meia dúzia de pessoas.

Acha que se restringiram um pouco à parte profissional do futebol?

Não temos a certeza, como é lógico, mas todos os apoios que havia foram sempre canalizados para o futebol profissional. As modalidades foram “desprezadas”, assim como o futebol de formação que era o melhor de Viseu. Até é um contrassenso porque os sub-17 foram agora campeões distritais.

Além da formação, quais as outras lacunas que identifica?

A imagem. O clube está longe da cidade, está longe das pessoas, está longe de toda a gente.

Acha que o clube se distanciou das origens do antigo Académico?

Não temos nada para atrair. Tanto que só temos 284 sócios votantes. Para uma cidade que representa uma região é muito pouco. Entretanto, surgiram outros que representam o distrito. O Tondela, por exemplo, que se adaptou ao paradigma atual, coisa que o Académico não fez. Mais uma vez digo o que está à vista. Não está tudo mal, mas essa parte foi descurada.

O Académico estagnou?

Sim, o Académico parou, estagnou. Quando se criou o Académico Futebol Clube foi na fusão com outro clube. Muita gente afastou-se nessa altura. Diziam que já não era o Académico que conheciam, que queriam. Se tivermos “armas” para podermos chamá-las, elas voltam. Não tenho dúvidas disso.

Se ganhar as eleições, como acha que vai ser a relação com a SAD?

Tem de ser sempre benéfica para os dois lados. Temos que unir esforços sempre em prol do Académico. Nós temos conhecimento do protocolo atual e há situações que nós não concordamos tanto.

Falou da renegociação do protocolo entre o clube e a SAD...

A renegociação é um modo de falar. Há vários pontos que temos de definir. Em cooperação com a SAD vamos ter coisas muito boas. Durante este tempo todo, em dia de jogo, por exemplo, o clube e a SAD nem sequer um cachecol colocam à venda no Fontelo.

Acha que vai ser fácil manter um bom relacionamento?

Penso que sim, porque nós não estamos para complicar.

Sente-se confiante em relação aos resultados destas eleições?

Agora mais um bocado. Mas isto não foi um processo fácil, quando as pessoas do outro lado perceberam que nós iriamos avançar complicaram-nos a vida. Não nos queriam ceder informações nenhumas, de nenhum tipo de listagens de sócios, os cadernos eleitorais.

Um dos objetivos do atual presidente é que o clube de futebol sénior suba à Primeira Liga…

Sim, esse é um desejo de todos nós. Juntos pelo Académico, estamos para ajudar e até financeiramente. Na nosa lista somos todos empresas patrocinadoras.

Se perder as eleições qual será o próximo passo?

Não sei. Mas a ideia é continuar, podemos não nos recandidatar daqui a dois anos com os mesmos membros, mas de certeza que serão pessoas ligadas ao “Juntos Pelo Académico”.

Esta candidatura surge no mesmo ano em que aparece um investidor para a SAD. É coincidência?

O “Juntos Pelo Académico” já surgiu há um ano e meio. Decidimos candidatarmo-nos às eleições antes do jogo do Estoril, partida que poderia ditar a descida de divisão.





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