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"Para fazer uma maratona, é preciso sofrer muito"

Edição de 2 de agosto de 2019
 

Entrevista de desporto com Vítor Salvador

Programa completo


04-08-2019
 

Nascido no concelho de Mangualde, na aldeia de Canedo, Vítor Salvador, de 48 anos, é atleta na categoria de veterano. Nos últimos anos tem corrido pela Associação Cultural e Recreativa da Senhora do Desterro de Seia. No início do mês de julho arrecadou mais uma medalha ao sagrar-se campeão nacional nos três mil metros obstáculos. A partir de setembro, vai vestir a camisola do Belenenses.

Corre como federado há 11 anos mas desce cedo mostrou interesse pelo atletismo…

Sim, é verdade. Há muitos anos ingressei na Casa do Povo de Mangualde mas um problema de saúde fez com que abandonasse o atletismo. Há 11 anos voltei novamente à Casa do Povo de Mangualde onde estive durante quatro anos. Entretanto surgiu o convite da Senhora do Desterro, que compete noutro patamar, e achei que deveria aceitar o desafio. Estou lá há sete anos e pelo clube já fui cinco anos campeão nacional de três mil obstáculos.

Porquê o interesse pelo atletismo?

Eu fui sempre pelo desporto porque sempre me ajudou, mesmo a nível psicológico. Eu adoro desporto e o atletismo é algo que me faz feliz e sinto-me bem. Correr ao lado de grandes atletas deixa-se cheio de orgulho.

Como é feito o seu treino?

Apesar de ser um atleta federado sou amador. Eu trabalho e só no final do dia é que treino. O meu treino é feito mediante as provas. Começamos a preparação mais intensiva um mês ou 15 dias antes, mas corremos durante o ano para manter a forma.

No início do mês de julho conquistou mais uma medalha de ouro. Fale dessa prova.

Foi uma prova mais técnica, em Lousada, em que fiquei um pouco preocupado porque ia correr um atleta novo, que eu não conhecia, e que tinha tempos muito bons. Na véspera da corrida fizemos os 1500 metros e ele fez um tempo muito bom… ficou em 7º lugar e eu em 11º e fiquei preocupado. No dia seguinte, na prova oficial, assim que o júri deu o tiro de partida comecei logo a dominar e fui o melhor com o tempo 11:38:00.

Pelo seu percurso já fez duas maratonas. Pretende correr mais alguma?

Para já não. Para fazer uma maratona é preciso sofrer muito. A preparação deve começar três meses antes com treinos muito longos.

Ser atleta é dispendioso a nível financeiro?

É um bocado. O equipamento é caro. Sou capaz de gastar umas sapatilhas por mês e para termos conforto não podemos comprar um equipamento qualquer. E se falarmos dos sapatos de bicos para corrermos os corta matos, os crosses e as pistas cobertas são ainda mais dispendiosos.

Enfrenta algum tipo de dificuldade que o possa impedir de correr alguma prova?

A única dificuldade que tenho tem a ver com o meu estado de saúde. Eu sou espondílitico, um doente crónico. Uma situação que me dificulta um pouco. Não devia fazer tanto treino, evitar os saltos de obstáculos não os deveria fazer, mas por outro lado a mobilidade também me ajuda a sentir-me melhor.

Depois de sete anos na Senhora do Desterro, chegou a hora do adeus… na próxima época vai correr pelo Belenenses?

É verdade. O meu clube já sabe que vou sair, mas não é porque esteja desagradado. Foram sete anos muito bons e nada tenho a apontar ao clube. A única coisa que me fez aceitar o convite do Belenenses foi o meu objetivo de querer ser campeão nacional a nível coletivo e no meu novo clube acho que vou conseguir.

Como vê o interesse pelo futebol?

O atletismo é diferente do futebol onde há muito fãs e quer dizem que querem ser como o Cristiano. No atletismo não há o fator colectivo, não é feito num estádio onde se juntam milhares de pessoas. Nós vemos que nas nossas provas há muito pouco público. Por isso é que, na minha opinião, não há tanta gente a correr.





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