A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

"Quando era pequeno gostava muito mais de jogar do que ver futebol"

Edição de 22 de fevereiro de 2019
23-02-2019
 

Desde bebé que era “viciado” na bola. Carla Félix e Carlos Sequeira, os pais de João Félix, em entrevista exclusiva ao Jornal do Centro, falam das dificuldades que significou a carreira do filho, mas confessam que poucas coisas lhes dão tanta alegria como vê-lo festejar um golo. Uma entrevista que viaja pela vida do novo ídolo dos adeptos benfiquistas que está quase a colocar os pés na Seleção Nacional.

De que forma a opção de vida de João mudou as vossas vidas? E de que forma se mantêm unidos?

A partir do momento que o João saiu de Viseu, primeiro para o Porto e depois para Lisboa, todas as nossas rotinas foram alteradas e o nosso dia a dia fez-se em função dele. Conciliámos o nosso emprego, a escola e o horário do irmão em função dos horários do João. Mesmo estando separados conseguimos estar sempre unidos. Tentamos acompanhar ao máximo o percurso do João e todo o tempo é aproveitado para estarmos os quatro juntos.

A vossa semana é dividida entre Viseu e Lisboa. As saudades pesam mais do que o cansaço dos quilómetros feitos?

A viagem de Viseu para Lisboa até parece curta, pois a vontade de estar com o João e com o Hugo transforma os quilómetros em metros.

Como é que foi receber a chamada de um filho a chorar a pedir para o irem buscar, a primeira vez que ficou a dormir no Porto?

Foi difícil dizer-lhe que caso o fossem buscar, não o voltariam a levar? Foi um grande aperto no coração. Naquele momento, o pai fez-lhe entender que, se queria perseguir o seu sonho, teria de fazer grandes sacrifícios. No entanto, o João sabia que a qualquer altura que quisesse regressar a Viseu, de imediato o íamos buscar.

O que é que lhe disseram nessa altura? Nunca pensaram que se podiam arrepender de o incentivar a continuar?

Nós, como pais, apenas queríamos que ele estivesse bem e feliz, nunca o obrigámos a ficar. Estivemos sempre do lado dele, nos bons e nos maus momentos, e sempre apoiámos as suas decisões.

Como é que ele lida com os comentários mais negativos que fazem a seu respeito?

Ele respeita a opinião de todos, apenas dando o valor que cada uma merece.

Sempre que marca um golo, o João aponta para a bancada onde estão os pais e o irmão. O que é que sentem nesse momento?

Uma grande alegria e um enorme orgulho em poder dar apoio com a nossa presença.

O João revelou que para o pai os golos de cabeça são os melhores do mundo. No primeiro clássico, no Estádio da Luz, frente ao Sporting, aos olhos de 65 mil adeptos, marcou. O João revelou que a mãe chorou quando chegou junto da família. E até na bancada não conseguiram esconder as lágrimas...

Como o João disse: “Foi arrepiante!” Foi um momento marcante e uma emoção enorme.

Sentem que todo o esforço que fizeram valeu a pena?

Tudo o que fizemos e por tudo o que passámos foi para ajudar o João a concretizar o seu sonho. Se o João estiver bem e feliz tudo vale a pena.

Sentem que ele é acarinhado pelos colegas, equipa técnica, presidente e massa adepta?

O João foi e continua a ser muito bem recebido e acarinhado por todos no Benfica.

Quais são as ambições do vosso filho?

Ser jogador profissional de futebol, alcançando sucessos coletivos e individuais.

A ascensão de João foi muito rápida. Como é que mantém o foco?

Ele sempre teve uma postura muito tranquila e discreta e com os pés bem assentes na terra, não vivendo de euforias. Tem noção que tem que trabalhar todos os dias e em todos os momentos para concretizar o seu sonho.

Estão preparados para ir visitar o vosso filho no estrangeiro? Onde é que o gostavam de ver?

Neste momento o João está num clube em que é feliz e onde acreditam no valor dele.

Sempre mostrou aptidão para o futebol?

Sim, desde muito pequeno que dizíamos, em tom de brincadeira, que o João começou primeiro a jogar à bola do que a andar. Ele era “viciado” na bola, ela [a bola] andava com ele para todo o lado.

Ainda em pequeno, o João via e vivia os jogos do futebol de alguma forma diferente? Havia algo que se destacava nele?

Quando era pequeno ele gostava muito mais de jogar do que ver jogos de futebol.

Como é que os pais educam os filhos para lidar com toda a notoriedade? Que conselhos é que lhes dão?

Manter o foco e a humildade todos os dias e trabalhar sempre mais e melhor.

Sentem que o Hugo vai seguir as mesmas pisadas do irmão?

O Hugo tem em comum com o irmão o mesmo sonho e a mesma ambição.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT