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Saiu de casa aos 12 anos e, aos 18, quer conquistar o mundo da bola

Edição de 28 de dezembro de 2018
 

Entrevista de desporto a Benny

Programa completo


29-12-2018
 

Bernardo Sousa é de Santa Comba Dão e desde pequenino que vive na academia do Sporting, longe da família. Aos 14 anos vestiu, pela primeira vez, a camisola da seleção portuguesa. Aos 16 já era representado pelo superagente Jorge Mendes. Aos 18 sonha fazer carreira no futebol, na formação principal do Sporting, na Seleção A... e no Liverpool.

Bernardo... ou Benny?

Benny!

Porquê?

Quando estava aqui no Pinguinzinho, num dos meus primeiros torneios, havia muitos miúdos chamados Bernardo e na altura, no Futebol Clube do Porto estava lá o Benni McCarthy, então o meu treinador começou a chamar-me Benny. A partir daí pegou.

Nessa altura já davas muitos frutos no mundo do futebol?

Segundo o que a minha mãe diz, não. Quando eu comecei não ligava nenhuma. Gostava de vir para aqui, mas não me interessava a bola. Só mais tarde é que começou a despertar o interesse.

Como é estar fora de casa desde os 12 anos?

Não me afetou muito. Os primeiros três meses foram difíceis, mas a partir daí tornou-se fácil. Já vou para o oitavo ano no Sporting. Não esperava, mas estou a aproveitar e está a ser muito bom.

Este sábado jogaste contra a equipa de juniores do Tondela. O que é que sentes quando entras em campo com uma equipa do distrito de onde és natural?

É sempre especial. Já tinha jogado cá em Tondela e foi ainda mais especial porque tinha a minha família e os meus amigos a ver. Foi muito bom. É sempre um grande sentimento. Também é um orgulho um clube do distrito pertencer à fase nacional de juniores.

Divides o pódio de melhor marcador precisamente com um jogador do Tondela [Rúben Fonseca]...

Sim, é verdade. Está a ser uma boa luta. Até agora ele está-me a ganhar [risos]. Mas é bom. Eu já o conhecia. Ele foi jogador do Benfica, depois foi para o Feirense e este ano veio para o Tondela. Está-lhe a correr bem, a mim também, não tão bem em termos coletivos, mas acredito que as coisas vão melhorar.

Como viste a tua primeira chamada à seleção?

Eu era sub-15. Foi proveniente do Torneio Lopes da Silva e na primeira chamada é sempre muita gente. Mas na minha primeira internacionalização fui capitão de equipa e foi um momento marcante na minha vida. Nunca mais irei esquecer.

O que é que sentes quando vestes a camisola da seleção portuguesa?

Um orgulho, uma responsabilidade. Mas acima de tudo aproveito o momento. Desfrutar e ser feliz.

É diferente o sentimento de vestir a camisola do Sporting?

São sentimentos diferentes. Quando visto a camisola da seleção sinto que estou a representar um país. É muita responsabilidade. Não é que quando vista a do Sporting não sinta responsabilidade, porque é um clube grande e com muita história, mas a seleção é sempre diferente. É um país, é uma nação. Quando o hino toca parece que não estamos cá.

No ano passado a nossa região foi afetada pelos incêndios, e a tua aldeia foi uma das mais fustigadas. Como é que tu viveste esta tragédia de tão longe, porque estavas em Alcochete?

Nesse dia, foi a um domingo, a minha mãe estava comigo lá em baixo. Ela costumava vir para cima por volta das 16h30, 17h00 e eu nesse dia tinha-lhe dito ‘Não vás já, não vás já, fica mais um bocado’. Quando ela veio, chegou a Penacova e não conseguiu passar para cá. Se tivesse vindo à hora que queria vir, ficava no incêndio... Mas nessa altura ainda estava tudo tranquilo na minha terra. Eu ia falando com a minha família e eles diziam-me que estava tudo bem. Por volta da meia noite perguntei-lhes como é que estava a situação e estava tudo calmo, passado dez minutos a minha tia manda-me mensagem a dizer que já estava a arder à volta de casa.

Mas conseguiste manter o contacto com a tua família?

A única pessoa com quem conseguia falar era com a minha mãe.
Tenho um afilhado e uma prima que moram precisamente no sítio onde deflagrou o incêndio, na minha terra. Um amigo meu, o Gonçalo, foi buscá-los. Enquanto estava a falar com ele, ouço uma botija de gás a explodir. Aí fiquei em choque.
Depois só conseguia falar com a minha tia de vez em quando... Já ninguém sabia da minha avó. Foi muito complicada essa noite. No dia seguinte quase nem consegui treinar. Acredito que aqui tenha sido muito difícil, mas eu também estando longe e não sabendo das coisas foi muito complicado. Depois só consegui falar com eles no dia seguinte e mal. Foi muito difícil.

Como é que foi quando voltaste a Treixedo?

Foi um choque. Isto aqui é muito verde. Quando comecei a chegar a Coimbra, comecei a ver tudo preto, preto, preto, preto... Não tinha noção. Um grande colega meu ficou sem casa, foi muito complicado.

Sei que costumas acompanhar alguns jogos do Tondela no estádio. Gostavas de um dia vestir a camisola auriverde?

Sim, gostava, gostava. Não digo que não. É perto da minha terra, é perto da minha casa, dos meus colegas. Gostava.
Já acompanho o Tondela desde os distritais. Tenho um tio que ia sempre ver os jogos e eu ia sempre com ele quando era pequenino. Gostava de ver futebol e a partir daí comecei a acompanhar o Tondela.

Como é ser representado pelo melhor empresário do Mundo?

É tranquilo. Não ligo muito a isso. Eu jogo à bola e tenho de ser feliz a fazê-lo. Não me importo muito com isso, mas, sim, é bom.

Em Maio passado a Academia de Alcochete sofreu um terrível ataque por parte de alguns elementos da sua claque. Estavas na academia nesse dia? Como foram os dias a seguir à invasão da Academia? Sentiste-te inseguro?

Sim, eu estava a treinar no momento em que eles apareceram, no campo atrás do da equipa A. Não os vimos a chegar, a não ser os colegas lesionados que estavam no ginásio. Eu só consegui vê-los quando nos mandaram recolher para o balneário. Estavam alguns ainda dentro da parte dos seniores e conseguimos vê-los. A minha família começou logo a ligar para saber se estava bem. Eu estava tranquilo, não foi a nós que nos foram abordar.

O que achas deste novo Sporting com Marcel Keizer?

Futebol completamente diferente, mais atrativo, com mais golos... É um futebol que nós gostamos de jogar, mais de ter bola, de fazer golos. É um futebol diferente, mas que se está a tornar habitual, mas, sim, é muito melhor. Até agora ainda não tive oportunidade de treinar com eles, mas espero conseguir ainda este ano.

Qual é o jogador que mais admiras no futebol nacional/internacional?

O meu ídolo é o Neymar, sem dúvida. Da minha posição gosto de Dybala, gosto de Griezmann, David Silva, James Rodríguez... pés esquerdos.

Onde queres chegar no mundo do futebol?

O meu clube de sonho é o Liverpool. Gostava de jogar no Barcelona, mas Liverpool...
Gostava de jogar na equipa A do Sporting, como é óbvio, mas o meu sonho é o Liverpool. Passo a passo. Primeiro o Sporting, depois vamos ver.





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