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"Somos guerreiros como os antigos do Vale de Besteiros e vamos à luta"

Edição de 27 de setembro de 2019
27-09-2019
 

O Besteiros Futebol Clube está a assinalar 100 anos. Foi a 27 de setembro de 1919 que, na freguesia de Santa Eulália (Tondela), nasceu o clube que, esta sexta-feira, celebra o centenário. Alfredo Leitão diz-se orgulhoso por presidir a um clube que, apesar das dificuldades, resistiu e olha para o futuro com esperança.

O que é que estes 100 anos significam?

Conseguir descrever a real importância desta data é quase impossível. Cem anos não se fazem, comemoram-se, celebram-se e recordam-se. É uma grande festa. Sinto um grande orgulho estar à frente de um clube centenário que, com muitas dificuldades, alegrias e tristezas, conseguiu manter a sua chama e chegar aos dias de hoje com a possibilidade de comemorar esta data.

Que memórias os sócios mais antigos do Besteiros partilham consigo?

Há vários momentos interessantes do clube, desde logo a sua formação, quando pessoas humildes e dedicadas da terra, por carolice, começaram a jogar futebol com grupos de amigos. Partilham-se, sobretudo, histórias ligadas às dificuldades que o clube foi atravessando: as inscrições de jogadores, os atletas que tinham de ir tomar banho na fonte da vila, porque não havia balneário, os vários campos que eram lameiros, enfim... há um conjunto de histórias ricas que são um autêntico património.

Quase todos os clubes têm uma equipa rival. É o caso do Besteiros Futebol Clube?

Não temos rivais, há um clube simpático, que é o Nandufe, com quem nos damos bem. Dentro de campo brigamos pelo melhor resultado, mas fora disso, as direções acarinham-se. Quando há jogo acabamos por nos juntar antes e depois. É verdade que há também o Molelos e o Tondela, mas por não estarem na mesma divisão não se nota tanto essa briga saudável.

Qual é a importância do clube para a vila de Campo de Besteiros?

A vila perdeu algum tecido empresarial. Entretanto, outras associações perderam a pujança e quando há quatro anos retomámos a atividade no clube, que se encontrava inativo, sentimos imediatamente uma alegria por parte das pessoas da terra que voltaram a identificar-se e a querer regressar e a apoiar todas as atividades. Em apenas três anos fizemos renascer a equipa de futebol. Voltámos a reerguer o futebol do clube e a encher o pavilhão de andebol. E tudo isto, naturalmente, fez mexer a terra.

O lema “um por todos e todos pelo Besteiros” continua mais vivo do que nunca?

Claro que sim, até porque se assim não fosse, esta direção, com todas as dificuldades que enfrentou e enfrenta, já teria desistido. Somos guerreiros como os antigos besteiros do Vale e vamos à luta, damos a cara e cá estaremos para fazer crescer o clube.

Cem anos já é motivo de celebração. Num clube do interior de Portugal é ainda mais assinalável?

Os recursos e os apoios, tudo acaba por ser mais fácil quando se está numa zona industrializada ou no litoral, em que há condições, mentalidades e formas de estar no apoio ao desporto. Há outra massa populacional. Nós temos dificuldade em arranjar atletas, dinheiro, materiais, instalações. Andamos a mendigar aqui e acolá, de forma a ter algumas condições para oferecer aos nossos atletas.

Para quem não conhece, consegue descrever o emblema do Besteiros?

É um brasão que faz lembrar o símbolo do Santos, clube brasileiro. Fala-se que houve alguma adaptação aquando da emigração para o Brasil, na década de 40. Os emigrantes contribuíram para isso.

Onde é que vê o Besteiros daqui a uma década?

Eu espero que, daqui a dez anos, o Besteiros tenha todos os escalões, tanto de andebol como de futebol e uma equipa de ciclismo que nos consiga representar em competição.





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