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Taça de Portugal: Académico em Rabo de Peixe, à pesca da próxima eliminatória

Edição de 27 de setembro de 2019
28-09-2019
 

A riqueza da maior vila piscatória açoriana é a gente e o mar e é desta combinação que surge o Grupo Desportivo Rabo de Peixe. Fundado em 1945, atualmente compete nas regionais dos Açores e é quem o Académico de Viseu tem de vencer para seguir em frente na Taça.

Do outro lado do oceano, a rotina é dura. Divide-se entre o campo de futebol e o mar. Os pescadores doam parte do lucro da faina para ajudar nas despesas e alguns fazem parte do plantel. Por isso mesmo, a ligação está bem patente na camisola da equipa açoriana, em que o patrocínio é dos ‘Pescadores de Rabo de Peixe’, mas a ligação à pesca é natural. Percebemo-lo depois de falar com Jaime Vieira, presidente do clube há 21 anos. “Parte dos jogadores do plantel trabalham no alto mar. Treinam à noite, vão para casa descansar, e às duas/três da manhã saem para a pesca. Passam longas horas no mar”, conta o também presidente da Junta de Rabo de Peixe.

Apesar das dificuldades, a ambição do clube é grande: chegar ao Campeonato de Portugal. “Há três anos fomos vice-campeões, há quatro ficámos em terceiro lugar, no ano passado em quarto… Este ano falta-nos ficar em primeiros e subir aos ‘Nacionais’, já é merecido há algum tempo”, desabafa o dirigente.

Subir de escalão é difícil. Mas não é feita de facilidades a vida de quem joga  futebol e anda  no alto-mar, dia após dia, como quem corre por gosto.

Inequivocamente, os viseenses são favoritos a vencer a partida deste sábado (28 de setembro). O mais longe que os pescadores conseguiram chegar na prova rainha foi, precisamente, à segunda eliminatória da Taça. O sorteio de 2016/17 ditou-lhes a primeira equipa profissional no caminho, o Gil Vicente. Rabo de Peixe perdeu por 0-2 num jogo que teve tanta gente a querer assistir que até teve de mudar do modesto Campo de Jogos Bom Jesus para o Estádio Municipal da Ribeira Grande. Já este ano, na primeira ronda, os açorianos venceram o Olímpico Montijo, da Série D do Campeonato de Portugal, por 1-0, e, agora, voltam a ter as atenções mediáticas voltadas para o meio do oceano, por enfrentarem uma equipa profissional.

“A nível desportivo não era o que queríamos, mas a nível social é ótima a vinda do Académico de Viseu, porque é uma forma de projeção da nossa equipa e da nossa vila, e, também, vai permitir que os nossos atletas tenham contacto com jogadores profissionais”, confessa Jaime Vieira.

O mais longe que o Académico de Viseu chegou foi aos quartos-de-final da prova, na época de 1978/79, a primeira de quatro temporadas em que o clube esteve na Primeira Divisão. Foram afastados da competição pelo Sporting de Braga, que só foi eliminado nas meias finais, precisamente contra a equipa que se viria a sagrar vencedora, o Boavista Futebol Clube. Nas últimas participações do clube viseense na prova rainha do futebol nacional, o melhor que conseguiu foi atingir os dezasseis avos de final da Taça.

A promessa, deixada da ilha, para este sábado é uma: “fazer do jogo da Taça uma festa, para que se possam orgulhar da equipa que temos”.

A oportunidade ‘dos pequenos’ serem grandes

Também o Lusitano, do Campeonato de Portugal, e o Mortágua, da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Viseu, vão entrar em campo na segunda eliminatória da Taça de Portugal. Ambos contra equipas da Segunda Liga.

Depois de eliminar o Ançã, na primeira ronda da competição, o Lusitano recebe a Académica de Coimbra. A história mais recente do clube de Vildemoinhos na Taça não deixa nenhum viseense indiferente. Na temporada passada, à quarta eliminatória, o Estádio do Fontelo, recebeu ‘um dos grandes’ do futebol português: o Sporting Clube de Portugal. Os leões levaram a melhor (1-4) e o sonho trambelo na prova rainha acabou por ali.

Já no Museu Académico, dos estudantes de Coimbra, estão duas taças expostas: quando venceram a primeira edição da histórica competição, em 1939, e, mais recente, a da edição de 2011/12, em que eliminaram o Sporting na final.

Este domingo, nunca se sabe se o Lusitano consegue contrariar o favoritismo da Académica e fazer a festa no Estádio dos Trambelos.

A festa também vai ser rija caso o Mortágua, das distritais de Viseu, elimine o Penafiel. A equipa do norte do país, na competição da Taça, chegou a estar presente na meia-final de 1985/86. Na altura, não havia logo desempate no prolongamento e/ou nas grandes penalidades. Existia um segundo jogo realizado no terreno da equipa que tinha jogado fora. No primeiro encontro, em casa, frente ao Benfica, o Penafiel conseguiu o empate a zero bolas; no segundo, na Luz, perdeu por 4-1.

O Mortágua, o mais longe que chegou foi à terceira eliminatória, na edição de 2016/17. Em casa, começou por vencer o Nogueirense. Na segunda ronda voltou a vencer, fora, os Gavionenses. E na terceira volta perdeu, em casa, frente ao Cova da Piedade, na altura, da Segunda Liga.

Na edição deste ano, a equipa já surpreendeu ao eliminar o Anadia, do Campeonato de Portugal.

Favoritismos à parte, tudo pode acontecer na Taça de Portugal. 





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