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“Tenho a ambição de conseguir fazer uma época completa”

Edição de 9 de março de 2018
 

Entrevista de desporto com Filipe Matos

Programa completo (emitido nos dias 10 e 11 de março, na Rádio Jornal do Centro)


11-03-2018
 

Filipe Matos, natural do Borralhal, Tondela, continua “prego a fundo” nos seus sonhos. Depois da estreia no ano passado em ralis nacionais, o jovem piloto não esconde as suas ambições de conseguir participar numa temporada completa. Para já, o regresso às provas está marcado para Mortágua no final de abril.

Como é que nasceu este gosto pelas velocidades?
Sempre fui um amante dos desportos motorizados. O rali também é uma paixão antiga e fui ao longo destes anos trabalhando para concretizar este sonho de um dia poder conduzir um carro de ralis nem que fosse por uma vez.

E valeu a pena todo esse esforço porque o sonho tornou-se realidade. Como é que ainda recorda essa estreia, em abril de 2017, no ‘Rally Vinho do Dão’?
Eu sempre tive essa ideologia que vale a pena lutarmos pelos nossos sonhos e eu defendo que com trabalho e dedicação conseguimos tudo o que queremos e a verdade é que em abril do ano passado lá estava eu em Nelas para arrancar pela primeira vez num rali.

Para quem não sabe esta é uma aposta muito pessoal. Inclusivé o carro que costuma pilotar (Peugeot 206 2.0 GTI) foi comprado por si?
Sim é verdade, o carro é meu, fui comprá-lo a Barcelona. Tem o motor original, naturalmente é inferior a outras “máquinas”, mas tem as alterações necessárias para participar na categoria que corre.

Mas recentemente esteve aos comandos de um Mitsubishi Evo IX…
Sim foi no rali de Fafe onde concretizei mais um sonho que foi pilotar um carro completamente diferente. Infelizmente não correu como nós queríamos, tivemos de desistir com problemas no carter. Ainda assim sinto-me realizado. Foi uma experiência muito boa sempre com a grande ajuda do meu copiloto Paulo Matos.

Já que fala em copiloto, como é que funciona essa ligação consigo ao volante? Se ele diz que é para virar à esquerda, tem de confiar nele…
Sim é isso mesmo. Eu costumo dizer que sou um novato e que tive a sorte de ter o Paulo Lopes comigo que é um grande piloto nacional. O crucial aqui é haver confiança de parte a parte, por isso se o meu copiloto diz que é a fundo, mesmo que seja numa ravina, então é a fundo, depois logo se vê (risos).

No ano passado esteve presente nos ralis de Nelas, Mortágua Vouzela, Santo Tirso e também na Rampa do Caramulo. Quais as metas para este ano depois de ter estado em Fafe?
Fafe até nem estava nos planos iniciais mas a aposta era também para nos mostrarmos para abrir novos horizontes e pensei que depois dessa “exposição” fossem aparecer outros apoios. Mas o projeto inicial era tentar fazer uma época inteira aos comandos do Miitsubishi, como não correu como queríamos, a meta agora é voltar a estar em Vouzela, Mortágua e Nelas. Santo Tirso ainda não está certo devido a ter já estado em Fafe.

Então, nos finais de abril, está de volta à ação?
Sim exatamente, no rali de Mortágua, um dos que já participei e gostei.

Este mundo dos ralis é caro, sem patrocínios torna-se complicado sobreviver…
Sim, sem dúvida. Como eu costumo dizer, é preciso ter-se as costas quentes. Mas volto a dizer o mesmo, com muito trabalho na procura de novos patrocinadores, mostrar-lhes as vantagens em me apoiarem, o resultado final acaba por valer a pena, agora sim, este mundo dos ralis é muito caro.

E essas dificuldades impedem o Filipe Matos de sonhar em ser um dia piloto profissional?
Quem não sonha com isso, não é? Mas tenho que ser realista e ver que já tenho 29 anos e não é com esta idade que se arranca para esse tipo de objetivo. Contudo tenho a ambição de conseguir fazer uma época e um campeonato completo, que era o projeto que tinha inicialmente para este ano com o Mitsubishi. As ambições passam por isso, nem que fosse para fazer a temporada num outro carro superior ao meu.

A sua “veia” solidária também ficou conhecida no ano passado com os dois eventos que organizou. Já está a preparar novos momentos como os que teve com a “Vários”?
Sim claro, este ano eu gostava de repetir a parceria que tive com a “Vários”, até diria que é um evento que sugeria aos meus colegas porque foi muito gratificante. Agora em relação à iniciativa de apoios às pessoas que sofreram com os incêndios, espero sinceramente não voltar a repetir porque era sinal que o que se passou não se ia viver de novo.

RESPOSTA CURTA

Nos ralis tem um ídolo nacional?
Ídolo não tenho. Gosto sim de um conjunto de pilotos, mas destaco o Miguel Carvalho que de desconhecido chegou a campeão nacional.
E internacional?
A mesma coisa, gosto de ver alguns pilotos, mas não gosto ou sigo nenhum de forma particular.
Qual é o rali dos seus sonhos?
Tenho três. Rali do Valais (Suíça), Rali de Portugal e o dos Açores.
Carro de sonho?
Skoda R5.
Asfalto ou terra?
Apesar de ser mais perigoso, gosto mais do asfalto.
Dakar. Sim ou não?
Não. Eu gosto muito de comer e eles lá passam muita fome (risos). Não gosto de andar no deserto, prefiro sentir o público. É mais um rali de sofrimento e sobrevivência e eu levo isto mais para disfrutar.





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