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Título de campeão nacional de XCM pode ser entregue a Tiago Ferreira

Edição de 30 de novembro de 2018
02-12-2018
 

No dia 10 de junho de 2018, Rúben Almeida venceu o campeonato nacional de XCM (modalidade de BTT), numa prova realizada em Melgaço, no Minho, onde Tiago Ferreira ficou em segundo lugar. Mas, o título pode estar em causa, caso se confirme que o atleta usou substâncias proibidas no período de tempo antes e depois da competição.

Se em junho, Rúben Almeida vencia o Campeonato Nacional de XCM, dias antes, o ciclista, juntamente com outros atletas, foi controlado numa prova amadora pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP). Nesse período de espera, que só terminou em outubro, Rúben venceu o Campeonato de Nacional de XCM e também a quarta eliminatória da Taça de Portugal de XCO (outra modalidade de BTT). Duas conquistas em sete dias. Outubro chegou e com ele veio o resultado do teste feito quatro meses antes: onze atletas acusaram positivo. Desse lote, estavam dois ciclistas profissionais: César Fonte  (W52-FC Porto) e Xuban Errazin (Vito Feirense). Na lista estava ainda o nome de Rúben Almeida.

A partir do momento em que este dado foi conhecido, no meio do desporto levantou-se a questão se o atleta poderia ou não perder os títulos conquistados durante este período. Questionados, os responsáveis pela modalidade disseram estar a par da situação, mas que aguardam pelo desenrolar do processo.

“Esses são assuntos que nos ultrapassam. Não nos são sequer comunicados quaisquer passos do processo. Só no fim de tudo é que sabemos a resposta por parte da Federação”, começou por explicar Ana Paula Tomás, presidente da Associação Regional de Ciclismo de Viseu.

Já a Federação Portuguesa de Ciclismo anunciou que o caso está “a ser analisado com todo o rigor”. Delmino Pereira, presidente do órgão, em entrevista ao Jornal do Centro, lembrou que Rúben Almeida “é um corredor de elite”, que o processo poderá ter uma conclusão para breve e caso se confirme eventuais ilegalidades o atleta de Seia pode perder o título de Campeão Nacional para Tiago Ferreira. “Até lá, resta aguardar pela decisão de mais um de vários casos de doping que continuam a persistir no mundo do ciclismo” e que, como explica Delmino Pereira “já deixou de estar presente apenas em provas oficiais e é já frequente em provas amadoras”.

Já o atleta viseense diz estar “tranquilo” relativamente a tornar-se ou não campeão, mas lamenta a situação “porque nunca é bom acontecer este tipo de coisas”. Sobre a prova de junho, o ciclista admitiu, tal como na altura, que foi uma competição “diferente do normal”. “O Rúben tem muita qualidade e já o conheço há muito tempo. Mas lembro-me que aquela prova foi bastante atípica e todos viram o que aconteceu”, sublinhou. O Jornal do Centro tentou entrar em contacto com Rúben Almeida, mas não foi possível.

O que conta a história

Falar de doping no caso do ciclismo e olhar para o século XXI é já um erro colossal para tratar o tema. Os primeiros indícios do uso de substâncias ilícitas nos atletas surgiram em 1903 no famosíssimo Tour de France (Volta a França). Estricnina foi das primeiras substâncias a ser usada. Utilizada supostamente para a produção de veneno para ratos, nas provas de ciclismo servia para revitalizar o cansaço dos músculos. Com a proibição da substância, vieram as drogas sintéticas. As anfetaminas foram o “melhor amigo” do atleta durante décadas. Só nos anos 60 é que se iniciou a nível mais aprofundado a luta contra o consumo. Contudo, em pleno século XXI, o doping existe e está presente em várias modalidades de todo o mundo, como fez questão de salientar o presidente da Federação de Ciclismo.





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