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"Todos fugiram e eu é que fui pegar no Académico até agora"

Edição de 28 de junho de 2019
28-06-2019
 

As eleições para a presidência do Académico de Viseu estão marcadas para dia 29 de junho. O Jornal do Centro esteve à conversa com os dois cabeças de lista, António Albino e o Toni Carvalho. O atual presidente garante que tudo fez pelo clube e promete não ficar por aqui e, admite ainda, querer levar o seu projeto até ao fim. Por outro lado, Toni assume que os principais objetivos passam por recuperar a marca do Académico e o apoio dos viseenses à equipa, além de apostar na formação.

Estava à espera de ao fim de 15 anos ter oposição numas eleições?

Em democracia tudo se espera. E está aí outra lista a fazer campanha. Enquanto uns fazem campanha, eu estou a trabalhar arduamente para o Académico, esse é o meu lema. Oposição há sempre. Quando se perde há oposição desfavorável, quando se ganha há oposição favorável.

Como é ir a votos com outra lista, quando nunca teve oposição?

É uma sensação de orgulho. Revela o trabalho que fiz durante os 15 anos até esta data, porque se o Académico estivesse mal ninguém queria vir para cá. Quando peguei nele foi na altura da insolvência e ninguém quis saber do clube, todos fugiram. Agora já notam que o Académico é apelativo.

Como explica os incidentes no estádio do Fontelo por causa dos cadernos eleitorais, em que um grupo de sócios disse que não conseguiu ter acesso?

Não aconteceu nada. Admitimos erros, porque em 106 anos nunca houve oposição. E os cadernos eleitorais foram ajustados conforme a outra lista quis, aceitámos tudo e mais alguma coisa. Se calhar alguns deles estão a concorrer e nem direito têm de o fazer.

Os sócios sempre tiveram direito a aceder aos cadernos eleitorais?

Os sócios têm direito a aceder e acederam.

Como é que explica que um clube como o Académico só tenha 284 sócios?

Eu quando me candidatei pedi a meta dos 1500 sócios. Ainda não conseguimos, nem vamos conseguir porque o Académico está todo dividido.

E em relação às quotas, foi permitido aos sócios pagar as quotas em atraso?

Pessoas que não pagavam as quotas há cinco anos, foram lá pagar. Acho isso incrível. Fora do contexto. Infelizmente, quando fizeram os estatutos ainda estávamos na distrital. O Académico subiu muito rápido para a Segunda Liga e quase para a Primeira. Tinha que se fazer todos os anos a avaliação dos estatutos e melhorá-los mediante a responsabilidade atual do Académico.

E em relação às críticas da oposição?

Eu não estou aqui para criticar ninguém e também detesto que me critiquem a mim. Eu tenho o meu trabalho feito e as pessoas devem ou não avaliar. Se calhar, se eles estivessem no meu lado, eu também criticava no bom sentido de progredirmos todos juntos, porque só todos juntos é que podemos fazer um grande Académico.

Com a candidatura desta lista acaba por sentir ingratidão?

Não, pelo contrário. Acho que é a honra de que o trabalho foi tão bem feito que já todos querem vir para o Académico.

Não acha que isto também é negativo, no sentido em que esta lista só surge quando o Académico já está melhor face aquilo que estava quando tomou posse?

É sinal que o Académico é apetecido e que antes não era. E graças a quê? Ao trabalho árduo que fiz durante 15 anos, quase sem dormir para resolver os problemas todos das finanças do clube. Não é fácil, porque o Académico tem encargos enormes, tanto na formação como na SAD.

Acha que se pode acentuar a divisão entre clube e SAD, caso perca as eleições mas sendo sócio maioritário continua a liderar a SAD?

Obviamente. Porque isso é uma divisão que está a acontecer ao Académico. Da forma como eles [oposição] se apresentam, não dão um passo para a união, porque nunca me foi pedido uma reunião, nunca me foi pedido nada. Agora eu vou às eleições convencido de que vou ganhar, porque o meu trabalho está feito, quando eles ainda não fizeram nada. E depois lamento que enquanto uns trabalham outros não fazem nada a não ser andar de porta em porta à caça do voto.

Caso perca as eleições, sai de cabeça erguida?

Sempre. Eu honro o trabalho que fiz e os sócios são fiéis a quem fez esse trabalho. Foram milhões e milhões lá enterrados, não foram tostões.

Mas se perder teme que isso possa afetar a SAD?

Tenho 51,20 por cento das ações e isso pouco me preocupa. Preocupa-me sim é a obstrução que podem fazer à SAD, como fez o Belenenses, o Trofense, como fizeram todos os clubes que estão aí “de tanga”.

Acha que é coincidência no ano em que entra um novo investidor para a SAD surgir também uma lista à liderança?

Mas onde é que está o investidor? Quem assina os contratos sou eu. Um negócio destes não se faz num dia nem em dois, leva meses ou anos. Ainda não há nenhum investidor, há promessas de um investidor. Na hora certa eu serei o primeiro a dizer que há um investidor, mas agora ainda não há.





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