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"Vencemos o Europeu porque, todos juntos, trabalhámos como equipa"

Edição de 25 de outubro de 2019
25-10-2019
 

Jorge Braz lidera a comitiva da seleção nacional de futsal que por estes dias está em Viseu, onde se joga a fase de qualificação para o Mundial. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Centro, o técnico elogia a estratégia do Viseu 2001, relembra a conquista do Europeu e explica o sucesso profissional de Ricardinho.

Portugal entra nesta qualificação para o campeonato do mundo e posteriormente na fase final, se tudo correr bem, com o estatuto de campeão da Europa. A seleção nacional é favorita a ganhar o Mundial?

Somos favoritos a qualificarmo-nos para o Mundial, mas temos de o demonstrar durante os três jogos de qualificação. Queremos estar lá, sabemos da nossa responsabilidade e da nossa qualidade. Para já queremos passar esta fase em primeiro lugar, com distinção e depois teremos a fase de elite. Portanto cada fase a seu passo e, depois, lá virá o Mundial. Para já o foco é a qualificação.

Precisamente na fase de qualificação, onde espera encontrar as maiores dificuldades?

Vão ser jogos distintos. A Alemanha aparece aqui como seleção irreverente, que quer evoluir, e que não tem medo de jogar. A República Checa habitualmente está nas fases finais. A Letónia é uma equipa muito experiente. Todos os jogos vão pedir diferentes abordagens, mas acredito que a República Checa pode ser o mais difícil.

Recuando à página mais dourada do futsal português que aconteceu no ano passado. Onde é que esteve o segredo para a vitória no Europeu? 

O funcionamento como equipa, claramente. Identificámos a missão de cada pessoa da comitiva, desde o staff aos 14 jogadores. Julgo que a diferença esteve na maturidade que a seleção atingiu em muitos momentos no Europeu.

Como é que tem visto a Primeira Divisão de futsal portuguesa?

Está mais competitiva este ano. Temos sempre o Benfica e o Sporting que são das melhores equipas do mundo. No entanto, há várias equipas que incomodam muito. É mesmo uma surpresa para mim, porque, quando vou ver jogos ao fim de semana, nunca sei o resultado final e isto é um indicador muito positivo.

Uma dessas equipas que tem incomodado os chamados grandes é o Viseu 2001. Tem acompanhado os jogos do clube?

Claro que sim, o Paulo Fernandes está a fazer um trabalho fantástico. Toda a estrutura do clube tem uma visão estratégica muito bem definida sobre o que querem. Ainda na semana passada vi o jogo com o Sporting num ambiente fabuloso. O Viseu 2001 está a criar uma identidade e a ter uma enorme relevância social para a região e isso é extremamente importante.

O Jorge Braz começou como guarda-redes de futebol. A paixão pelo futsal nasceu quando?

Começou na decisão entre a faculdade e o futebol, estava na dúvida. Fui para a faculdade e, para continuar a prática desportiva, jogava futebol de cinco. Disputei um campeonato nacional universitário e fui convocado para a seleção universitária que tinha como treinador o Orlando Duarte. O gosto pelo futsal nasce aí. Terminei o curso e comecei a treinar a seleção feminina na Universidade do Minho. Todo o meu trajeto como treinador seguiu a via do futsal.

Como é que Portugal, um país tão pequeno, tem três jogadores ao mais alto nível, um de futebol, outro de futsal e outro de futebol de praia?

Acho que trabalhamos com muita qualidade, tanto do ponto de vista técnico e tático como no desenvolvimento do jogador. Os treinadores portugueses trabalham bem e cada vez há mais reconhecimento nesse sentido. Faz parte do nosso ADN, a bola nos pés é uma felicidade enorme para os nossos miúdos. Fico extremamente satisfeito ao ver que alguns jogadores das camadas jovens da seleção têm potencial. Cabe-nos a nós, treinadores, fomentar esse potencial e levá-lo na direção certa.

O que é que torna o Ricardinho um jogador especial? É só o jeito e a técnica para jogar futsal?

É a capacidade de trabalho. O potencial que ele evidenciou desde novo, trabalhou-o e desenvolveu-o como ninguém. O profissionalismo que teve ao longo da carreira levou-o ao patamar onde está e por isso é um exemplo para os mais novos. Talento não chega, já há muito. Hoje em dia conseguir associar o potencial a uma formação integral que junte valores e compromisso emocional com o que fazemos no dia a dia, a paixão temos pela nossa atividade. A formação global tem muita importância, questionarmo-nos sobre que seres humanos estão por detrás de um excelente praticante de futsal. Todos estes aspetos ajudam-no a chegar mais acima.





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