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A missão dos que vão ao lado dos peregrinos

Edição de 10 de maio de 2019
10-05-2019
 

Todos os anos por esta altura são milhares os peregrinos que rumam até ao Santuário de Fátima. Em grupos ou sozinhos, os crentes, de várias idades, percorrem centenas de quilómetros a pé pelas estradas nacionais, muitas vezes ao calor ou à chuva. Para ajudar quem se põe a caminho existem os grupos de apoio aos peregrinos.

Criada em 2012, a Associação de Peregrinos de Nandufe, no concelho de Tondela, presta apoio e acompanha cerca de 60 pessoas que todos os anos caminham até Fátima. Faz em cerca de 40 quilómetros por dia, ao longo de três dias e meio. O grupo é constituído por um massagista, um enfermeiro, um fisioterapeuta e cozinheiros, que várias semanas antes começam a preparar toda a logística quer seja com o alojamento ou com a alimentação. A associação reúne também com os peregrinos para os conhecer e tomar nota de alguma particularidade que deve ser levada em conta durante o percurso.

No que diz respeito ao alojamento, a associação contacta com associações ao longo do percurso (cerca de 160 quilómetros) e outras organizações que disponibilizam pavilhões onde são montadas todas as comodidades possíveis para acolher os peregrinos. Segundo Fernando Jorge, um dos responsáveis pela Associação de Peregrinos de Nandufe, quando os caminhantes chegam aos locais de descanso “têm tudo preparado para eles desde a refeição, as massagens, os tratamentos de saúde e o banho”.

A alimentação também é preparada ao detalhe, desde o pequeno almoço ao jantar, rica em hidratos de carbono. “Os peregrinos quando chegam ao local é só sentar e comer”, conta o responsável, acrescentando que ao almoço a refeição é “um pouco mais forte” e o jantar “mais leve”.

Fernando Jorge não tem dúvidas de que o trabalho desta e outras associações de apoio é fundamental pa ra que as pessoas se sinta m mais motivadas e confiantes para a peregrinação. Ao longo dos anos o número de caminhantes tem aumentado o que leva a que a associação nem sempre possa aceitar mais peregrinos para o grupo.

“Nestes casos pedimos à pessoa que faça a caminhada no ano seguinte e desde logo fica com a reserva para integrar o nosso grupo”, diz. Cada peregrino paga 120 euros (sócios pagam 90 euros) com todos os serviços incluídos, desde alimentação, higiene, tratamentos médicos e dormida. Um valor que Fernando Jorge considera “acessível”. “Se cada peregrino fosse por conta própria iria gastar muito mais”, realça.

A par do apoio que é prestado ao grupo de peregrinos da zona de Tondela e Viseu, a associação também não nega apoio a quem sozinho se mete a caminho e lhe pede ajuda.

O acompanhamento da Associação de Peregrinos de Nandufe só termina quando os caminhantes chegam ao Santuário de Fátima, o que acontece no dia 12 à hora do almoço, depois de servida essa refeição. Para esse dia ainda têm o banho e a dormida garantida. “Temos casos em que também arranjamos transporte de regresso”, explica.

Deixa de ser peregrina para prestar apoio

Depois de ter percorrido centenas de quilómetros a pé de Lamego até Fátima, Ana Nogueira chegou à conclusão que o apoio dado aos peregrinos era essencial e que durante as suas caminhadas sentiu essa ausência de ajuda. Por isso, depois de cumpridas as promessas, decidiu, há mais de 30 anos, pôr-se a caminho mas na retaguarda dos caminheiros. Começou, sozinha com uma carrinha, por distribuir água aos peregrinos que encontrava pelo caminho. “Aos poucos fui melhorando esse apoio com outras pessoas e comecei por disponibilizar o pequeno almoço. Até cheguei a lavar pés”, conta.

Atualmente, o grupo de apoio de Lamego, composto por quatro elementos, acompanha 32 peregrinos com o alojamento para passarem a noite, a higiene e as refeições. “Nunca lhes falta nada”, refere Ana Loureiro, de 73 anos, que confessa que se não prestar esse apoio já não se sente bem. “Houve um ano que por causa de uma viagem que fiz nesta altura não consegui fazer este apoio e nem consegui andar bem comigo e até acho que fiquei doente”, desabafa. O grupo saiu de Lamego no domingo, Dia da Mãe, com uma passagem pela Nossa Senhora do Remédios. A chegada ao Santuário de Fátima acontece no sábado (dia 11 de maio).

Peregrinos apoiados por alunos do Instituto Piaget de Viseu

Os milhares de peregrinos que na última semana passaram pela cidade de Viseu contaram com o apoio de um grupo de alunos de fisioterapia e enfermagem do Instituto Piaget. Trata-se de uma parceria com o Centro Pastoral de Viseu que disponibiliza um espaço de acolhimento onde os caminhantes podem descansar, tomar banho e alimentar-se. Os tratamentos de enfermagem e fisioterapia são fundamentais para que a jornada do dia seguinte seja feita em melhores condições físicas e psicológicas.

Jorge Nunes, aluno de fisioterapia, disse ao Jornal do Centro que participa na iniciativa há três anos. “Para nós é uma experiência que nos enriquece e é uma oportunidade de treino e, acima de tudo, é muito gratificante ajudar estas pessoas que tanto precisam”, conta.

Os peregrinos quando chegam a Viseu sabem que podem encontrar no Centro Pastoral um apoio e deslocam-se até lá. O grupo de alunos de fisioterapia e enfermagem disponibilizam trabalho de relaxamento muscular de alongamentos e “tratamos pequenas inflamações”. “Tratamos de pessoas que chegam até depois de muitos quilómetros mas com muita alma e muita fé e damos uma ajudinha para que possam prosseguir”, refere.

Também Cláudio Batista é estudante de enfermagem no Piaget, em Viseu. Frequenta o primeiro ano do curso e considera que a experiência junto dos peregrinos é importante para a sua formação pessoal e profissional. “É algo que gostaria de fazer mas nunca tinha tido a oportunidade e este ano é a primeira vez em que participo”, conta, acrescentando que a sua missão é ajudar os peregrinos a sentirem-se mais confortáveis a nível físico.





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