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Bombeiros pedem mais voluntários e pagamentos de dívidas a tempo e horas

Edição de 31 de maio de 2019
31-05-2019
 

Os voluntários são cada vez menos, as dívidas às associações humanitárias são cada vez maiores e faltam Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para o combate a incêndios florestais. O Jornal do Centro entrou em contacto com os comandantes das corporações de bombeiros voluntários e ouviu as queixas de quem tem pela frente, nos próximos meses, uma dura missão.

Na grande maioria dos quartéis existe uma preocupação crescente com a diminuição do número de voluntários. As culpas são apontadas para a desertificação do interior, que obriga muitos jovens a deixar a terra natal à procura de outras oportunidades e também à falta de incentivo para o voluntariado. O comandante da corporação de Farejinhas, Horácio Ribeiro, chama a atenção para a “dificuldade em recrutar jovens para ingressar como voluntários na associação”. Garante que é “o maior problema” que o comando tem neste momento. Muitas vezes há jovens que começam a formação para bombeiro, mas nem sempre acabam por ficar no corpo efetivo. O comandante acrescenta que é investido “muito em alguns bombeiros e quando estão preparados para assumir funções, acabam por emigrar ou procurar outras condições fora do nosso local”.

A par da preocupação com o menor número de bombeiros, as dívidas dos hospitais, INEM, entre outras instituições são, de uma forma geral, motivo de preocupação para as direções das associações humanitárias. Existem corporações em que a situação tem vindo a ser melhorada, mas muitas delas são obrigadas a uma atenção financeira redobrada. Apesar de serem pagas, as dívidas têm, por vezes, meses de atraso, onde o valor chega, em alguns casos, às dezenas de milhar de euros. Nuno Pereira, comandante da corporação de Tondela, por exemplo, admite que a corporação está com “atrasos de sensivelmente um ano”. Ainda que não ponham em causa a atividade operacional das corporações, as dívidas influenciam a gestão orçamental. O Jornal do Centro teve conhecimento de uma corporação que teve de recorrer inclusive a um empréstimo bancário para comprar duas viaturas.

A aquisição de Equipamento de Proteção Individual (EPI) para o combate a incêndios florestais é também motivo de alarme para alguns comandantes. Se, por um lado, em alguns casos isso não é problema, noutros implica custos que causam dificuldades na tesouraria das associações. Por ser material que implica um investimento avultado, muitas das corporações têm dificuldade em adquiri-lo. Paulo Soares, comandante da corporação de Nespereira (Cinfães), adianta que tem “metade do efetivo com equipamento de há dois anos”. Até à data não receberam mais, pelo que metade da corporação não tem os equipamentos. Os EPI são uma peça importante no combate às chamas em segurança, com luvas, fatos e outros elementos especialmente preparados para o efeito.

As equipas de bombeiros no distrito garantem que estão prontas para o combate aos incêndios, contudo, as condições de cada corporação diferem entre si. Existem equipas sem grandes problemas, mas há corporações com falta de equipamentos e efetivos para a época de incêndios que se avizinha. Todos os comandantes são, no entanto, unânimes: “o combate nunca deixará de ser feito”.

Dispositivo de combate às chamas reforçado

Este sábado (1 de junho) arranca o nível III de prontidão das forças que integram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), que corresponde à segunda fase mais crítica de fogos florestais. Neste período, que se estende até ao final do mês, estão empenhados no distrito de Viseu um total de 772 operacionais oriundos dos corpos de bombeiros, GNR, PSP, sapadores florestais e ICNF.

No nível IV, que corresponde à fase mais crítica, e que vai de 1 de julho e 30 de setembro, estarão destacados 841 homens e mulheres. De 1 a 15 de outubro o dispositivo sofre uma redução, passando a integrar apenas 723 operacionais.

Segundo o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Viseu, Miguel Ângelo David, houve “um reforço de meios na região”, devido ao “incremento das equipas de intervenção permanente” em vários corpos de bombeiros.

Os meios aéreos mantém-se na região, com dois aviões e um helicóptero em Viseu. Em Santa Comba Dão e a Armamar estão estacionados outros dois helicópteros. Já no aeródromo de Viseu está localizado um avião que vai fazer o reconhecimento de incêndios a nível nacional.

Os meios terrestres também sofreram um reforço, registando-se “um acréscimo comparativamente ao ano passado, nos vários níveis, fruto do posicionamento em Viseu de uma companhia de ataque ampliado da GNR, com 65 elementos, que está às ordens do comando nacional, e do reforço das equipas de intervenção permanente nos corpos de bombeiros”.

O CODIS, Miguel Ângelo David, sublinha que a palavra de ordem neste DECIR é prevenção. “Os nossos princípios de atuação baseiam-se na prevenção de comportamentos de risco, na vigilância, deteção e alerta na fase mais precoce possível de forma a poder permitir combater os incêndios com rapidez e segurança”, explica, salientando que a Proteção Civil está empenhada “na redução do número de ignições”.

“Não podemos estar focados na questão do combate. Temos que estar focados na prevenção seja com todo o trabalho que foi efetuado nas limpezas, seja com o trabalho no âmbito dos comportamentos de risco por parte da comunidade. Temos de conseguir reduzir no distrito e no país o número de ignições”, defende. Para além da prevenção, o dispositivo este ano está empenhado na segurança de pessoas e bens, mas também dos operacionais no teatro de operações.





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