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Contradições nas dívidas aos Voluntários de Viseu

Edição de 16 de novembro de 2018
16-11-2018
 

Os Bombeiros Voluntários de Viseu queixam-se das elevadas dívidas do Estado, numa situação que está a asfixiar financeiramente a corporação e que pode levar a que os funcionários da instituição deixem de receber os ordenados já este mês.

Os organismos estatais estão a dever à associação humanitária, segundo a direção, 108 mil euros. Os atrasos nos pagamentos correspondem sobretudo ao transporte de doentes urgentes e não urgentes entre hospitais e a partir dos domicílios dos doentes. Os maiores devedores dos bombeiros são os Hospitais de Coimbra e de Viseu, esclareceu ao Jornal do Centro Carlos Costa, o presidente do corpo voluntário.

“Temos faturas que já pendem de 2014, as mais antigas, independentemente de os valores serem ou não relevantes. Temos um volume de dívida que andará em cada um destes hospitais em cerca de 30 mil euros”, adiantou.

O dirigente acrescentou que a restante dívida é relativa a outros organismos da área da saúde, como o IPO. A Autoridade Nacional de Proteção Civil também tem alguns pagamentos em atraso, ao contrário da Administração Regional de Saúde do Centro que tem “as contas regulares”.

Salários em risco e socorro feito a pé

No início da semana, em conferência de imprensa, os Voluntários viseenses avisaram que se não recebessem nos próximos dias do Estado pelo menos metade da dívida vencida iriam deixar de pagar os ordenados e o subsídio de natal aos funcionários.

“Estamos a chegar ao fim do mês e não temos recursos para pagar aquilo que é devido aos nossos funcionários: que são os salários e os subsídios de natal. Não porque não tenhamos trabalhado para isso, mas simplesmente porque o Estado decidiu não nos pagar. A dívida que temos neste momento excede o dobro da média que tínhamos durante o tempo da Troika”, declarou Carlos Costa aos jornalistas.

O responsável disse ainda que se nada mudar os bombeiros vão ser obrigados a avançar com protestos, sem especificar que ações de luta poderão ser levadas a cabo.

O presidente dos voluntários de Viseu realçou ainda que “no limite”, por “causa das dívidas do Estado”, os operacionais podem “ter que socorrer as pessoas a pé” por não terem dinheiro para o combustível das viaturas.

“A vontade que sinto no quartel, e nestes homens, é que o socorro nunca será negado, nem que seja [feito] a pé”, assumiu em conferência de imprensa.

Abertura para saldar dívidas

Depois deste alerta, os Bombeiros Voluntários de Viseu dizem ter sido contactados pelos Hospitais de Coimbra e de Viseu, que solicitaram “com urgência” os extratos de conta, onde constam os valores em dívida, para poderem efetuar os pagamentos. “Esperamos que não só regularizem desta vez, como também mantenham a regularidade nos pagamentos. Tudo isto seria desnecessário se regularmente as faturas fossem pagas. Deixar avolumar a situação para estes níveis tem que nos deixar a todos preocupados, porque isto acarreta consequências que não são agradáveis para ninguém”, concluiu ao Jornal do Centro Carlos Costa.

Dívidas negadas

A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) garantiu, entretanto, não ser verdade que o Hospital de Viseu tenha pagamentos em atraso para com a corporação.

“O Centro Hospitalar Tondela Viseu não tem qualquer dívida para com os Bombeiros Voluntários de Viseu. O hospital que, na região Centro, está em falta para com a corporação é o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra que, no entanto, está a envidar todos os esforços para saldar a dívida até final do corrente mês”, disse.





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