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Desemprego: início de 2019 com "indicadores preocupantes"

Edição de 1 de março de 2019
01-03-2019
 

O ano de 2019 começou com indicadores “preocupantes” para a taxa de desemprego na região de Viseu. De acordo com os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, em praticamente todos os concelhos houve um aumento do número de desempregados desde o final de dezembro de 2018 para o último dia de janeiro de 2019. As maiores subidas registaram-se em Viseu, Lamego e Cinfães. Apenas três concelhos inverteram a situação. Foram eles: Aguiar da Beira, Penalva do Castelo e Vila Nova de Paiva.

Várias empresas anunciaram o encerramento e sem trabalho vão ficar mais de 200 pessoas. É o caso de Oliveira de Frades, um dos concelhos onde a zona industrial foi das mais atingidas pelos fogos de 2017. A empresa de meias Jacob Rohner avançou com um despedimento coletivo de 38 das mais de 50 trabalhadoras. A fábrica, que produz meias para marcas como a New Balance, que calça, entre outras equipas, o Futebol Clube do Porto, alegou uma quebra nas encomendas.

Em janeiro, a Água do Caramulo anunciou o encerramento do seu Centro de Produção e o fim de trabalho, neste local, para 26 funcionários. A empresa justificou a descontinuação da atividade “em resultado da quebra significativa de volumes ao longo dos anos” e da “baixa procura pela marca nos mercados externos e interno”. No comunicado oficial, a direção disse que existe “uma tendência de queda de volumes da marca ao longo desta década - na ordem dos 50 por cento -, encontrando-se a produção atual em cerca de um terço da capacidade total desta unidade”.

Para os 26 funcionários, o grupo apresentou um programa de mobilidade, que abre a possibilidade de os interessados poderem ir trabalhar para outras unidades da empresa, que ficam localizadas a centenas de quilómetros. Uma proposta que “pouco agrada” aos trabalhadores, pelo que a maioria ficou, desde esta quinta-feira, no desemprego.

E em Nelas, a empresa Mendes & Morais vai fechar portas e 90 pessoas vão engrossar os números do desemprego na região. Em causa, está a falta de pagamento das encomendas por parte da empresa espanhola Inditex, dona da Zara e de outras marcas de moda, para quem a companhia de Nelas trabalhava em regime de exclusividade.

Ainda no mesmo concelho, a empresa Covercar tem vindo a diminuir o número de trabalhadores. Atualmente, conta com 47 funcionários quando, há menos de um ano e meio, tinha mais de 180 de trabalhadores. O Bloco de Esquerda denunciou já que estão a ser retirados da empresa equipamentos e máquinas industriais que estão a ser levadas para as fábricas da Covercar em Marrocos, onde a empresa também tem atividade.

2013... mau. 2018... melhor

O concelho de Cinfães, com 20 mil e 400 habitantes, foi o que, nos últimos cinco anos, registou a maior taxa de desemprego. Mas, também foi um dos que mais contribuiu para o recuo. Em 2013, em plena época da crise, este município do norte do distrito estava a “braços” com a sua própria crise. A taxa de desemprego, em dezembro desse ano, era de 11,37, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. Empresas a falir e a emigração a subir. Cinco anos depois, pode-se dizer que o concelho deu a volta. Em dezembro do ano passado, a taxa estava nos 3,71 por cento. O “milagre” ficou a dever-se, segundo o presidente da autarquia, Armando Mourisco, “às medidas de choque que foram tomadas”. Entre elas, o novo regulamento da zona industrial, a aposta no setor do calçado, o programa de apoio à economia e emprego, o programa de estágios destinado aos jovens e a isenção das empresas do pagamento da derrama. “Estes são alguns dos muitos exemplos que ajudaram a inverter a taxa de desemprego em Cinfães”, frisou o autarca.

Mangualde, Nelas e Tondela foram outros dos municípios que “ajudaran” a taxa de desemprego a baixar. O mesmo se pode de dizer de Viseu. Se em 2013 havia perto de seis mil desempregados, agora, o número baixou para metade. Ainda de acordo com os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, no distrito de Viseu, 2013 foi o pior ano. O número de desempregados estava acima dos 25 mil em dezembro desse ano. Em 2018, no último mês do ano, a descida foi de 54 por cento.





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