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Imigrantes: SEF com dificuldades em "despachar" tantos pedidos de residência

Edição de 16 de agosto de 2019
16-08-2019
 

Viseu tornou-se destino de eleição da comunidade brasileira em Portugal. Na Internet são vários os vídeos que mostram o que a cidade tem para oferecer a quem estiver interessado em conhecer para passeio ou mesmo para morar. São canais nas redes sociais criados para partilhar o processo de adaptação de cidadãos brasileiros que escolheram a cidade de Viriato para viver e também ajudar quem procura informações sobre o distrito.

Um dos canais com mais visualizações no Youtube é o de Henrique Borges, chamado “Cabeludo em Portugal”. Os vídeos contêm “dicas” de como encontrar casa e trabalho, assim como ajudam a identificar os melhores sítios de lazer para todos os gostos e idades. O canal já conta com 8.839 subscritores e um dos seus vídeos mais recentes sobre a Feira de S. Mateus tem mais de duas mil visualizações.

Os elogios à cidade da comunidade brasileira nas redes socias prendem-se, principalmente, com a beleza e a limpeza das ruas, assim como da segurança que é um dos principais motivos que impulsiona a vinda destes imigrantes para Portugal.

As dificuldades

As principais dificuldades apontadas são o tempo de espera relativamente à obtenção de papéis e o funcionamento de alguns serviços, mas também dificuldade em arranjar casa e trabalho.

Maria Luísa Carvalho vivia no Sul do Brasil, em Curitiba, quando decidiu mudar-se para Portugal. “Escolhi Viseu pois queria uma cidade pequena, mas com infraestruturas e encontrei aqui uma excelente qualidade de vida”, conta.

A autora do canal no YouTube “Tô nem aí” diz que criou este meio para estar ocupada e ao mesmo tempo deixar informações aos seus conterrâneos. “Apesar de não ganhar nada com ele, dedico-me como se fosse o meu trabalho. Gosto de filmar, editar vídeos e aproveito para partilhar e de alguma forma acabo ajudando quem procura informações”.

A brasileira explica que o seu processo de regularização foi “tranquilo” porque já tinha visto de residência, mas nem sempre corre assim tão depressa. “Foi só agendar e levar os documentos no SEF, mas sei de alguns casos de pessoas que demoram muito tempo a ter o processo concluído por causa dos serviços”.

Alguns cidadãos brasileiros contactados pelo Jornal do Centro queixaram-se da falta de informação assertiva relativamente aos atrasos dos vistos de residência, e de apoio a quem já está a trabalhar. Um dos casos relatados dá conta de que um cidadão que só passados dois anos em Viseu e a trabalhar é que lhe foi atribuído o número da Segurança Social.

SEF reconhece constrangimentos

O Gabinete de Imprensa do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) garante que “a melhoria do atendimento ao público e a celeridade na instrução processual são matérias prioritárias para o serviço”, mas admite que têm havido alguns constrangimentos no agendamento devido ao número crescente de pedidos.

“Temos vindo a apostar fortemente na otimização de serviços, recursos humanos e procedimentos e numa maximização da capacidade de atendimento. Estamos e continuaremos a implementar medidas extraordinárias para garantir a resolução dessas situações”, informou.

Segundo o SEF, no primeiro semestre de 2019 foram atendidos em Viseu 4560 cidadãos estrangeiros, enquanto que em período homólogo de 2018 o número foi de 3090. Os dados indicam ainda que a comunidade brasileira residente no distrito de Viseu era, em 2018, constituída por 1467 cidadãos. Em 2017 era de 1081 residentes.

Ainda de acordo com as estatísticas do SEF, em 2018 manteve-se a tendência de aumento do número de estrangeiros residentes em Portugal verificada em 2017, totalizando 480.300 cidadãos com título de residência válido e que corresponde a mais 13,9 por cento que no ano anterior. Este é o valor mais elevado registado pelo SEF, desde a criação em 1976.

A nacionalidade brasileira mantém-se como a principal comunidade estrangeira residente com 105.423 cidadãos, representando mais de um quinto do total (valor mais elevado desde 2012). Em 2018, registou-se um aumento de 23,4 por cento em relação a 2017.

Por género, manteve-se a tendência dos anos anteriores, registando-se uma diferença entre os títulos emitidos a homens (49.590) e a mulheres (43.564).





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