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Os jovens estão mais agressivos?

Edição de 3 de maio de 2019
03-05-2019
 

Alguns proprietários de espaços de diversão na zona de Jugueiros queixam-se do sentimento de insegurança, chegando mesmo a pedir policiamento a pé. As opiniões dividem-se, mas existe uma queixa unânime, a pancadaria entre jovens. Surge assim a questão: os jovens portugueses estão mais violentos?

Jugueiros: local de diversão ou de violência?

Devido ao crescente sentimento de insegurança que se faz sentir em Jugueiros, há já quem peça reforço do patrulhamento policial, inclusive a pé, como é o caso de Sónia Ferreira, proprietária de um bar naquela zona. “Temos pouca polícia aqui à noite, somos pouco vigiados. Quando saio do bar, depois de o fechar vejo muita pancadaria entre jovens”, relata. A isto acresce outro problema: “há muita velocidade aqui, muitas corridas durante a noite”. A proprietária do espaço salienta ainda que tem medo de ir para casa a pé, fazendo-se sempre acompanhar do marido ou do filho e para controlar esta situação sugere “um melhor patrulhamento no bairro”.

Sandra, moradora na zona de Jugueiros, garante que até à data não tem sentido insegurança nesta zona, mas sabe de alguns moradores que o sentem. “Penso que muitas pessoas que vivem aqui, já não saiam à noite, com medo que lhes aconteça alguma coisa”, lamenta. Contudo, a moradora já presenciou alguns incidentes: “têm havido algumas rixas entre pessoas que vêm para a noite. Sinto que há um bocado de falta do senso comum que os pais ensinam aos filhos e estes não sabem usar”. Para além disto, queixa-se da elevada quantidade de lixo pelas ruas, assim como o barulho durante toda a noite. Considera que algumas situações poderiam ser resolvidas com patrulhamento a pé, de forma a que os moradores “se sintam mais seguros”.

No entanto, há quem não consiga ver onde está a insegurança naquela zona da cidade, como é o caso das estudantes Maria Machado e Beatriz Lourenço. As a lunas atribuem alguns dos incidentes a “determinados grupos” e defendem que “nunca viram problemas entre estudantes”, embora não desmintam a ocorrência de desacatos, como conta Maria. “Já houve alguma confusão naquela zona dos bares, mas nada de especial. Acho que é o normal num bar onde há pessoas bêbedas que se comportam de forma que não deviam. Mas não acho que seja específico desta zona, às vezes há atritos, mas é em todo o lado”, refere. Beatriz remata o discurso da amiga dizendo que não tem medo de ir sozinha para casa, “não tenho problemas nem nunca tive”.

Da mesma opinião é Vítor Martins, proprietário de um espaço noturno, em Jugueiros, que afirma não ser necessário um patrulhamento especial por parte da polícia. Vítor sugere apenas que a vigilância policial poderia estender-se a todos os dias da semana e defende que os poucos desacatos que ocorrem naquela zona, “existem em qualquer lado da cidade”.

Jovens não respeitam as autoridades

O comandante da PSP de Viseu, Vítor Rodrig ues, encara como normal a situação que se vive em Jugueiros, visto ser “uma zona de noite, bares e álcool”. Sexta e sábado são as noites mais agitadas e “tendo consciência disso, fazemos sempre um reforço do policiamento”, não apenas naquele bairro, como no centro histórico. Desordem e queixas por agressão são as ocorrências em maior número mas, mais uma vez, Vítor Rodrigues lembra que “não é mais preocupante que em outras zonas da cidade”.

Confessa, ainda, que o cenário ideal seria ter “mais polícias apeados em diversas zonas, mas não é possível”. O comandante acrescenta, que “embora tenhamos consciência de que não alcançamos a excelência, cremos que temos realizado um trabalho aceitável” e que estão habituados a ser “o bode expiatório para aquilo que não corre tão bem às pessoas”.

À pergunta “Os jovens estão cada vez mais violentos?”, o comandante da PSP diz não ter dados estatísticos que o comprovem, mas a sensação que tem é que “se antigamente havia um maior respeito pela autoridade, atualmente, há cada vez mais uma atitude agressiva e muitas vezes implica que tenhamos que usar mais a força do que gostaríamos”. Como exemplo, Vítor Rodrigues lembra o caso de um jovem condenado este ano, por em 2018, ter agredido um agente da autoridade, que chegou a receber assistência no hospital. 

Os números falam por si

Dados fornecidos pela PSP de Viseu dizem que a criminalidade geral diminuiu, tendo sido registados desde o início do ano, até à data de hoje 550 ocorrências, ao passo que em igual período do ano passado, se registaram 668. Também a delinquência juvenil (até aos 16 anos) desceu em relação ao ano de 2018. A tendência mantém-se, no que à criminalidade violenta e grave diz respeito, como é o caso dos roubos por esticão e/ou com força física, onde se registaram 14 participações no primeiro trimestre deste ano.

Crianças violentas, jovens violentos

“Estamos a criar crianças com muito pouca maturidade emocional” é a opinião de Joana Coelho, psicóloga educacional na divisão de educação do município de Viseu. A psicóloga afirma que as novas tecnologias são o principal fator desta imaturidade. “Temos crianças que desde muito cedo criam contas nas redes sociais, que não brincam, nem sabem brincar. O tempo que passam atrás de um computador ou de um telemóvel faz com que não se desenvolvam essas competências de relacionamento com os outros”, afirma.

Comportamentos violentos, resistência à autoridade e conflitos com os seus pares, os pais e os professores são os primeiros sinais de uma criança violenta. “Se não tiver o devido acompanhamento, a probabilidade de se vir a tornar um adolescente e, por conseguinte, um jovem adulto agressivo é elevada”, explica Joana Coelho, mas alerta que “não é uma regra”.

A mudança de contexto externo, como a entrada na universidade, pode também ser um fator que despoleta u m compor ta mento mais agressivo, tendo em vista uma aceitação social. “É necessário que os jovens criem a sua liberdade, mas uma liberdade regrada, onde se inclua as regras e valores deixados pelos pais”, acrescenta a psicóloga. Quando questionada sobre o aumento de violência entre crianças e jovens, Joana Coelho diz que não tem dados que o sustentem, mas não nega que exista essa tendência.





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