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Prova de elite mundial junta mais de 200 ciclistas no distrito de Viseu

Edição de 26 de abril de 2019
26-04-2019
 

São seis dias e 355 quilómetros a separar os atletas da meta. A isto se junta adrenalina e camaradagem. A prova do Portugal MTB é dura, mas há quem a leve para a vida. As memórias guardam-se em cada pedalada e em cada trilho ultrapassado

Não há participante que tenha feito um Portugal MTB que não recorde esta prova com saudades e que não sinta vontade de a tornar a fazer. Michel Machado, um dos participantes com mais renome a fazer estes percursos, acredita que a grande dificuldade de uma prova como esta é, por um lado, a duração e, por outro, a distância total. “Normalmente troco o tipo de treino. Para habituar o corpo faço vários treinos seguidos e dedicar mais tempo à resistência”, detalha o ciclista.

Numa competição onde estão os melhores atletas nacionais e internacionais, Michel Machado, que participou em todas as edições do evento, já definiu a estratégia para a deste ano. “Na primeira vez tinha como objetivo apenas chegar ao fim porque nunca tinha estado numa prova tão longa. Depois tenho estado nos pódios e este ano, no escalão de Elite, lutarei pela vitória”, assume.

Michel Machado é já uma marca neste desporto. O atleta acredita que também esta prova está a deixar um rasto de qualidade associado à região de Viseu. “Melhor não podia haver. No meu entender, esta é a melhor prova, a nível nacional e isso chama sempre muitos atletas a esta região”, reforça.

"Temos de nos dedicar muito à prova porque é muito exigente"

Tiago Clamote já pedalou com Michel Machado no Portugal MTB. O ciclista recorda o primeiro ano em que fez os percursos e trabalhava (é enfermeiro) ao mesmo tempo. “Saía dos trilhos e vinha fazer tarde, saía à meia noite, dormia à pressa e, no dia a seguir, estava pronto para a próxima etapa. Claro que contei sempre com a flexibilidade e a ajuda dos meus colegas, o Michel acabava a limpar as bicicletas”, recorda.

Tiago Clamote acredita que a prova, além de pedir muito esforço físico, tem um lado divertido muito forte e este ano não será diferente. “Sou conhecido por contar anedotas e cantar para aliviar o stress, tenho uns comportamentos estranhos para quem vai com os dentes cerrados para a competição. Há quem diga que é para dissuadir os adversários e distraí-los para eles irem mais devagar. Mas, na verdade, é mesmo para estabelecer contactos e para lhes mostrar o que de melhor há nesta região”, confessa. 

A prova que "desafinou" os anjos

O Portugal MTB começou há cinco anos e pressupõe a participação em dupla, uma caraterística que, a juntar aos trilhos de natureza, às paisagens, ao esforço para subir e descer montanhas, ou ultrapassar terrenos enlameados, torna o evento único.

São, no total, 23 países representados, com at letas de todos os continentes, exceto a Oceania. De resto, nesta edição, 70 por cento dos participantes são estrangeiros. Um dos requisitos para participar nesta prova é fazê-lo em dupla. É fácil entender que, quando não há hipótese de partilhar a mesma nacionalidade, falar inglês ou francês facilitará a definição de estratégia, o que, nem sempre acontece.

André Duarte, diretor geral do Portugal MTB, lembra que há sempre o recurso à língua universal. “Uma vez juntei um português e um francês que estavam sem parceiro para formar dupla. Nem um nem outro falavam inglês e andaram a semana toda, a dormir no mesmo quarto e começaram a arranjar a sua forma de comunicar, acho que até chegaram a criar um dialeto. Isto acontece muitas vezes. Por exemplo, este ano vamos juntar um holandês e um espanhol…”, assinala André Duarte. Nelson e Sérgio Rosado, mais conhecidos no mundo artístico como os “Anjos” também já pedalaram nesta prova e sentiram bem a dificuldade dos trilhos. “Convidámo-los para a primeira edição e o Nelson, no Montemuro, qua ndo fa zia m a passagem entre Vila Nova de Paiva e Castro Daire, chateou-se com o irmão porque achava que ele estava mais preparado para a prova . Então desistiu, veio pela estrada e o Sérgio continuou a prova. Acabaram por passar a semana connosco só a fazer percursos pontuais, sem fazerem as etapas todas, porque este é um evento muito exigente”, recorda.

A fechar há a gastronomia viseense

Este ano, o evento termina em Viseu. Na edição passada, ali começou. Cristina Brasete, vereadora do Desporto na autarquia viseense, diz que é muito importante a capital de distrito acolher esta prova. “É um evento organizado por um viseense e é sempre bom apoiarmos os jovens empreendedores da região e que traz muitos ciclistas estrangeiros, o que lhe dá uma outra dimensão”, assinala.

A responsável pelo desporto refere ser fundamental Viseu continuar a afirmar-se uma cidade ativa e, para isso, é importante receber um evento como este. A cidade de Viriato é, este ano, destino gastronómico e o facto de a prova terminar em Viseu poderá reforçar este estatuto. “Espero que, por ser um domingo, os atletas possam permanecer em Viseu e desfrutar da gastronomia. O objetivo principal não é esse, mas está tudo ligado”, esclarece. Os atletas saem de Alijó e dão a última pedalada em Viseu. São seis dias de prova, quase 400 km percorridos e uma corrente de memórias para guardar.





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