24 Fev
Viseu

Destaque

Região em risco de perder helicóptero do INEM

por Redação

14 de Fevereiro de 2020, 00:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

ANAC está a analisar projeto do heliporto de Santa Comba Dão. Mas o helicóptero poderá ficar "sem casa" nos próximos dias.

CLIPS ÁUDIO

A direção dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão enviou um novo projeto para a requalificação da Base Permanente do Centro de Meios Aéreos de Helicópteros com o objetivo de obter a Certificação para Voos de Emergência Médica e assim ter de volta o helicóptero do INEM que, entretanto, foi deslocalizado para Viseu.

A proposta, que a ANAC diz estar num “processo em aberto”, introduz alterações ao plano inicialmente apresentado. O novo projeto contempla a instalação de um novo sistema de sinalização luminosa de aproximação à pista e que tem como novidade ser acionado por um sistema automático de rádio frequência instalado no próprio helicóptero. Outra das alterações ao projeto inicial passa pela construção no topo da torre de treinos da Base de Helicópteros de uma cabine envidraçada em toda a volta que irá funcionar como “Torre de Controlo” ao tráfego aéreo local.

O que se mantém em relação ao projeto inicial é a deslocalização da placa principal com a sinalização do H em cerca de 32 metros, solução que afasta os dois obstáculos (telhados de dois edifícios) do ângulo da descida das aeronaves. Está ainda prevista a deslocalização (ainda por decidir se para a direita ou para a esquerda da zona de aterragem) da área de abastecimento de combustível e respectivos depósitos.

O Jornal do Centro apurou também que do projecto consta ainda uma ligeira elevação das duas placas de aterragem e a possibilidade da construção de uma nova para estacionamento de aeronaves, que, a ser aprovada pela ANAC, ficará na margem esquerda da Ribeira das Hortas que atravessa a área envolvente do Heliporto, numa área de acesso ao hangar de manutenção das aeronaves que ali estão estacionadas.

“O processo continua em aberto”, respondeu fonte da ANAC, pelo que se escusou a dar mais informações.

Certo é que a feira de Santa Comba Dão terá de mudar de local, já que este foi um dos principais obstáculos apontados pela operadora do helicóptero (a empresa Babcock) nos relatórios que apresentou à ANAC e que levaram à retirada da aeronave.

Contactados pelo Jornal do Centro, quer a Câmara Municipal, quer a direção dos Bombeiros de Santa Comba Dão confirmaram que mandaram um novo levantamento topográfico com as alterações a realizar, no sentido de corrigir alguns impedimentos e inconformidades técnicas da helipista e que vão aguardar pela análise final e conclusão deste processo.

Ao Jornal do Centro, fonte ligada ao processo deixou, no entanto, a ideia de que nunca antes de março se saberá algo em concreto. “É preciso analisar a proposta e depois então dar início aos procedimentos que forem necessários. É algo que ainda vai demorar”, realçou.

Aeronave do INEM na iminência de receber ordem de despejo

O helicóptero do INEM pode estar na iminência de ser “despejado” do hangar que ocupa no Aeródromo de Viseu. A aeronave, que foi deslocalizada por questões de segurança de Santa Comba Dão, está temporariamente alojada no espaço do IFA – Aviation Training Center, mas esta escola de aeronáutica conta dar início a um novo curso a partir do dia 15 de fevereiro, ficando sem disponibilidade para dar guarida ao helicóptero.

Contactado pelo Jornal do Centro, o INEM diz que se “encontra a trabalhar várias possibilidades, em articulação com outras entidades, para encontrar a melhor solução”.

O Instituto não responde sobre os termos do contrato que foram definidos com o IFA nem quais os prazos, frisando apenas que “o hangar que está a ser utilizado pelas equipas do Helicóptero de Emergência Médica de Viseu foi cedido com um limite de utilização definido desde o início. Esta foi a solução encontrada pelo INEM, em conjunto com a Câmara Municipal de Viseu e o Aeródromo Municipal de Viseu, para dar resposta imediata à necessidade de retirar a aeronave do Heliporto de Santa Comba Dão”.

Disse ainda que “qualquer esclarecimento adicional sobre esta matéria deverá ser solicitado à Babcock”.

Contactada, a empresa, por seu lado, escreveu que “questões relacionadas com as bases de localização dos Helis ao serviço da Emergência Médica deverão ser endereçadas ao INEM”.

O Jornal do Centro contactou ainda o IFA, mas não obteve uma resposta quanto ao acordo realizado com o INEM. Na sua página na Internet está, para já, o início de um curso a 27 de fevereiro para pilotos de linha aérea a decorrer no hangar de Viseu.

Caso não seja encontrada uma solução no Aeródromo de Viseu, a aeronave pode sair da região para uma infraestrutura certificada.

Aeródromo de Viseu sem espaço para realojar “heli”

O helicóptero chegou ao Aeródromo de Viseu no final do ano passado, depois da decisão do INEM de o retirar de Santa Comba Dão por a helipista não possuir as condições de segurança exigidas pelas normas da aviação aeronáutica. Este é um dos quatro helicópteros sediados em Portugal ao serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica.

Para ultrapassar o constrangimento, a solução encontrada foi então o Aeródromo de Viseu.

Mas, caso o helicóptero tenha de sair do hangar do IFA, não há mais nenhum espaço que o possa “realojar”.

Quem lá trabalha diariamente diz que a capacidade instalada está esgotada e tudo a “rebentar pelas costuras”. “São as dores de crescimento de um aeródromo que está a ser bastante procurado”, contou fonte ao Jornal do Centro.

A aeronave inicialmente foi deslocalizada para manutenção, tendo sido substituída por uma mais pequena proveniente de Évora.

A mesma fonte contou ainda que no Aeródromo de Viseu foram criadas, do ponto de vista operacional, todas as condições. “E foram cumpridas, nomeadamente o voo noturno e outras de segurança”, sublinhou. E até mesmo as exigências dos funcionários da Babcock foram “respeitadas”, embora não estejam diretamente relacionadas com o Aeródromo.

“Os pilotos exigiram quartos individuais e com ar condicionado e quem tem de pagar é o INEM. Uma vergonha. O operador é que tem de tratar do bem-estar deles. É como se eu agora fosse alugar um carro com motorista e além de pagar o aluguer ainda tinha de lhe dar estadia e comida”, exemplificou.

.

Heliporto do Hospital de Viseu entre os 12 prioritários que vão ser reabilitados

De entre os 38 heliportos hospitalares que serão alvo de reabilitação, o Hospital de Viseu insere-se na lista de 12 que foram considerados pelo INEM como prioritários.

“Cada caso é um caso, ou seja, cada um destes heliportos pode necessitar de intervenções de âmbito diferente. Por exemplo, sinalética, corte de árvores, adaptações de postes de iluminação, etc”, explicou ao Jornal do Centro fonte do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação. Ainda segundo a mesma fonte, o primeiro passo deste programa é o levantamento das necessidades específicas de cada heliporto, trabalho que se iniciará já nas próximas semanas. “Só após este levantamento será feita a orçamentação e consequente contratação dos meios para fazer as obras. Não é por isso possível, para já, estimar o valor do investimento”, acrescentou.

Já o heliporto do Hospital de Lamego (que ainda não está certificado) encontra-se na lista dos 38 que também serão alvo deste programa. A estimativa do Governo é que os 12 heliportos considerados prioritários estejam reabilitados no decorrer deste ano e que os restantes até ao final da legislatura.

Este é um programa que envolve as administrações hospitalares, as autarquias locais, o INEM e a ANAC.