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Turismo: Viseu é o concelho que mais cresce na região Centro

Edição de 27 de setembro de 2019
27-09-2019
 

A atividade turística no Centro de Portugal está a passar por um período positivo. É o que confirmam os dados avançados pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) que apontam para um crescimento significativo comparativamente ao ano anterior.

Só no mês de julho as dormidas subiram 0,7 por cento e no acumulado entre janeiro e julho, aumentaram 5,12 por cento, ou seja, acima da média nacional, que cresceu 4,22 por cento. Destaque para as dormidas de visitantes nacionais que cresceram 4,4 por cento em relação a julho de 2018.

Jorge Loureiro, vice-presidente da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e da Turismo do Centro, acredita que este ano a tendência é de sustentação e de algum crescimento. “O concelho de Viseu cresce mais do que os 99 concelhos da Turismo do Centro e a própria Turismo do Centro cresce o dobro da tendência nacional do resto do país”, refere.

Para Jorge Loureiro, o crescimento deve-se essencialmente a uma estratégia de comunicação da cidade enquanto produto ativo e cultural, mas também por causa da “estruturação do produto”. “É preciso haver uma organização que comunica bem os seus produtos e o crescimento dos eventos na cidade de Viseu foi decisivo, assim como a previsibilidade dos mesmos”, exemplifica.

O grande desafio, para Jorge Loureiro, é que seja possível prolongar a estadia média dos turistas, dando-lhes produto para que possam consumir mais. “Temos de criar o apetite e a vontade para ficarem mais um dia e dormir mais uma noite, proporcionando experiências únicas que não se encontram noutros destinos. Temos uma região demarcada de excelência e precisamos que o turismo venha agora tirar dividendos dos vinhos, solares e quintas da região”, apela.

Também a Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) registou resultados históricos em 2019. Segundo os dados do INE, a região registou um crescimento de 11,7 por cento no número de dormidas durante o mês de junho (1,022 milhões de dormidas) e 4,65 milhões de dormidas no primeiro semestre, correspondente a um aumento de 9,7 por cento face ao período homólogo (mais 410 mil dormidas). Para Luís Pedro Martins, presidente da TPNP, os dados não surpreendem, mas “encorajam e ajudam a ganhar confiança no trabalho que estamos a desenvolver para promover o Porto e o Norte como um destino de férias com vários pontos de interesse espalhados por toda a região”.

Em Lamego, na zona vinhateira do Douro que ainda pertence ao distrito de Viseu, Dora Major, responsável pelo hotel Six Senses Douro Valley, confirma a tendência de crescimento. “Tivemos um aumento de 5 por cento de ocupação entre 2018 e 2019 (até ao mês de agosto), mas, mais importante do que isso, a nossa época baixa tem sido cada vez mais curta. Até finais de novembro temos o hotel com ocupação elevada, enquanto que há 10 anos,depois do 15 de outubro e até ao Carnaval, podíamos afirmar que nos esperava mais uma travessia do deserto”.

Na opinião da gerente, “a marca Portugal afirma-se pelo Mundo”, principalmente no mercado americano. “Estamos completamente na moda, os nossos vinhos e a nossa gastronomia começam finalmente a ter o reconhecimento que a sua qualidade merece”, sustenta.

Dora Major sublinha também o papel das redes sociais. “São um veículo disseminador de experiências que, pelo facto de serem excelentes, nos ajudam a cimentar a fama de sermos um país acolhedor, bonito, diverso em muitos aspetos, com qualidade e com preços em conta e, principalmente , seguro”.

O Six Senses Douro Valley atrai vários clientes de nacionalidades diferentes, no entanto a responsável destaca como principais mercados os EUA, Brasil, Reino Unido e Portugal. Procuram principalmente conhecer a região do Douro e os seus vinhos, mas também uma lista de experiências, dentro e fora do hotel.

Já na região Demarcada do Dão, Rita Serpa é colaboradora na área do enoturismo das Adegas Lusovini e Pedra Cancela, produtores de vinho em Nelas, onde também está aberta ao público a Taberna da Adega da Lusovini.

“Inserido no nosso espaço temos um restaurante que aposta na gastronomia da região. Um sítio onde as pessoas têm oportunidade de experimentar não só pratos típicos, mas também uma experiência vínica com várias propostas de menus de degustação onde há um cuidado na harmonização dos nossos vinhos com os nossos pratos. Além disso, oferecemos visitas à adega onde explicamos às pessoas o porquê dos nosso vinhos serem tão diferentes dos de outras regiões”.

Segundo Rita Serpa, o enoturismo é um fator de atração e vê-se uma clara aposta das autarquias na promoção deste produto de eleição, no sentido de angariar mais visitantes à região. “Acredito que esse é realmente o caminho a seguir. Há que aumentar a diversidade das experiências vínicas”, afirma. Mas, realça, “é preciso investir mais em ofertas de alojamento diversificadas para o outono/inverno para combater também a sazonalidade”. “Nelas é um local privilegiado, está aqui mesmo na passagem entre Viseu e a Serra da Estrela. Temos que melhorar também as condições de atratividade e as condições da própria serra e o acesso à torre”, apela.

Para o futuro, diz que é necessário trabalhar em rede com todos os agentes económicos e autarquias. “Deve haver sinergias entre todos os interessados Dão Lafões para divulgarmos a região, como foi feito no Alentejo e no Douro. Se todos trabalharmos em conjunto para divulgação da região temos muito mais a lucrar do que estarmos a fazer um trabalho individual” conclui.

Hotéis e restaurantes também confirmam tendência de crescimento

Jorge Costa, da Visabeira Turismo, confirma que o aumento de visitantes tem sempre efeitos positivos no contexto dos operadores turísticos regionais. “Devido à forte implementação na região, esse efeito positivo continua a fazer-se sentir nos diversos hotéis da cadeia Montebelo localizados no distrito, assim como nos restaurantes”, afirma.

Quanto ao caminho a seguir para consolidar e aumentar o número de visitantes, é da opinião que é preciso continuar a manter uma aposta na melhoria das unidades e do serviço prestado aos hóspedes e visitantes, assim como apostar na divulgação dos roteiros adaptados às diferentes temáticas. “E trabalhar de forma estreita com as entidades nacionais e regionais do setor, promovendo a divulgação do distrito de Viseu e da região Centro de Portugal junto dos mercados nacional e internacional”, ressalva.

Também Nuno Casanova, diretor do Hotel Grão Vasco, em Viseu, mostra-se satisfeito com os números deste ano. “Se no ano passado foi muito bom, este conseguiu ser ainda melhor. Houve um crescimento grande da faturação e nas percentagens de ocupação”, conta.

Para o diretor, é preciso tentar atrair os turistas, dando-lhes mais coisas para fazer, de maneira a que as pessoas queiram ficar mais dias. “Até porque já não dá para ver Viseu num dia só” refere.

Na restauração o cenário também é positivo. Fernanda José, dona do restaurante Hilário, na zona histórica da cidade, também diz notar uma melhoria, “principalmente nesta altura do ano em que há muito movimento”. “Se tivesse a porta aberta estava sempre a servir”, garante.

A proprietária do restaurante típico diz que há muitos estrangeiros, mas tem notado também outro tipo de turistas. “Ao fim de semana tenho muitos clientes que vêm do Porto e de Lisboa para fugir um pouco da confusão, alguns queixam-se que, por exemplo, em Lisboa já se fala mais inglês do que português”.

Também Paulo Almeida, coproprietário do restaurante Mesa d’Alegria e da casa de alojamento local Charme & Alegria, mesmo por cima do restaurante, confirma a tendência, que na sua opinião, deve-se a uma aposta em eventos culturalmente mais evoluídos e ricos e a uma melhor promoção da cidade no mercado internacional.

O empresário diz que os turistas que recebe são mais portugueses e que procuram “cidades autênticas” e que “Viseu é uma delas”. Mas diz que também recebe muitos estrangeiros que procuram “produtos endógenos, experiências vínicas e gastronómicas”.

Condições favoráveis abrem portas a aumentos de salários

A falta de qualificação e os baixos salários no setor são alguns dos problemas apontados. Jorge Loureiro, da AHRESP diz que “desde que os empresários tenham folga financeira para o fazer somos os primeiros interessados em ter os empregados motivados e disponíveis”.

Para o vice-presidente da associação, “dadas as condições de melhoria, que são notórias e visíveis, o que se espera é que se premeie e que se melhore a vida das pessoas que nelas trabalham, remunerando-as mais e melhor. Isso parece que está acontecer, é desejável que aconteça com mais velocidade”, assume.

Jorge Loureiro afirma que é preciso reforçar também a formação. “A AHRESP oferece formação permanente ao longo do ano, mas nem sempre as empresas e os empresários estão recetivos para mobilizar as suas equipas para a formação. É desejável melhorar o serviço porque só assim conseguimos ter uma proposta de valor mais bem remunerada pelo cliente e cliente satisfeito é cliente que volta e que repete a experiência”, garante.

"Queremos chegar aos nove milhões de dormidas em 2023" - Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro

A Turismo Centro de Portugal (TCP) venceu, pela segunda vez, o prémio de melhor região de turismo do país dos Prémios Publituris Portugal Travel Awards. O que significa este reconhecimento?

É um estímulo e é também um orgulho para a Turismo Centro de Portugal, para sua equipa e para todos os seus colaboradores e associados. Este é um reconhecimento público que o país faz ao trabalho da TCP e é um destino que tem vindo a afirmar-se cada vez mais, seja no panorama nacional como no panorama internacional.

Em termos práticos o que isso pode significar?

O facto de sermos um destino nacional com estas características pode estimular o mercado interno e nós precisamos de continuar a aumentar a fasquia associada às dormidas do mercado interno. Precisamos aumentar a estadia média e fazer com que as pessoas que vêm possam ficar mais noites. Este reconhecimento chama a atenção para o país de que há um destino emergente que tem novas ofertas e novas experiências.

Na maioria das vezes os turistas só ficam uma noite. Porque é que a permanência ainda é baixa?

Esse é um dos nossos problemas estruturais. Sempre tivemos sazonalidade, sempre tivemos baixa estadia média. Estamos a esbater a sazonalidade, mas ainda não fomos capazes de chegar às duas noites de estadia média. Inverte-se isto com eventos e também com as redes. Com soluções que possam de alguma forma fazer com que as pessoas fiquem motivadas para permanecerem mais noites. E esse é um trabalho que estamos a realizar.

Até onde pode crescer a região Centro a nível do turismo?

Nós acreditamos que neste ano de 2019 vamos passar a fasquia dos sete milhões de dormidas. Estamos, neste momento, com um plano estruturado de ação para os próximos 10 anos em que prevemos chegar no mínimo aos nove milhões de dormidas em 2023. Estamos a trabalhar!

Enoturismo: mais recursos qualificados e ofertas estruturadas

A coordenação para uma oferta integrada de experiências e a qualificação dos recursos humanos são os principais desafios que se colocam no enoturismo, um setor que tem vindo a crescer na região.

“Tem de haver um esforço de coordenação que tem de passar pelas associações do setor, mas também em coordenação com entidades como a Turismo de Portugal, e também locais, e todos falando podem apresentar uma frente comum”, apelou Carlos Andrade, economista no Novo Banco e que apresentou, em Viseu, um estudo sobre turismo em Portugal.

Para o especialista, construir uma oferta integrada ajuda a combater a sazonalidade. “Como diz a velha máxima é preciso trabalhar acompanhado para ir mais longe e ir mais longe no enoturismo é também criar outras sazonalidades no turismo, que não só agosto, e é alavancar a economia local e o desenvolvimento regional”, sustentou.

Apesar de ainda não haver muitos dados que permitam fazer uma análise mais aprofundada do setor, o economista não tem dúvidas de que o enoturisno está a crescer. Mas é um setor específico onde é preciso uma qualificação grande. “Não se trata só de ter alguém não qualificado que vem dar uma mão. O enoturismo, quer na parte mais ligada ao vinho, quer na gastronomia ou outra, exige qualificação”.

“De uma forma recorrente, mesmo ouvindo, e lendo, sobre quem está no setor, a falta de qualificação dos recursos humanos aparece sempre como um dos principais fatores referidos. É uma dificuldade que a economia portuguesa tem encontrado nos últimos anos em vários setores, mas no enoturismo a necessidade é mesmo grande”, sublinhou.

De acordo com o estudo apresentado, Carlos Andrade lamentou a falta de dados importantes em Portugal para, por exemplo, conhecer o tipo de enoturista, mas os indicadores europeus deixam algumas pistas. “Antes, sabemos que era maioritariamente masculino e feito por casais com um nível económico e social médio ou elevado e sobretudo interessado na questão do vinho. Atualmente, reparamos que o mercado nos outros países está a mudar e está a ficar maioritariamente feminino e cada vez mais em grupo”, apontou.

Para o especialista, “é preciso conhecer o turista que se tem para melhor apontar a estratégia de comunicação e de desenvolvimento” no setor, uma vez que os únicos dados que aparecem sobre o enoturista só conseguem revelar que “o português é o que tem maior expressão no mercado nacional” e os países com maior expressão são o Reino Unido, Alemanha, Brasil, Espanha, França e um pouco os Estados Unidos.

Entre os dados positivos de Portugal no ranking mundial do turismo está o primeiro lugar na qualidade de infraestruturas e o nono lugar para a segurança no país e no ranking global da competitividade do turismo, em 160 países, Portugal está em 12.º lugar.





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