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"A Europa pode fazer tudo pelo interior"

Edição de 10 de maio de 2019
 
 

Entrevista a Marisa Matias

Programa completo


12-05-2019
 

Em pré-campanha, Marisa Matias, cabeça de lista dos candidatos ao Parlamento Europeu do Bloco de Esquerda, esteve num debate sobre  “O Futuro da Europa” na Escola Secundária Alves Martins, de Viseu. Um futuro e presente também abordado em entrevista exclusiva ao Jornal do Centro.

No encontro com os estudantes da Escola Secundária Alves Martins com que ideia ficou sobre os assuntos da Europa que preocupam os jovens?

A democracia e o funcionamento democrático da instituições europeias foi o mais referenciado. O crescimento da extrema direita, em alguns países europeus, foi também uma preocupação muito presente.

Porque é que surgem com cada vez mais força os movimentos radicais de direita?

Por uma ausência de resposta aos problemas concretos das pessoas. Sentem-se injustiçadas e criam-se vazios. É preciso fazer uma reflexão profunda sobre como surgiram esses espaços vazios que foram rapidamente ocupados pela extrema-direita porque na política não há espaços vazios por muito tempo. Por um lado, as forças democráticas de direita e do centro esquerda começaram a introduzir nos seus discursos algumas das narrativas da extrema-direita, como o de estarmos a ser invadidos por imigrantes, quando não estamos, e com uma total desumanidade em relação aos direitos humanos e ao direito à vida.

Como é que as instituições europeias deixaram passar esses discursos?

Foi talvez numa tentativa de bloquear a extrema-direita, mas acabaram por legitimar os seus discursos. Está anunciado que Portugal vai perder sete por cento dos fundos de coesão… Ainda não está decidido…

Vai ser possível travar esse corte anunciado?

Se não acreditasse já não estava na política há muito tempo. Penso que ainda é possível estabelecer uma relação de forças que possa impedir esses cortes. É uma proposta da Comissão Europeia que vai ter que ser analisada pelo novo Parlamento Europeu, que a pode chumbar. Portanto, nada está decidido.

Como é que se explica que a Comissão Europeia proponha um corte para Portugal e para Espanha e para Itália não? Já estamos mais ricos?

As razões invocadas pela Comissão é a de que em Portugal melhoraram muito os indicadores de criação de emprego e redução de desigualdades. Quando no tempo da Troika atingimos níveis muito baixos de emprego, qualquer alteração positiva parece muito. Infelizmente, ainda estamos longe do país ideal e da média europeia. Não se pode penalizar quem quer melhorar. Deve-se é ajudar a fazer mais e melhor.

O que é que esta Europa ainda pode fazer pelo interior do nosso país?

Pode fazer tudo se houver vontade política e maiorias que apontem nesse sentido. Não estamos num colete de forças. Há opções e alternativas. Em vez de cortar é preciso reforçar o orçamento e melhorar a coesão e distribuição dos fundos. 

Pode ouvir a entrevista na íntegra no som que aparece nesta entrevista ou acompanhá-la em imagens no site do AQUI TV (www.aqui.tv).





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