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Impacto económico do Politécnico em Viseu e Lamego é de 46 milhões de euros

Edição de 24 de maio de 2019
24-05-2019
 

João Luís Monney Paiva está a meio do mandato como presidente do Instituto Politécnico de Viseu (IPV). Em entrevista ao Jornal do Centro, fala sobre o impacto que a instituição que lidera tem na região e no que está a fazer para dar “melhores condições” de acesso aos serviços por parte dos estudantes. A Escola Superior de Tecnologia de Lamego, diz o presidente, é “uma prioridade”.

A meio do mandato, ainda precisa de mais tempo para ter a instituição como disse que queria, quando tomou posse, que seria mais aberta à comunidade e com a envolvência dos alunos?

Sim, são processos que se iniciam e necessitam tempo.

O que já foi feito?

Temos criado relações de maior proximidade com os estudantes numa perspetiva de terem melhor serviço por parte da instituição em questões fundamentais. Melhor e mais alojamento, nomeadamente em resultado das dinâmicas com estudantes de outros países. Procuramos dar melhores condições, facultando o rearranjo de determinadas instalações, melhorar as que temos e reabilitar uma residência na Praceta dos Estudantes, na Quinta da Carreira, em Viseu. Fazemos o nosso papel no sentido de diminuir a pressão daquilo que é o custo de arrendamento, o custo que as famílias têm para terem os seus filhos a estudar. Por outro lado, estamos a fazer isto de uma forma a abandonar o modelo muito antigo de deixar de ser uma modalidade de quartos e passar a serem apartamentos. Ajuda à dinâmica do convívio social.

Há estudantes para as residências?

Sim, neste momento a nossa principal dificuldade é dar resposta, uma vez que temos tido pedidos, até a nível institucional, para os alunos do estrangeiro, nomeadamente dos países lusófonos. Neste momento, a dificuldade é dar uma resposta positiva às solicitações que temos porque a disponibilidade de alojamentos não abunda em Viseu. Há uma escassez. Mas voltando às melhorias para os estudantes relativamente à instituição, temos um segundo aspeto que é a alimentação. Este é um processo complexo. De um lado temos de atender às expetativas que quem frequenta as cantinas tem, mas também as restrições que temos em termos da contratação pública. Estamos a tentar encontrar aqui um meio caminho sem ferir a legalidade das contratações, mas assegurar que temos a melhor qualidade possível.

O que ainda não conseguiu fazer? Estes foram os pontos fortes?

Há vários processos que já se iniciaram que foi ter o Politécnico com as propostas do alojamento. Mas ainda não existem. Na melhore das hipóteses teremos as residências feitas daqui a um ano.

E o que foi então mesmo feito?

Foi criada uma aplicação interativa, que comunica. Vamos procurar que seja enriquecida com uma participação daquilo que é a cidade em termos de promoções ao nível da restauração, por exemplo, e aumentar a visibilidade daquilo que é a produção artística e cultural da cidade para que os estudantes estejam a par do que se passa e participem. Isto entronca num outro aspeto que foi uma aprovação de um projeto de modernização administrativa.

Como se materializa esta modernização?

Alterando e melhorando toda a parte de infraestrutura de comunicação. Toda a gente utiliza os dispositivos wireless, ou seja, que não estão ligados a cabo. O IPV tinha uma velocidade disponível bastante baixa e aumentámo-la, mas, para isso, foi necessário modernizar toda a infraestrutura. Isto dá um salto em frente, nomeadamente no acesso aos serviços, essencialmente pelos estudantes. Depois abrange uma série de todos os outros serviços na ligação com todas as unidades orgânicas.

Então agora a comunicação com a presidência já pode ser feita por e-mail e mais rápida?

Há escolas que se queixam de distância na comunicação com a presidência? Se ela acontece é porque dentro das coisas que tenho para fazer nem sempre tenho a disponibilidade imediata para atender. Mas acho que, no geral, consigo dar uma resposta atempada.

Foi para facilitar o diálogo que nomeou vários pró-presidentes? Para fazer a ponte entre as unidades orgânicas e a presidência?

Vários pró-presidentes, vários encarregados de missão. Estatutariamente, os pró-presidentes têm a possibilidade de ter a redução de horário e receber uma gratificação, mas não acontece nem uma coisa, nem outra o que não quer dizer que não haja situações que não possam ser vistas. O Politécnico de Viseu tem uma dimensão que justifica áreas específicas e com tratamento específico como, por exemplo, a promoção académica, muito importante porque está relacionada com a capacidade do Instituto fazer chegar a sua oferta formativa e captar mais estudantes. Outras questões importantes são a financeira e as relacionadas com a modernização educativa, este que é um processo lento, mas fundamental e que precisa de ser encarado porque as instituições de ensino superior precisam, para cumprirem melhor a sua missão, de ir ao encontro das pessoas cujas condições materiais não lhes possibilitariam aceder ao conhecimento. Isto é qualquer coisa que não basta fazer-se uma démarche administrativa, temos de alterar a forma de possibilitar o acesso ao conhecimento. 

O Politécnico, nos últimos anos, tem tido sempre um prejuízo de um milhão de euros. Tem reservas para quantos anos?

Não sendo uma pessoa da área financeira, não diria prejuízo de qualquer maneira. O que temos é um valor de despesa que excede aquilo que são as nossas receitas e nas receitas temos o Orçamento de Estado, as propinas e depois os projetos que são as candidaturas que fazemos nas várias áreas com uma forte componente ao nível da investigação científica. Este valor não chega para cobrir as despesas de funcionamento.

Onde está a maior fatia da despesa? Pessoal?

Sim, claro. Representa noventa e tal por cento.

É possível reduzir o quadro?

Não é possível. O Governo lançou agora um programa de reformas antecipadas. Há um compromisso, com certeza que não vai agradar a todas as pessoas, que está em vigor entre as duas variáveis da pré-reforma (tempo para a idade da reforma e tempo de serviço).
A perspetiva que eu tenho é a de crescimento da própria atividade da instituição e, para isso, precisamos de mais recursos humanos e para termos mais recursos humanos, obviamente, temos de pagar e para ter forma de pagar temos de fazer pedagogia junto do Governo... há estudos que provam que o sistema está subfinanciado.
Nós, felizmente, fruto dos saldos acumulados que existiam temos ainda um valor que nos permitirá suportar...

Por quantos anos? Tem as contas feitas?

Se fechássemos portas agora pagaríamos todas as dívidas e poderíamos fazer entrega de dividendos se fossemos uma empresa. Não o somos e a nossa ideia é investir, investir no sentido em que há necessidade de criar novas oportunidades, oportunidades que uma instituição como esta tem de ter é aumentar a sua formação, torná-la mais adequada, para se tornar mais útil e importante para a atividade económica que tem ao seu redor.

Neste campo entrou o pessoal que estava no IPV a contrato?

São decisões que fazem com que, apesar de toda a bondade que a medida tem, prejudiquem os indicadores. Isso aconteceu porque os valores foram diminuindo em ternos orçamentais ao mesmo tempo que por decisões legislativas foram integradas pessoas e com toda a justiça.
O número de professores que foram integrados é uma percentagem mínima naquilo que é o universo dos 450 docentes do Instituto.

É possível quantificar o impacto do Politécnico de Viseu na economia da região? E ao nível do emprego?

Os números relativos aos concelhos onde o Instituto tem representação, Viseu e Lamego, indicam que são 46 milhões de euros anuais em termos de atividade económica. Uma parte muito importante é obtida através do impacto direto (26 milhões) e depois o fator multiplicador. Desses 26 milhões há cerca de 12 que dizem respeito diretamente ao efeito de exportação que são os estudantes que vêm de foram e consumem aqui. Depois um segundo efeito, de sete milhões de euros a somar aos 12 milhões, que são alunos que ficando cá não vão gastar fora. O grande número é este: 46 milhões, isto representa 2,6 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) destes dois concelhos. Não precisaria destes números para perceber a diferença que há na região agora e há 35 anos.

E a região tem como absorver a mão de obra que sai do Instituto?

Sim, tem estado. Mais uma vez estas flutuações nos ciclos económicos fez com que as debilidades da região fossem mais evidentes e muitos tivessem de emigrar. Mas estamos a recuperar.

Há alguma unidade orgânica que lhe dê uma maior preocupação?

A Escola Superior de Tecnologia de Lamego pelo facto de estar distante. É uma realidade, mas temos incrementado medidas e atividade na promoção académica para levar estudantes, nomeadamente internacionais para Lamego. Há países que procuram as formações que existem em Lamego, são formações híbridas, que não têm aquele caráter clássico e ali se encontra uma escola com uma resposta adequada às suas necessidades. Estamos atentos a estas dinâmicas, pela chegada de estudantes internacionais que vão introduzir novos dados na nossa vida coletiva e temos de antecipar respostas. Mas Lamego é uma prioridade.

Porque é que ainda não tem professor-coordenador?

Não tem ainda porque são as dinâmicas que existem em torno daquilo que é a conjugação, à época, entre lugares de quadro e disponibilidade orçamental. Foi uma questão colocada há um ano e que provavelmente vai ser de novo com mais equidade em termos dos processos de avaliação/acreditação. Vamos ver de que forma se pode encontrar uma solução. Não é ter um professor-coordenador só por ter, é ter um professor-coordenador porque significa uma maior capacidade de coordenação e de trabalho.

Os problemas surgidos aquando da sua candidatura e eleição para presidente do IPV estão sanados?

Não estão sanados porque não são feridas. Fazem parte destes processos. Há disputas eleitorais, há entendimentos diferentes sobre aquilo que é a vida da instituição, há confrontos democráticos e esse confronto de ideias continua. É salutar que apareçam, eu no passado também já fiz alguns confrontos.

E a relação com a Câmara de Viseu?

Está boa, não vejo que haja qualquer problema e pode ser melhor. Tem havido uma excelente resposta às solicitações que são feitas. Só posso esperar que melhore.

A entrevista ao presidente do Instituto Politécnico de Viseu pode ser vista em aqui.tv na íntegra. A regulação ao acesso do ensino superior, a descriminação entre instituições do litoral e a democratização do conhecimento são outros dos assuntos abordados.





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