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Vítimas dos incêndios ainda sem casa no Natal

Edição de 10 de novembro de 2017
 


14-11-2017
 

A Cáritas Diocesana de Viseu é uma das instituições no terreno a prestar auxílio a quem foi afetado nos incêndios que lavraram nos dias 15 e 16 de outubro na região. Já deu de tudo um pouco e promete continuar a apoias as vítimas até ser necessário. O presidente da instituição considera insuficientes apoios financeiros previstos pelo governo e reclama da tutela outra atenção para o interior

Quantas vítimas dos incêndios jáajudou e está a ajudar a Cáritas?
Não é muito fácil de contabilizar esse número. Andámos um pouco a fazer de bombeiros e vamos para os locais onde entendemos que é mais necessário. Sei que já são muitas centenas de pessoas, mas nesta altura ainda não temos o número de pessoas que ajudámos.

Que tipo de ajuda estão a prestar?
Logo no princípio a nossa principal preocupação foi entregar às pessoas que tinham ficado sem nada roupas, cobertores, atoalhados, alimentos. Depois  centrámo-nos nas pessoas com animais e que não tinham nada para dar de comer. Agora viramo-nos para outro aspeto. Eu estive com a presidente da CCDRC que me garantiu que todas as casas irão ser reconstruídas em princípio com o apoio do governo e que me disse o mesmo relativamente às empresas. Por isso decidimos ajudar as pessoas que tudo perderam na reconstrução da sua pequena horta, do curral para os seus animais. Vamos fornecer-lhes animais e árvores para plantarem. Isto como? Através de projetos que iremos lançar e como não temos dinheiro iremos ter que inventar maneira de pelo menos colaborar com estas pessoas.

Onde vão buscar as ajudas?
Logo no dia 16 lançamos uma conta solidária que não teve o sucesso que queríamos porque as pessoas estão muito sobrecarregadas com estas necessidades que vão surgindo. Tivemos pessoas e instituições do país que nos entregaram bens alimentes e com os nossos poucos recursos até hoje a nível de bens alimentares temos o problema resolvido. Na recuperação dos estábulos estou convencido que uma parte da ajuda virá da diocese de Viseu, através das paróquias e depois, como costumo dizer, temos que ter engenho e arte para conseguir esses apoios através da Cáritas portuguesa, Europa e quem sabe da internacional.

Já passou por todos os concelhos da região afetados pelo fogo?
Foquei mais a minha presença em três concelhos: Tondela, Vouzela e Santa Comba Dão, que para mim em princípio foram mais devastados. Encontrei pessoas que se por um lado têm vontade de recomeçar a vida e de continuar, por outro lado é um bocadinho difícil porque quase que tiveram de fazer um reset à sua vida. Perderam todas as referências, as fotografia, etc. Não foram só os bens que perderam foi algo mais que nunca mais voltarão a possuir.

Acha que essas pessoas se vão conseguir levantar?
Eu acho que sim porque a solidariedade é muito grande. Tenho a certeza que as vítimas dos incêndios na zona Centro sabem que não estão sozinhas.

Há pessoas depois do fogo a viver na miséria ou todas as que foram afetadas estão a ter a devida retaguarda?
Estou convencido que as pessoas neste momento estão a ser apoiadas. É evidente com muitas dificuldades e passando por privações que nunca pensaram viver na vida.

Este Natal vai ser complicado?
É muito bonito dizermos que em Pedrógão Grande o Presidente da República vai fazer uma ceia com uma família e estar na passagem de ano na região, mas com que casas? Onde é que elas estão? Será que até à passagem de ano as vamos ter prontas? Estou convencido que algumas estarão, mas não será uma quantidade minimamente significativa, infelizmente. Penso que lá mais para a primavera somos capazes de ter a situação mais controlada. Acredito que neste momento não há ninguém a dormir na rua. Em todas as situações que estão a ser acompanhadas tem-se arranjado solução.

Este fogo pode afastar as pessoas da região?
As pes soas podem receber a reforma em Tondela, Lisboa no Porto, etc, onde têm maior parte da família. O que as prende à terra é o animal, o vizinho. Acho que é muito importante fazermos um esforço sério para estas pessoas ficarem connosco e penso que se calhar com tudo isto o governo é obrigado a olhar mais para o interior, no sentido de prestar mais apoios. Se tivermos mais gente obviamente haverá menos fogos.

Acha as ajudas que foram anunciadas pelo governo são suficientes?
Tanto quanto julgo saber a importância que foi indicada no Orçamento de Estado terá que ser revista em minha opinião, devido a quantidade de casas que arderam. Diria que quase todos os dias aumenta e isso leva-nos a pensar que esse número será exíguo, mas julgo que não haverá outra solução. O Estado terá que assumir juntamente com as seguradoras uma vez que a culpa já foi assumida.

Até quando vai estar a Cáritas no terreno?
Até quando for preciso.

Acha que para o ano a região já vai ter outra cor?
Eu tenho esperança que sim, que o verde da esperança irá alindar os nossos concelhos e aldeias. Com a vontade que as pessoas têm em recuperar e se os apoios prometidos vierem vamos ter muito verde na nossa diocese.





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