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Em Inglaterra a seguir o gosto pela fotografia

Edição de 4 de outubro de 2019
06-10-2019
 

Está prestes a fazer sete anos que Renato Loureiro Silva deixou Tondela e rumou para Inglaterra. Este fotógrafo de profissão abandou Portugal insatisfeito com o país e com o antigo patrão, que não lhe pagava. Ainda processou o ex-empregador, mas de quase nada lhe valeu. “Ao fim de cinco anos e muitos processos em tribunal recebi parte dos salários pagos pelo Estado. Infelizmente pude ver que a justiça não funciona em Portugal”, lamenta.

Desiludido com o país onde nasceu, Renato mudou-se para terras de sua majestade. Encontra-se a viver e trabalhar em Northampton, desde finais de 2012 após ter surgido uma oportunidade de emprego. “Desde que cheguei a Inglaterra tive dois empregos: primeiro como assistente numa residencial para pessoas com problemas mentais para apreender inglês e há cerca de três anos mudei-me para a fotografia”, conta.

Renato trabalha por conta própria. Deixou os casamentos e agora capta imagens para o ramo automóvel, trabalhando com marcas como a Porsche, BMW, Jaguar ou Aston Martin.

A mudança para Inglaterra não foi pequena e este fotógrafo não esconde que a primeira impressão do país não foi logo boa. Desde a atitude das pessoas, que olham de lado para os emigrantes, ao horário de lojas e restaurantes, que fecham mais cedo do que em Portugal, tudo é diferente. Este tondelense revela que se sentiu discriminado até para arranjar casa e queixa-se de os ingleses nem se darem ao trabalho de entender quem chega ao país. Hoje garante que está mais integrado também por já dominar a língua.

Em Inglaterra, o que mais gosta é de poder fazer aquilo que gosta e ainda por cima “ser bem pago por isso”. Pelo contrário, queixa-se de algumas injustiças e conta que por exemplo a polícia é “mais flexível para um inglês quando o aborda na rua do que para um estrangeiro na mesma situação”. Critica o sistema social que dá milhões de subsídios a pessoas sem depois acompanhar os beneficiários. “Não gosto também de ver que milhares de ingleses usem trabalhadores maioritariamente de leste para mão de obra barata e ao mesmo tempo votem para se fechar as fronteiras depois de muitas destas pessoas não estarem sequer a receber o que é esperado por lei”, refere.

Renato visita os pais e a restante família em Tondela pelo menos duas vezes por ano, mas “nunca” mais quer voltar a viver em Portugal. Não confia nas instituições portuguesas. Para além disso, tem uma filha que já nasceu no Reino Unido e uma casa que adquiriu com a futura mulher.

Em termos de saúde, também se sente mais protegido em Inglaterra onde descobriu que tem um “problema de saúde sério” e onde tem toda a assistência que necessita. 





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