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Moldavo controla Linha da Beira Alta

Edição de 27 de setembro de 2019
29-09-2019
 

A viragem do milénio trouxe também uma mudança na vida de Iuri Cracium. Em 2000, este emigrante natural de Danceni, uma aldeia a 18 quilómetros da capital da Moldávia, Quichinau, deixou a terra natal e a família e rumou para Portugal. “Vim à procura de trabalho”, conta, acrescentando que escolheu o nosso país porque já cá tinha amigos.

Iuri radicou-se na Narazé, onde trabalhou nas obras, como carpinteiro. Foi o primeiro trabalho que teve na vida e não esconde, entre risos, que os primeiros tempos não foram fáceis. Nada que o tenha deitado abaixo.

Dois anos depois de ter chegado, mudou-se para o concelho de Carregal do Sal, onde ainda se encontra, para trabalhar na empresa Somafel e onde esteve 17 anos. Hoje, este emigrante é encarregado na empresa pública Infraestruturas de Portugal, estando operar em toda a linha da Beira Alta, entre a Pampilhosa da Serra e Vilar Formoso. “Gosto do que faço, é um trabalho diferente que obriga a ter cabeça”, explica.

Iuri apaixonou-se pelo nosso país e em particular por uma portuguesa com quem casou e entretanto teve um filho, que tem atualmente 12 anos. Vive em Cabanas de Viriato e está mais do que integrado na sociedade lusitana. É desde 2008 bombeiro voluntário em Cabanas de Viriato.

Este moldavo vai com alguma frequência à terra natal. Quando não vai, são os pais que o visitam. Quase duas décadas depois de chegar ao nosso país, continua com saudades da sua aldeia e onde deixou os amigos. É deles que também sente falta. Iuri considera que fazer amizades por cá “é um bocado complicado” porque, diz, “as pessoas hoje em dia não são amigas, só têm interesses”.

Confessa que não gosta que os portugueses “engulam” tudo o que lhes contam, sem questionar nada e sem terem espírito crítico. “As pessoas andam contentes e quando tentas explicar as coisas ainda fazem pouco”, lamenta. Num país de doutores e engenheiros, este emigrante também não aprecia muitos os títulos pelos quais são tratadas as pessoas. “Lá um engenheiro é uma pessoa normal, simples, aqui um chefe de equipa parece que é um Dr.”, critica.

Iuri tem também aspetos positivos a apontar ao nosso país. Garante que gosta “de tudo um pouco” e acrescenta que quando se está bem “começa a gostar-se de tudo”. Aprecia a comida e o clima. Na Moldávia chegou a enfrentar invernos com 20 graus negativos. Até ao tempo das terras lusitanas já se habituou. Não esquece que não há anos quando regressou ao seu país de férias por altura do Natal não conseguiu sair de casa por causa do frio.

Regressar à Moldávia é algo que não descarta, ainda que isso não esteja no seu pensamento. “Já compramos casa e tudo, mas nunca se sabe o dia de amanhã. A gente nunca pode dizer nunca”, afirma, como qualquer português.





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