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Na Suíça depois de já ter passado por Espanha

Edição de 24 de maio de 2019
26-05-2019
 

Está a fazer nove anos que a vida de Telmo Torrado mudou. Natural de S. Miguel do Mato, em Vouzela, este enfermeiro decidiu deixar o país pouco tempo depois de ter terminado o curso. “Emigrei em junho de 2010 assim que terminei a licenciatura, sem medo de arriscar”, conta Telmo Torrado, acrescentando que saiu de Portugal “para ter uma vida melhor”, mas também para conhecer outras paragens. A decisão de deixar terras lusitanas não foi “fácil” por causa dos pais, mas o estado da enfermagem no nosso país não lhe deu grandes opções.

Este enfermeiro começou por trabalhar em Girona, Espanha, onde permaneceu durante cerca de um ano. Esteve empregado numa clínica privada e no país vizinho deixou muitos amigos. Quando o contrato acabou, no verão de 2011, Telmo rumou para Flanthey, na Suíça, depois de um desafio que lhe foi lançado. Em terras helvéticas fez de tudo um pouco. Trabalhou nas vinhas, na restauração e com cavalos. “Enganem-se aqueles que pensam que aqui é um mar de rosas ou que se abana uma árvore e cai dinheiro”, afirma.

Com esforço, e depois de ter tirado um curso de francês, este emigrante conseguiu emprego na área de formação. Por intermédio de uma agência, começou a trabalhar numa empresa que presta cuidados ao domicílio. Acabou por ficar nessa mesma firma, o Centre Médico-Social de Sierre, mas a contrato e onde conseguiu subir na carreira. Hoje é responsável por uma equipa, composta por 27 elementos ligados a várias áreas de saúde. “É um trabalho extremamente gratificante, enriquecedor e sobretudo porque o nosso empenho, a nossa dedicação têm o reconhecimento devido”, diz. A Suíça deu-lhe a valorização profissional que procurava. Foi também lá que se apaixonou e que conheceu a mulher com quem casou o ano passado.

Telmo Torrado descreve como “difícil” a mudança de país. Aponta o dedo à “burocracia” e não poupa os portugueses, que se envolvem em quezílias e que revelam “invejas inúteis”. A língua também é um entrave, afirma, salientando que quando chegou sentiu alguma discriminação. Hoje já não sente isso.

Na Suíça, este enfermeiro aprecia a tranquilidade, o respeito, a segurança, a limpeza das vias públicas e “a qualidade de vida que nunca poderia ter em Portugal”. Já se habituou à neve e ao frio, mas sente a falta da praia. “Não gosto claramente da enorme carga fiscal que nos é imputada. Muitas vezes o que se ganha é para pagar as despesas, visto que a vida é extremamente cara”, afirma.

Telmo visita Portugal em média três vezes ao ano. O regresso em definitivo não está para já no seu horizonte por causa da “conjuntura desfavorável e do desgoverno do país”.





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