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No Canal da Mancha a fazer aquilo que gosta

Edição de 20 de setembro de 2019
22-09-2019
 

Natural de Arcozelo das Maias, em Oliveira de Frades, Margarida Cerveira emigrou para Inglaterra no início do ano. Durante uma década trabalhou como jornalista em rádios e jornais da região. Foi também assessora de imprensa numa Câmara Municipal. Nos últimos três anos trabalhou com idosos, num centro social do concelho de Vouzela, depois de ter frequentado um curso de técnico de Geriatria, Fisioterapia e Massagem após a crise que atingiu Portugal e que acabou com o seu “sonho” no ramo do jornalismo.

“Decidi emigrar porque o meu país não me ofereceu condições para ficar. Trabalhei três anos com idosos, mas os salários, infelizmente, são pouco dignos para este tipo de trabalho e o reconhecimento é pouco ou nenhum. Cuidar de idosos em Portugal não é uma profissão”, critica, lamentando que quem cuida dos mais velhos tenha que fazer de tudo um pouco, incluindo limpezas. Margarida vive e trabalha atualmente em Guernsey, uma ilha no Canal da Mancha, onde já se encontrava uma amiga que também é cuidadora. “No grupo onde ela trabalha estavam a precisar de cuidadores e aceitei o desafio”, conta.

Em terras de sua majestade, esta emigrante portuguesa trabalha com idosos com demência e Alzheimer. “Aqui as ‘casas’ para idosos são especializadas num tipo de patologia. Ao contrário de Portugal que é tudo junto. Outra mudança que, a meu ver, deve ser urgente em Portugal. Devem criar-se lares para idosos especializados com equipas especializadas. Ninguém sabe tudo”, defende, acrescentando que em Inglaterra os seniores são tratados “com dignidade e respeito pelo fim de vida”.

Margarida teve “a sorte” de trabalhar com muitos portugueses e garante que nunca foi discriminada por ser estrangeira. Conta que os ingleses olham para os emigrantes com respeito e admiração. “Afinal de contas somos nós que cuidamos dos pais deles. São outras mentalidades, outra postura perante a vida. É cultural”, refere.

Em Guernsey, aprecia “a qualidade de vida” que conquistou e as paisagens que a rodeiam. “É um luxo percorrer 15 minutos a pé de casa ao trabalho. Costumo dizer que estou no paraíso (risos). O clima é bom, apesar de mudar muito durante o dia. No mesmo dia temos as quatro estações. O que não gosto tanto é da comida. Não há nada como a comida portuguesa”, afirma.

Em nove meses, esta emigrante já conseguiu vir uma vez a Portugal. Dentro de dois meses vai regressar de novo porque “as saudades de casa são muitas”.

Já quanto ao regresso em definitivo “ainda é cedo” para falar disso. “Vim com a ideia de ficar cinco anos, ganhar um dinheiro extra e regressar a Portugal para tentar mudar a forma como se olha para os idosos. Logo se vê, mas gostava de fazer alguma coisa na área do apoio domiciliário. Há tanto para fazer”, depende.





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