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A família: desafios emergentes

Edição de 5 de julho de 2019
06-07-2019
 

São diversos os olhares e as perspetivas sobre o conceito de família. São conhecidos discursos sobre a família, que acentuam a divisão sexual do trabalho socialmente útil, em que aos homens caberia a função produtiva e às mulheres a função reprodutiva.

Nos últimos anos, a estrutura das famílias tem-se modificado significativamente. Até à década de setenta do século passado, o mais comum era a existência da família nuclear (pais e filhos); ou alargada (pais, filhos ou outro familiar que passe a coabitar com a família nuclear); ou, ainda a monoparental (estas famílias são constituídas por um dos progenitores e os filhos, estas podem surgir da maternidade ou paternidade solteira, pelo divórcio ou viuvez).

Após a década de oitenta, com todas as mudanças sociais ocorridas, foram aparecendo novas formas de família como as unipessoais (onde o agregado familiar é constituído apenas por uma pessoa), a Poliamor (a família é composta por vários casais, ou por um companheiro e várias companheiras), a LAT (Living Apart Toghether) (Duas pessoas que decidem ter uma relação, mas não coabitam, portanto não haverá disputas de papéis), as Reconstruídas (consiste num casal em que pelo menos um dos intervenientes, ou é separado, divorciado ou viúvo com filhos de relações anteriores; O “novo” casal poderá ter filhos em comum o que origina, na família, uma fratria composta pelos “meus, os teus e os nossos”); a Binuclear (divide-se em dois núcleos, após a separação ou divórcio). Devido ao aumento das taxas de divórcio, o número de famílias reconstruídas e binucleares tem aumentado significativamente.

Reflitamos sobre as famílias reconstruídas e binucleares.

Com todas estas mudanças, surgem desafios na transmissão dos valores às crianças, cujos progenitores, deixaram de existir na vida da criança enquanto casal /família, mas não deixaram, por outro lado, de ser pai/mãe, com todas as obrigações a que isso implica, no que concerne à gestão de todos os recursos para o crescimento saudável dos seus filhos. Não bastam os cuidados diários inerentes à função pai/mãe, mas é de primordial importância a preocupação no alimento dos afetos, pois eles são o maior património deixado pela família.

É subjacente a necessidade de que os adultos reflitam acerca da forma como se referem ao outro/a progenitor/a, nunca esquecendo que essa pessoa é o pai e a mãe da criança, por quem ela nutre amor e admiração e de quem precisa de todo o acompanhamento, para um crescimento saudável. Os progenitores devem proteger os seus filhos dos conflitos dos adultos.

Outro aspeto a salientar, nas famílias reconstruídas é o assumir de um novo relacionamento, em que a “nova” pessoa tem conhecimento da existência de um filho do relacionamento anterior. É importante pensar que esta criança já existia e precisa acima de tudo de ser amada.

Como se pode pedir às crianças para serem honestas e resilientes, quando, diariamente, os seus pais/mães as usam para manipular o/a outro/a ex. companheiro/a que querem atacar? Será que não estamos a promover a manipulação? Será que não condicionamos o crescimento da criança, cujo exemplo dos progenitores (bom ou mau) elas transportam para a vida? Será que não lhes é transmitido como exemplo (consciente ou inconscientemente) a utilização do outro em proveito dos seus próprios interesses? Que adultos formaremos?

Enquanto adultos somos livres para decidirmos acerca da nossa felicidade, escolhendo com quem queremos ou não partilhar a nossa vida. Contudo, quando existem crianças, são necessários cuidados acrescidos de forma a conseguirmos ultrapassar as nossas adversidades em prol de um bem maior, a felicidade dos nossos filhos!





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