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Aos poucos

Edição de 5 de julho de 2019
07-07-2019
 

O governo decidiu apoiar o sector resineiro como forma de o integrar melhor no esforço de gestão do fogo que o país terá de fazer, tal como já tinha feito com o pastoreio extensivo, o fogo controlado e a profissionalização de alguns corpos de combate.

São iniciativas insuficientes, mas são indícios de que o governo que não é no combate que se gere o fogo, é antes do fogo começar que se prepara o território.

Na verdade, nunca haverá dinheiro de impostos suficiente para gerir o fogo nas nossas condições se insistirmos no que temos feito até agora.

É fundamental ir avaliar o que é mais eficaz fazer com o dinheiro que temos, se queremos chegar a algum lado.

O abandono da gestão do mundo rural, por inviabilidade económica de uma boa parte das suas actividades gestoras de território, permite uma acumulação de matos, folhada, mata morta, raminhos, ervas, etc.) que torna muito pouco úteis os esforços de combate nos cerca de 12 dias em que arde 80% da área de cada ano. Nesses dias, a maior parte dos fogos estão muito para lá da capacidade de extinção, seja com que meios for.

O que nos resta é bastante simples: procurar a economia que gere combustíveis, entender o que lhe falta para aumentar a área de combustíveis geridas, e pagar a diferença que nos permite usufruir dos serviços de ecossistema de que precisamos.

Precisamos de melhorar o uso do fogo controlado, com certeza, mas sobretudo pagar melhor aos pastores, aos resineiros, aos caçadores, aos conservacionistas, aos criadores de toiros de lide, seja a quem for que possa gerir os combustíveis, criar descontinuidades e reduzir a carga que existe no território.

É por isso que, por muito más que sejam as soluções concretas encontradas para a definição desses apoios (e poderiam realmente ser melhores), é de realçar o facto de haver um esforço para sair da lógica de financiamento do combate, para ir tornando cada vez mais forte e robusta a lógica de financiamento da economia que pode gerir território e assegurar a disponibilidade de serviços de ecossistema.

Henrique Santos, presidente da Montis





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