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Depressão: sintomas e tratamento

Edição de 22 de fevereiro de 2019
23-02-2019
 

Segundo dados epidemiológicos recentes, cerca de 10% da população portuguesa apresenta uma patologia depressiva. A depressão, duas vezes mais prevalente no sexo feminino, é considerada a principal causa mundial de invalidez e uma das causas mais frequentes de baixa laboral. Em Portugal, o suicídio decorrente de depressão é anualmente responsável por mais de 1000 mortes.

Muitas vezes confunde-se tristeza com depressão. Como podemos distinguir?

O sentimento de tristeza faz parte do espetro emocional de todas pessoas, facilitando a sua adaptação a circunstâncias da vida. A tristeza não deve ser conf u nd ida com depressão. Uma pessoa pode padecer de depressão sem manifestar explicitamente um sentimento de tristeza. A depressão, com todas as suas variantes, é uma patologia mental e não uma mera reação, consciente ou inconsciente, a acontecimento(s) de vida. Esta patologia prende-se com a durabilidade e com a disfuncionalidade dos sintomas que provocam sofrimento individual, repercutindo-se na qualidade de vida global do paciente. Estamos a falar de distúrbios medicamente significativos que podem ser graves, que apresentam uma incidência e uma prevalência elevadas, cujos sintomas são geralmente recorrentes e que se traduzem em elevados custos para o indivíduo e para a sociedade. 

Como se manifestam os sintomas de depressão?

Os sintomas de depressão manifestam-se nos domínios afetivo/emocional, cognitivo, somático, motor e comportamental. Salientam-se, entre outras apresentações clínicas, a depressão mascarada, em que o humor depressivo está «escondido» por sintomas físicos, uma situação particularmente percepcionada em idosos; a depressão na adolescência, que pode manifestar-se em irritabilidade; a depressão centrada em défices de energia, associados, ou não, a sentimentos conscientes de tristeza; e a depressão que está na génese do abuso e dependência de bebidas alcoólicas, circunstância que deve implicar uma especial atenção no sexo feminino.

Como devem ser tratados os distúrbios depressivos?

Os distúrbios depressivos devem ser diagnosticados e tratados atempadamente por médicos, sendo sempre de excluir a automedicação. No caso de a situação não estar ainda diagnosticada, o primeiro contacto deve ser o Médico de Família, que ponderará da necessidade, ou não, de um acompanhamento mais especializado. A estratégia terapêutica deve ser delineada individualmente, sendo muito importante para a eficácia da mesma que exista uma boa relação de confiança entre médico e doente.

Que tipos de estratégia de tratamento existem?

Existem fundamentalmente dois modelos, habitualmente complementares, de abordagem terapêutica da depressão: o farmacológico e o psicológico. Existe uma vasta panóplia de psicofármacos para o tratamento da depressão, com diversos mecanismos de ação e de efeitos secundários, que permitem ao médico adaptar a medicação ao perfil particular de cada paciente. É fundamental que o doente respeite escrupulosamente a prescrição médica, no que concerne à regularidade e horário das tomas, bem como às doses aconselhadas. Estes fármacos não induzem dependência, embora estejam frequentemente associados a alguns efeitos secundários. O paciente também deverá ser informado que a duração do tratamento da depressão, em regra, não deverá ser inferior a 12 meses. O modelo psicológico prende-se fundamentalmente com a orientação do paciente para tratamentos de psicoterapia, que exigem técnicos com formação especializada.

Artur Pinhão, psiquiatra do Hospital CUF Viseu





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