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Dia Mundial da Contraceção

Edição de 27 de setembro de 2019
28-09-2019
 

No passado dia 26 de setembro celebrou-se o Dia Mundial da Contraceção e esta é uma excelente oportunidade para abordarmos este tema sempre atual. A sexualidade é uma importante componente das nossas relações e para que seja vivida de forma saudável e segura surge a necessidade de recorrer a métodos de contraceção. Estes permitem prevenir gravidezes indesejadas, adiar ou espaçar as planeadas e ainda proteger contra as Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Atualmente dispomos de diferentes tipos de contraceção sendo que o método eleito deve ter sempre em conta aspetos médicos e a preferência individual de cada utente. A mulher pode optar pela contraceção hormonal oral e neste caso existem dois tipos: as pílulas combinadas de estrogénio e progesterona, que são as mais utilizadas, e as pílulas apenas com progesterona, usadas maioritariamente por mulheres a amamentar, pois são as únicas seguras para o bebé. Ambas exigem o empenho da mulher no cumprimento da toma diária. Como alternativa existe o adesivo (sistema transdérmico) que liberta hormonas ao ser colocado na pele e que tem de ser trocado semanalmente; o anel vaginal, que deve ser colocado profundamente na vagina durante 3 semanas e o injetável progestativo cujo efeito contracetivo se prolonga por 3 meses.

A contraceção de longa duração, cada vez mais utilizada, inclui o implante que confere proteção por 3 anos, o SIU hormonal (Sistema Intra-Uterino) e o DIU de Cobre (Dispositivo Intra-Uterino), vantajosos para quem procura uma alternativa à pílula e pretende uma proteção eficaz e prolongada (3 a 5 anos), com poucos efeitos secundários. O preservativo masculino surge como o método mais utilizado em todo o mundo e o único que previne as IST. Tanto este como o preservativo feminino não impedem a vivência do prazer sexual e contribuem para a dupla proteção. Quanto à contraceção de emergência, importa salientar a necessidade de debater esta opção com o profissional de saúde. A toma da chamada “pílula do dia seguinte” pode ser feita até 5 dias após a relação sexual não protegida.

Atualmente, o utente tem acesso à consulta de Planeamento Familiar, isenta de taxas moderadoras, cujo objetivo é promover a vivência saudável da sexualidade. De modo a garantir a equidade no acesso aos meios contracetivos, ocorre a distribuição gratuita dos mesmos em instituições do SNS, nomeadamente nos centros de saúde. Os/as utentes poderão ter acesso a preservativos e contracetivos orais gratuitos e até solicitar contraceção de emergência.

No que diz respeito ao tema “contraceção” ainda é importante quebrar alguns mitos e debater alguns factos. Ao contrário do que se possa pensar, a toma contínua da pílula não altera a fertilidade da mulher, e desta forma não há vantagem nenhuma em fazer paragens periódicas; o tromboembolismo venoso é um efeito secundário raro da pílula, que não merece alarmismos; e alguns antibióticos, tal como outros fármacos, podem efetivamente interagir com algumas pílulas, sendo aconselhada a associação de outro método contracetivo durante a toma do antibiótico e 7 dias após o fim do tratamento. Quanto ao anel vaginal, sempre que este tiver sido expulso da vagina ou tiver sido retirado pela mulher, deve ser recolocado dentro de 3 horas, após ser lavado com água tépida. O DIU e o SIU também geram alguma controvérsia, pois há a ideia de que apenas devem ser utilizados por mulheres mais velhas e com filhos. A fertilidade pós DIU ou SIU é imediata e por isso são também uma opção para mulheres jovens. A sua colocação inicial no útero não é dolorosa, é feita numa consulta de rotina, sem anestesia e apenas provoca um pequeno desconforto. São métodos que não levam ao aumento de peso, e no caso do SIU mesmo que ele se desloque continua a ser eficaz, só tem de estar colocado dentro do útero (o mesmo não acontece com o DIU).

O fluxo menstrual pode ser afetado pelo recurso a estes dispositivos, e a total ausência de hemorragia que acontece com o SIU, por exemplo, não deve ser motivo para preocupação. Relativamente à “pílula do dia seguinte”, importa esclarecer que não é abortiva, apenas retarda ou evita a ovulação, ou seja, evita o encontro do óvulo com os espermatozoides e assim a fecundação. No caso de a ovulação já ter ocorrido, esta não funcionará e se a mulher já estiver grávida não interrompe a gravidez. É errado pensar que a contraceção de emergência só deve ser usada em casos excecionais e como último recurso. A verdade é que deve ser tomada sempre que a mulher considerar que incorre em risco de gravidez não desejada.

Fazer tomas repetidas deste método contracetivo não tem impacto significativo na saúde da mulher, mas significa que esta não está a utilizar um método regular adequado para si, e por isso deve rever essa situação junto do médico. Quando há esquecimento da toma da pílula e por isso se recorre à “pílula do dia seguinte”, o método anterior deve ser retomado normalmente, tendo o cuidado de usar preservativo durante os 7 primeiros dias. A dupla proteção é fundamental em qualquer circunstância, uma vez que só incluindo o preservativo na relação sexual se garante a prevenção das IST.

Por fim, é importante realçar a relevância da contraceção como um instrumento no planeamento da vida pessoal e na manutenção da saúde individual. Para que se esclareçam as dúvidas é fundamental que o utente procure o aconselhamento médico e farmacêutico e desta forma viverá a sua vida sexual em pleno, sem surpresas nem constrangimentos desnecessários! 

Patrícia Garcez, farmacêutica na Farmácia Grão Vasco





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