A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Doenças digestivas: prevenir é fundamental!

Edição de 31 de maio de 2019
02-06-2019
 
  1. Dentro das doenças digestivas, os cancros digestivos são os mais assustadores. Que tipos existem e porque ainda são tão mortais?

Em Portugal, os cancros digestivos estão entre os tipos de cancro mais frequentes, sendo os mais prevalentes o colorretal e o do estômago.    

O cancro colorretal é o mais frequente com 7.129 novos casos por ano e o mais mortal considerando os dois sexos. O cancro do estômago é responsável pela morte de mais de seis pessoas por dia em Portugal. Um dos fatores de risco desta doença é a infeção pela bactéria Helicobacter pylori.

  1. Quais os principais sinais de alarme a que devemos estar atentos? Quando devemos procurar o médico? 

Prevenção e mais informação são as melhores armas para evitar uma doença que nem sempre é silenciosa. Esteja atento: perda de peso e de apetite, fadiga, alterações do trânsito intestinal, perda de sangue nas fezes, fezes brancas e urina escura, tosse que não cede e dor abdominal e pélvica, são alguns dos sinais de alerta que não deve ignorar.

  1. Como podemos prevenir o seu aparecimento?

Muitos dos fatores de risco desta doença estão associados ao estilo de vida "ocidental" caraterizado por uma dieta desequilibrada, pelo sedentarismo e pelo consumo de álcool e de tabaco. As mudanças nos hábitos alimentares, sobretudo a partir do início dos anos 80, são apontadas como uma das razões para o aumento da prevalência deste tipo de cancro.

A prevenção dos cancros digestivos (esófago, estômago, colorretal, fígado, vias biliares e pâncreas) passa pela educação cívica e alimentar da população para eliminação de alguns fatores de risco comuns.

Entre os fatores de risco mais comuns encontramos a idade, em que 90% dos casos são diagnosticados em indivíduos com mais de 50 anos. Outros fatores de risco a ter em conta são a Doença Inflamatória Intestinal, como a Colite Ulcerosa e a Doença de Crohn, e história familiar de cancro colorretal e gástrico, sobretudo em familiares de 1º grau e/ou idades de diagnóstico jovens (<50 anos).

  1. Que exames devem ser feitos para rastrear as doenças digestivas oncológicas?

É de salientar a importância do rastreio do cancro do cólon e reto na deteção precoce de lesões tumorais bem como de lesões precursoras através da pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) ou através de exames complementares de diagnóstico como a colonoscopia.

Muito se tem falado sobre o rastreio do cancro gástrico e a sua implementação. Penso ser urgente obtermos consenso dentro da comunidade científica para que possa ser organizado uma campanha de rastreio de base populacional.

  1. Que conselhos deixa aos leitores para prevenir as doenças digestivas?

Em alguns tipos de cancro digestivo, como é o caso do cancro do cólon e reto, a prevenção através da colonoscopia pode permitir a deteção de lesões benignas (pólipos), que podem degenerar em 90-95% dos cancros e que, se forem diagnosticados nessa fase, ainda benigna e retiradas endoscopicamente, podem significar a cura da doença. De facto, o rastreio por colonoscopia total diminui o risco de morte por cancro do cólon e reto em 30 a 50%;

Esteja atento aos sinais de alarme. Faça consultas regulares no seu médico de família. Não menospreze sinais e sintomas principalmente se se encontrar em alguns dos grupos de risco.

Nuno Bonito, oncologista do Hospital CUF Viseu





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT