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Dor miofascial: a importância de diagnosticar e tratar as dores musculares

Edição de 3 de maio de 2019
05-05-2019
 

O que é?

O síndrome de dor miofascial é uma causa de dor de origem muscular e com carácter regional, ou seja, está habitualmente restrita a uma região anatómica. Nela encontram-se pequenos “nódulos”, normalmente inseridos numa zona de contratura muscular, designados por pontos-gatilho, cuja palpação origina o padrão característico de dor nesse local ou irradiada (dor que se propaga à distância). Pode ocorrer isoladamente ou associada a outras doenças, pelo que uma avaliação diagnóstica adequada é importante para determinar a origem e orientar o tratamento da forma mais adequada.

Quais os principais sintomas?

O sintoma mais frequente é a dor local no território muscular envolvido, embora também seja possível a dor irradiar para outras regiões corporais adjacentes. A dor é normalmente descrita como “profunda”, embora possa assumir outras características como “ardor” ou “picada”. Habitualmente a região afetada é dolorosa à palpação, sendo também frequente a sensação de “rigidez” ou “contractura”. A dor pode ainda ser acompanhada no mesmo local por sensações como “formigueiro” ou “dormência” e também por alterações transitórias da coloração e temperatura da pele.

E as suas causas?

Normalmente existem diversos fatores a contribuir para a dor miofascial. É frequente uma história de trauma agudo, microtraumas repetidos (por exemplo, por movimentos repetitivos no trabalho) ou erros posturais relacionados com estilos de vida mais sedentários. Existem ainda outros fatores que poderão ajudar a agravar ou perpetuar os sintomas, como o stress. Neste sentido, a avaliação dos hábitos de trabalho e lazer, os padrões de movimento mais frequentes e o bem estar físico e psicológico são importantes para tentar perceber eventuais erros que deverão ser corrigidos.

Há que relembrar também a existência de múltiplas doenças, relacionadas com diferentes órgãos e sistemas, que podem mimetizar ou contribuir para a dor miofascial e se não forem identificadas impedem uma resolução adequada do problema.

Como se trata?

Tal como referido anteriormente, a identificação da causa subjacente é essencial para um tratamento eficaz e é geralmente necessária algum tipo de modificação de hábitos ou estilo de vida. No entanto, existem diversas técnicas que poderão ser úteis para alívio dos sintomas. Esquemas de exercícios de alongamento realizados de forma lenta e sustentada são úteis para normalizar a mobilidade da região afetada, sendo também vantajoso a adesão a programas de exercício em pessoas mais sedentárias. A massagem e outras terapias manuais são frequentemente utilizadas com bom resultado no alívio da dor, assim como a estimulação elétrica transcutânea. Existem também técnicas um pouco mais invasivas que envolvem a punção dos pontos gatilho com agulhas finas (punção seca) ou injeção local de diferentes medicamentos. Finalmente existem diversas classes de medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares que poderão ajudar a minorar alguns dos sintomas, em complemento com outros tratamentos ou intervenções.

Tiago Félix, especialista de medicina física e de reabilitação do Hospital CUF Viseu





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