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Fraturas do fémur proximal: um problema de todos

Edição de 1 de fevereiro de 2019
03-02-2019
 

Todos nós conhecemos alguém que já sofreu uma fratura “do colo do fémur”. Seja um familiar, um amigo, um vizinho ou um simples conhecido. Este facto leva a que muitos de nós tenhamos, também, uma noção, maior ou menor, dos problemas que estas fraturas acarretam. O que não existe, na sociedade em geral, é a consciência para a dimensão global do problema das fraturas do fémur proximal.

As fraturas do fémur proximal (FFP) são, de forma simplista, as fraturas da parte superior do fémur. Ocorrem tipicamente no idoso como resultado de uma simples queda. Além da saúde fragilizada no geral, os idosos têm também ossos mais frágeis devido à alta incidência de osteoporose.

Prevê-se que, a nível mundial, ocorram 2.6 milhões de casos em 2020 e 4.5 milhões em 2050. Após a fratura, 25% dos doentes morre ao fim de 1 ano, 30% ficam com incapacidade grave, 40% deixam de caminhar de forma autónoma e 80% ficam com algum grau de incapacidade para as atividades quotidianas. Apenas 15% recuperam a saúde e qualidade de vida que tinham previamente à fratura. A mortalidade e as sequelas da fratura implicam dor, sofrimento e custos sociais importantes para as famílias.

Em Portugal a Direção Geral de Saúde estimou custos diretos de 52 milhões de euros em 2006.

O distrito de Viseu encontra-se particularmente em risco. Em 2016, o índice de envelhecimento era de 198%, superior em 31,2% à média nacional. Dos residentes com mais de 65 anos, 52,6% tem acima dos 75 anos. No Centro Hospita lar Tondela-Viseu, em média, todos os dias se opera pelo menos um doente com fratura do fémur proximal.

Face a este verdadeiro problema de saúde pública, torna-se fundamental tomar medidas, com o objetivo de diminuir o número de casos e melhorar o tratamento dos casos existentes.

A diminuição do número de fraturas do fémur proximal passa pela prevenção das quedas e pelo tratamento da osteoporose. Aqui os Cuidados de Saúde Primários, mais próximos da comunidade, têm um papel importante. O tratamento de doenças que aumentam o risco de quedas (visuais, auditivas, equilíbrio, neuropsiquiátricas); a formação dos idosos, familiares e cuidadores sobre os fatores de risco para queda no domicílio (piso escorregadio, calçado inadequado); o diagnóstico e o tratamento da osteoporose são medidas importantes.

Por outro lado, o Serviço Nacional de Saúde está atualmente a ser posto à prova pelo número e complexidade crescente de casos, pelo que importa tomar medidas que proporcionem uma resposta rápida e global a estes doentes.





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