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Frederico Correia, jornalista: Desmantelamento da imprensa regional

Edição de 6 de julho de 2018
10-07-2018
 

Nos últimos dias, tenho assistido ao rápido desmantelamento de um projecto digo, de uma ideia de coragem, de um canal muitas vezes elogiado.

Esqueçamos as cores clubísticas, pensemos apenas no Porto Canal que está à beira do fim, pelo menos como o conhecemos. Como diz o povo, está como há-de ir e nestas alturas não há orgulhos, porque todos havemos de ir um dia.

Começaram a sair muitos profissionais, entre eles amigos que o são há largos anos. São bons, fizeram um grande trabalho, dedicaram-se mais do que muitos seriam capazes até de simplesmente imaginar, quanto mais igualar.

Estão de saída. É o fim. E culpados há?! Sim e são muitos.

Quando, no longínquo ano de 2010, andei de terra em terra com o microfone do Porro Canal, senti em muito daquele povo o gosto e o agradecimento depois de uma “televisão” ali chegar. Agora tudo acabou, ou para lá caminha.

Mas opinião que é opinião tem um dedo apontado a alguém e neste caso é quase uma mão cheia.

Culpo os profissionais, porque jovens acreditaram que era possível, que podiam chegar longe, que podiam pensar em ter uma vida estável. Nada mais errado. Toma pontapé.

Culpo os autarcas, as “forças vivas” em que eles tantas vezes falam e que eu não sei o que são. Eles que nunca recusaram o palco que o Porto Canal lhes dava, mas que nunca comparticiparam, nunca pararam para pensar que qualquer projecto precisa de ser sustentável.

Que se contabilize agora os empregos que se perderam e o impacto disso em cada município.

Culpo o povo, que gostava, ria e saltava, mas deixou a caravana passar sem prestar atenção.

Culpo este e outros governos, esta e outras gerações. A morte de um Jornal, uma Rádio, um Canal regional é a morte do interior. Um poder sem escrutínio jornalístico é um povo acrítico. Um povo sem voz é uma democracia parada numa data qualquer... ninguém sabe qual, porque não estava lá o jornalista para assinalar o momento.

Culpo-me a mim, porque me preocupo com o próximo.





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