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Inovação na cirurgia ortopédica: a vantagem de "ver" o corpo através de uma câmara

Edição de 19 de abril de 2019
21-04-2019
 

Olhar as cavidades do corpo humano por meio de aparelhos, sem a necessidade de fazer uma incisão na pele, sempre foi um desejo dos cirurgiões. Vontade esta que já é possível concretizar através da Artroscopia. Hoje desmistificamos a Artroscopia ao joelho, uma abordagem cirúrgica inovadora para uma das zonas anatómicas mais intervencionadas pela Ortopedia.

Em que consiste a Artroscopia ao joelho?

A artroscopia é um procedimento cirúrgico no qual a articulação (artro-) é vista por dentro (-escopia), usando uma pequena câmara. Ela consegue dar ao cirurgião uma visão clara do interior da articulação, o que permite diagnosticar e tratar problemas do joelho. Durante este procedimento, o artroscópio é inserido na articulação por meio de um pequeno corte na pele (cerca de 5mm), chamado de portal. O equipamento é munido de uma fonte de luz e uma câmara de vídeo na sua ponta. Há também necessidade de sujeitar a articulação a uma distensão máxima, com uma solução salina em constante circulação, permitindo melhor visualização e maior espaço de trabalho. As imagens geradas pela câmara são vistas num monitor de vídeo. Os outros instrumentos cirúrgicos são inseridos na articulação por meio de novos portais, sendo o procedimento todo realizado com o cirurgião a olhar para o monitor. Ao contrário das cirurgias abertas, em que o médico precisa fazer um corte maior, a artroscopia geralmente é menos dolorosa, podendo a maior parte das vezes ser realizada em regime de ambulatório, e permite um tempo de recuperação bastante mais rápido.

Em que casos a cirurgia é necessária?

As indicações para a prática da cirurgia artroscópica estão hoje bem definidas. A sua utilização apre sent a-se-nos qu a se como técnica obrigatória nas situações de lesões dos meniscos, rotura dos ligamentos cruzado anterior ou posterior, fracturas condrais e osteocondrais, remoção de corpos livres intra-articulares, osteocondrite dissecante, doenças da cartilagem (condromalácia), quisto do menisco, osteocondromatose, sinovite vilonodular pigmentada, e na generalidade das situações indefinidas, que englobam o chamado joelho doloroso crónico, completando definitivamente toda a informação clínica e imagiológica.

Quais as funções fulcrais da artroscopia ao joelho?

A artroscopia tem na sua generalidade, pela rapidez de diagnóstico, praticamente sem riscos para o doente, um valor inegável, ultrapassando o que até ao momento temos à disposição. Por outro lado, com as práticas cirúrgicas que possibilita, permite-nos resolver problemas de forma rápida, com menor agressão para o doente, colocando-o com um restitutio ad integrum, e o regresso à sua actividade habitual, seja profissional, de lazer ou desportiva, em tempo bastante reduzido.

José António Gomes, ortopedista do Hospital CUF Viseu





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