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Lesões da anca na prática desportiva

Edição de 14 de dezembro de 2018
17-12-2018
 

As lesões da anca constituem cerca de 10 a 20% de todas as lesões desportivas, e estas, sob determinadas circunstâncias, podem evoluir para condições debilitantes no médio e longo prazo. A dor na anca relacionada com o desporto é habitualmente secundária a um evento traumático como uma queda ou um impacto.

Mas que fatores podem influenciar o aparecimento de lesões desportivas ao nível da anca?

Sabemos hoje que um aquecimento mal realizado ou inapropriado constitui um dos principais fatores de risco para o surgimento de lesões desportivas. Da mesma forma, uma progressão demasiado rápida do regime de treino, seja na alteração das condições de treino, no aumento da intensidade, da carga ou mesmo no excesso de impacto, propicia a lesão da articulação coxo-femoral. São ainda reconhecidos como fatores de risco significativos, a fraqueza dos músculos adutores da coxa e a existência de lesões prévias na região da anca. Outros fatores como a idade mais avançada, índice de massa corporal, arco de mobilidade da anca e o balanço muscular estão incluídos como atores de importância relativa no aparecimento de lesões.

Que desportos são mais suscetíveis de provocar lesões na anca? Porquê?

São os desportos coletivos que detêm o ônus de terem as maiores taxas de dor na anca, consequência das elevadas forças aplicadas. O futebol, o rugby ou o andebol, como desportos coletivos que exigem muito contacto físico, associado a demandas funcionais intensas, predispõem os atletas a diversas lesões músculo-tendinosas durante sua prática: desde distensões a estiramento e rotura musculares, contusões e até fraturas. No entanto, os desportos individuais não constituem uma “área de segurança” para evitar as lesões da anca. Os desportos de luta são um exemplo paradigmático: as contusões e as fraturas são lesões frequentes neste género de desporto. Outros exemplos são o levantamento de peso e a corrida. A corrida apresenta-se como um desporto com um número crescente de praticantes, sendo cada vez mais comum vermos praticantes desta atividade no consultório, sobretudo de pacientes que exercem a atividade de forma excessiva sem preparação prévia. As lesões decorrentes da prática de corrida são mais comuns em mulheres, sendo que 8% das queixas acometem o fémur.

Como são tratadas as lesões da anca?

O tratamento de lesões da anca é vasto e diversificado. É pertinente referir que sempre que as queixas persistem e/ou se fazem acompanhar de limitação funcional será necessária a observação em consulta médica, de forma a realizar um diagnóstico adequado e atempado. Muitas das lesões mais frequentes na prática desportiva, como as entorses, o estiramento musculo-tendinoso, a contusão, são geridas de forma eficaz com o repouso, medicação anti-inflamatória e retoma monitorizada da atividade física. O tratamento cirúrgico constitui-se como opção no caso de lesões refratárias, que não se resolvem com o tratamento, ou recidivantes, que voltam a aparecer após algum tempo. Por outro lado, a cirurgia pode apresentar-se como imperativa para o sucesso do tratamento, como é exemplo o caso das fraturas ou em casos específicos, como o conflito femoro-acetabular, condição em que a articulação da anca apresenta uma disrupção do seu formato esferoidal típico, promovendo contactos e pressões irregulares.

Como podem os desportistas prevenir estas lesões?

A prevenção das lesões da anca relacionadas com o exercício físico e o desporto passa por uma preparação adequada ao exercício. É essencial realizar um aquecimento e arrefecimento apropriado antes e depois do exercício. Os músculos da anca devem ser devidamente esticados e aquecidos, pois desta forma conseguimos promover um aumento da vascularização periférica e reduzir assim as lesões músculo-tendinosas. Adequar o volume, carga e intensidade de treino são também comportamentos fundamentais à prevenção. Medidas genéricas para a prevenção incluem ainda uma hidratação e nutrição adequada (é importante manter o corpo bem hidratado para sustentar uma função vascular e muscular efetiva durante os esforços físicos e ainda uma alimentação com níveis acomodados de cálcio e vitamina D), um peso corporal apropriado (de forma a reduzir a sobrecarga para a anca), uma correção postural e um tipo de calçado próprio para o exercício a realizar.





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