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O ambiente como sistema promotor de saúde

Edição de 30 de agosto de 2019
31-08-2019
 

Enquanto cidadãos e profissionais de saúde temos o dever de proteger o pla neta dos atentados que o assolam, pondo em causa a saúde, o bem-estar e o equilíbrio da “nossa” casa e de todos os habitantes que usufruem dos seus recursos: água, oxigénio e do alimento que a natureza gentilmente nos oferece.

O sentimento de impotência e de comodismo vai-se difundindo, porque parece pouco o que está ao nosso alcance. Diariamente vemos a propagação de fogos que devastam as florestas, aludindo em particular à floresta Amazónica tão importante para o equilíbrio do ecossistema, à destruição das casas e das vidas das pessoas e dos animais, ao lixo que é deitado ao chão, à reciclagem que não é devidamente realizada em nossas casas através da triagem dos lixos, às beatas dos cigarros que poluem a praia e chegam ao fundo dos oceanos. Vai-se falando do plástico e a pouco e pouco vão dando à costa animais mortos pelo consumo desta substância.

O termo “pegada ecológica” foi apresentado em 1990 num livro sobre a importância da sustentabilidade e permite mensurar as marcas que deixamos no planeta, como que de um rasto se tratasse. O cálculo da pegada ecológica tem em conta: o tamanho populacional, formas de consumo, tecnologias utilizadas e diferentes territórios produtivos no planeta. Quanto maior a industrialização, maior a pegada ecológica. Este cálculo permite sensibilizar a população acerca do impacto que o seu estilo de vida tem na sustentabilidade do ecossistema, incentivando a sua diminuição.

Na prática, o que estará ao nosso alcance para proteger esta casa que é de todos nós? Pequenos gestos podem fazer toda a diferença e minimizar a consequência da atividade humana, ficam algumas sugestões:

-O primeiro passo é recusar os artigos de plástico (os sacos, as embalagens, os copos plásticos, as palhinhas e os embrulhos). Ir alertando nos sítios públicos para a redução e substituição do consumo deste tipo de produtos.

-Podemos optar também por consumir maioritariamente alimentos não processados pela indústria, dando prioridade ao que não vem embalado;

-Uma vez por semana podemos substituir a carne por outra proteína de origem vegetal;

-Procurar outros meios de transporte alternativos ao carro, mesmo que seja (apenas) um dia por semana;

-Separar o lixo e colocar o mesmo nos contentores adequados;

A proposta é que deixemos de parte o desnecessário para dar lugar ao prioritário. Não basta procurarmos saúde somente quando a doença se instalou, saibamos promover a saúde através dos meios que estão ao nosso alcance. Em Portugal com a reforma dos Cuidados de Saúde Primários iniciou-se um nova era cujo centro se foca na promoção de estilos de vida saudáveis, através de campanhas de sensibilização e de atividades diversas na comunidade que visam a promoção de uma vida melhor e com mais qualidade. Um ambiente salutar é influenciador de uma vida em harmonia ao passo que se o ambiente for nefasto, dará lugar ao aparecimento de doenças, muitas delas para as quais ainda não se conhece tratamento, levando à morbilidade da população com agravamento na qualidade de vida e mortalidade precoce.

Cuidemos do que temos em prol das gerações que aí vêm, sob pena de dizimarmos completamente a nossa espécie e outras, que não sobreviverão sem os bens essenciais como a água e o oxigénio.

Está nas nossas mãos preservarmos esta Casa que é de todos nós, educando os nossos filhos no respeito pelo outro e pelo meio ambiente.

Marília Flora, enfermeira especialista em enfermagem de saúde infantil e pediatria da UCC Viseense





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