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O “desgoverno” do Governo no financiamento da Cultura!

Opinião
13-04-2018
 

A semana que passou foi marcada por diversas acções de luta, em várias cidades do país, de toda a comunidade artística que trabalha e promove a Cultura em Portugal. Gente que vive do que faz e faz viver e cujas palavras de ordem foram “CULTURA ACIMA DE ZERO”!

De acordo com o comunicado da Distrital do BEVIseu de dia 8 de Abril e, no que diz respeito ao Distrito de Viseu, os resultados provisórios do Concurso ao Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021, na área Cruzamentos Disciplinares, que atribuíram à candidatura do Centro de Artes do Espectáculo de Viseu, Associação Cultural e Pedagógica,“Teatro Viriato 2018-2021”, o 1º lugar a nível nacional na modalidade/área artística em que se enquadra, com uma proposta de financiamento de 306.240,00 € para 2018 e 337.919,99 € para cada um dos anos seguintes (2019 a 2021), o que equivale a uma redução, no ano de 2018, relativamente ao financiamento atribuído nos últimos 3 anos, desde 2015, de 93.260,00 € (23%).

A importância do Teatro Municipal de Viseu-Teatro Viriato na fruição cultural e na criação de públicos nas artes de palco (teatro, dança, música e novo circo), com o contributo do seu Serviço Educativo, traduz-se no crescente aumento do número de espectadores/as, ao ponto do seu enraizamento na comunidade se ter tornado num dos principais factores para se ter gosto de viver numa cidade do interior como Viseu. Tem tido ainda um papel de relevo no apoio a projectos artísticos, através de residências artísticas, e na disponibilização de espaço, equipamento e apoio técnico a projectos com a comunidade, como exemplo a peça “Tempostade”, encenada por Graeme Pulleyn, pela K Cena – Projecto Lusófono de Teatro Jovem, que estrou na 5ª feira.

De referir também, os cortes de 41% nos dois primeiros anos, nos apoios atribuídos à ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela, integrada pelo Trigo Limpo Teatro ACERT, colocando-a no último lugar das estruturas apoiadas. São 42 anos de trabalho artístico e de intervenção cultural comunitária, com três décadas de itinerância nacional e internacional, e a produção do Tom de Festa – Festival de Músicas do Mundo e o FINTA – Festival Internacional de Teatro ACERT, os inúmeros prémios e reconhecimentos públicos que recebeu tendo sido referenciada num estudo da Comunidade Europeia como exemplo europeu de “Boas Práticas Culturais Para a Promoção de um Melhor e Mais Amplo Acesso de Participação Cultural (2011-2014). Com um espaço cultural próprio, com 3 auditórios, sala de ensaios, estúdio, galeria de exposições, salas de produção, administrativas e oficina de construção de 375m2, a ACERT candidatou-se com uma equipa de 15 profissionais com contrato sem termo, e a programação de 317 actividades em 2018. Mais uma vez as gentes do interior a serem penalizadas.

É fundamental o mínimo de 1% do Orçamento do Estado para a Cultura, já em 2019.

Continua a ser preciso “vir para a rua e gritar” !





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