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O meu filho ouve bem?

Edição de 20 de setembro de 2019
22-09-2019
 

Neste início de novo ano escolar aumenta a preocupação se o nosso filho ouve bem. Sou da opinião de que deveria existir uma consulta pré-escolar para termos a certeza que a criança que entra na escola está a ouvir bem. Esta consulta de Otorrinolaringologia, aos 5 anos de idade, deveria estar institucionalizada. Na verdade, há situações de défice na aprendizagem escolar que não são mais do que défices da audição.

Quais os principais sinais de alerta?

Recuando agora para idades mais tenras e, como tal mais difíceis de descartar a surdez pelos pais, há sinais que nos devem alertar. Por exemplo, se a criança sente necessidade de assistir a programas televisivos com o volume demasiado alto, se não mostra reflexos quando algum objeto cai e produz estrondo, se não manifesta interesse ou medo quando está próxima de sirenes de bombeiros e veículos de emergência, ou se solicita para repetirmos o que lhe dizemos com “O quê?” “Hã?”.
A principal dúvida surge com o atraso no desenvolv imento da ling uagem. Antes de iniciar a terapia da fala, muito útil como complemento e bons resultados, há que esclarecer se a causa não será um défice auditivo.

As otites podem ser uma preocupação?

Devemos estar atentos quando o nosso filho refere ter dores (por vezes ligeiras) nos ouvidos. A otite serosa é a causa frequente de otalgia (dor de ouvidos), que passa espontaneamente ou com a simples toma de anti-inflamatório, usualmente ibuprofeno. No entanto, essa dor ligeira pode esconder uma surdez, por vezes importante, mas solucionável. Nos casos de otites médias agudas (dor acentuada com choro, febre ou saída de pús) de repetição, deveremos estar atentos pois por vezes nos espaços de tempo entre crises a criança pode manter uma otite serosa (líquido dentro ouvido) que provoca surdez e pode ser a origem de nova otite média aguda no futuro.

O meu filho tem dificuldade em relacionar-se e fazer parte de um grupo de amigos, a audição pode ser a causa?

Devemos estar atentos ao comportamento algo estranho do nosso filho, no seu isolamento e na dificuldade no relacionamento, uma vez que poderá ultrapassar a fronteira da audição, podendo entrar no campo do entendimento do que ouve. Para tal temos, antes de mais, de ter a certeza que a audição não é a causa disso. Felizmente, os casos de surdez severa ou profunda são, habitualmente, descobertos nos testes realizados ainda na maternidade e implicam um acompanhamento obrigatório e permanente da sua evolução. Casos de igual gravidade poderão surgir em doenças como a meningite, em que os profissionais de saúde acompanham com atenção redobrada. A avaliação da audição pode ser feita desde nascença.

Na dúvida, recorra ao médico otorrinolaringologista.

Marques dos Santos, otorrinolaringologia do Hospital CUF Viseu





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