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Os que dizem e os que fazem

12-11-2019
 

Artigo de opinião publicado na edição impressa de 1 de novembro de 2019

O concelho de Viseu é sustentável energeticamente. Esta é seguramente uma boa notícia para a cidade e também um exemplo para o país. Conjugando biomassa, mini-hídrica e central fotovoltaica, toda a energia produzida, que aliás é excedente, provém de fontes limpas.

A evolução para uma energia ‘verde’ foi feita sem grandes proclamações nem bandeiras. Fosse noutro concelho, com outros protagonistas, e metade disto bastaria para se declararem os mais ecológicos e vanguardistas do mundo. Feito numa cidade do interior, ainda que a maior cidade do interior de Portugal, parece algo sem importância e sem direito a menção especial nos noticiários. Menos ainda será a substituição de todas as luzes por LED e o facto de as plantas que ornamentam as artérias principais da cidade precisaram de muito menos (ou nenhuma) água. Sem mencionar os anúncios que, nesta matéria, ainda estão por vir.

Um dos males do centralismo de Lisboa reside neste silêncio sobre boas práticas do interior. Lisboa é a medida de todas as coisas. Se tem turistas a mais é porque há turistas a mais no país; se tem habitação cara, é porque a habitação é muito cara em Portugal; se tem o trânsito prejudicado pela existência de tuk-tuks ou de veículos da Uber há que fazer legislação urgente sobre o assunto. O resto do país, ao qual alguns ou todos estes problemas não dizem respeito, não só não tem direito à satisfação de necessidades básicas, como por muito que faça bem feito o seu papel, é atirado para o esquecimento geral.

Registo sempre que os lisboetas ao visitar Viseu voltam espantados com o que lá viram. E quem diz Viseu diz muitas outras cidades e vilas, de Chaves a Moura, de Mértola a Bragança. Essa espécie de oblívio – ou esquecimento a que se é votado – é uma das causas da desigualdade territorial e da iniquidade de recursos empregues. Por ser em Lisboa que estão os media principais; por ser em Lisboa que se concentram os votos decisivos. Depois, há o Porto, e a se a estes dois distritos somarmos os de Braga e Aveiro temos uma larga maioria no Parlamento. O interior vai perdendo eleitores e deputados, mas não vai perdendo as práticas e as ações que deveriam ser exemplo para o país. Olhem mais para aqui, para nós… Podemos ser exemplo de muitas coisas que se fazem em Lisboa, na faixa litoral, sempre com grandes anúncios e reportagens mediáticas.

A sobriedade de quem faz, versus a propaganda de quem anuncia, terá de ser recompensada.





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