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Piolhos

Edição de 30 de agosto de 2019
01-09-2019
 

Pediculose capilar é uma parasitose presente a nível mundial, provocada pelo Pediculus humanos capitis, vulgarmente conhecido como piolho. É, também, considerada um problema de saúde pública, independentemente da idade, sexo, ou estrato social.

O piolho completa o seu ciclo de vida quando fica alojado num hospedeiro, o Homem.  O adulto fêmea deposita os seus ovos, também conhecidos por lêndeas, o mais próximo possível do couro cabeludo, onde a temperatura é superior e ajuda o processo de incubação. Passados 8-10 dias, os ovos eclodem. O piolho jovem demora cerca de 7-10 dias a atingir a fase adulta e reproduzir novas lêndeas. A vida média de um piolho é de aproximadamente 30 dias e um piolho fêmea pode colocar entre 80 e 100 ovos nesse período de tempo.

Os piolhos alimentam-se de sangue no couro cabeludo, a cada 4 horas e durante este processo é depositada uma substância presente na saliva do piolho que dá origem a irritações, prurido e desconforto. Como mecanismo de resposta a este desconforto, há tendência para coçar a zona afetada, causando feridas que em casos mais graves podem resultar em infeções bacterianas. Nestes casos, o uso de antibióticos será uma solução terapêutica.

Estes parasitas não saltam, nem voam, por isso a transmissão é feita exclusivamente por contacto direto. Fora do seu hospedeiro, apenas conseguem sobreviver durante 48 a 52 horas.

O diagnóstico deste ectoparasita adulto é dificultado devido à sua morfologia, semelhante a sementes de sésamo. As lêndeas são comparadas a sementes de papoila e localizam-se sobretudo atrás das orelhas ou na zona posterior da cabeça, muitas vezes confundidos com caspa.

O controlo da pediculose exige inspeção regular do couro cabeludo de todo o agregado familiar, higienização de potenciais objetos contaminados, como por exemplo, estofos dos sofás e dos cadeirões, mantas, almofadas, roupa de cama e banho, entre outros, e ainda o tratamento farmacológico específico. Recomenda-se ainda um comportamento proactivo na prevenção da pediculose, para tal é aconselhado proteger o couro cabeludo com uma barreira à base de óleos essenciais.

A farmácia tem um papel ativo no controlo desta parasitose. Aconselhe-se com o seu farmacêutico e cumpra todos os passos que lhe foram recomendados. As opções de mercado apresentam-se na forma de loção, espuma, spray ou shampoo e devem ser aplicadas por todo o couro cabeludo seco. O piolho apresenta um mecanismo de defesa e resistência contra a água, pelo que é importante não molhar a cabeça. O produto deverá atuar durante os minutos descritos na embalagem. Em seguida, divide-se o cabelo em secções e penteia-se cuidadosamente, só no final se enxagua. É importante limpar o pente entre cada passagem.

Para garantir maior eficácia e prevenção na reinfestação, recomenda-se repetir o tratamento 7 a 8 dias depois da primeira utilização, a fim de eliminar os piolhos que, entretanto, terão eclodido. Após cada aplicação, é preciso fazer uma inspeção atenta ao couro cabeludo.  Este tratamento pode ser utilizado com toda a segurança a partir do primeiro ano de idade. Se houver infestação por piolhos antes do primeiro ano de vida, os pais deverão consultar o médico de família ou o pediatra.

Os piolhos não escolhem cabeças, o importante é saber reconhecer o problema e aconselhar-se com o seu farmacêutico! 

Cláudia Carvalho, farmacêutica na Farmácia Grão Vasco





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