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Trombose venosa profunda e embolismo pulmonar

Edição de 8 de fevereiro de 2019
10-02-2019
 

O sangue circula num circuito fechado funcionando o coração como uma bomba propulsora que leva o sangue aos tecidos e órgãos através das artérias e voltando este de novo ao coração através das veias passando pelo pulmão, onde recebe novamente oxigénio.

Contudo, o retorno do sangue ao coração necessita da conjunção de dois fatores: a contração dos músculos da perna que impulsiona o sangue e a presença de válvulas dentro das veias que direcionam o sangue em direção ao coração.

O sistema venoso dos membros inferiores divide-se em superficial, por onde circula apenas 5 a 10% do total do sangue, e que é o local onde normalmente se originam as varizes, e o sistema venoso profundo onde circula uma grande quantidade de sangue (90 a 95% do total de sangue). É a nível do sistema venoso profundo que se originam as tromboses venosas profundas popularmente conhecidas como “flebites profundas”.

Sob determinadas circunstâncias formam-se pequenos trombos junto das válvulas que vão crescendo e obstruindo progressivamente as veias. A gravidade do trombo é tanto maior quanto maior for o tamanho do trombo, já que este pode fragmentar-se e libertar-se circulando livremente pelas veias em direção ao pulmão, onde vai originar uma embolia pulmonar.

Que situações aumentam o risco de uma trombose venosa?

De um ponto de vista mais pormenorizado, as situações que aumentam o risco de ter uma trombose venosa, são além da idade avançada, aquelas em que existe uma estagnação do sangue a nível das veias dos membros inferiores, o que acontece quando estamos acamados, após a realização de cirurgias ou quando fazemos viagens de avião longas.

As alterações da coagulação sanguínea que aumentam o risco de trombose venosa, podem ser hereditárias e neste caso pode haver vários elementos na família que tiveram tromboses venosas, ou então adquiridas como acontece com doentes com tumores malignos que produzem substâncias procoagulantes que entram na circulação venosa. Os tumores que mais frequentemente estão associados a trombose venosa são os do pulmão, estômago e pâncreas.

Como se manifesta clinicamente a trombose venosa?

Se existe a formação de um trombo numa veia (em 80% dos casos é numa veia do membro inferior) há um processo inflamatório associado que vai condicionar dor sobre esse trajeto venoso, e associadamente a obstrução que o trombo provoca à passagem do sangue vai levar a um aumento de volume da área que fica distalmente à área obstruída.

O diagnóstico de uma trombose venosa baseia-se na suspeita clínica e na confirmação obrigatória com a realização de um ecodoppler venoso.

Após termos a confirmação imagiológica do diagnóstico, o doente deve iniciar de imediato a terapêutica. Quanto mais rápido for iniciado tratamento, menor será o risco de ocorrer uma embolia pulmonar e o desenvolvimento mais tarde de uma síndrome pós trombótico. Em caso de doentes idosos com o diagnóstico de trombose venosa deve ser sempre pesquisada a possibilidade de existir um tumor, e nos doentes jovens sem causa etiológica aparente deve ser pesquisada a possibilidade de existir uma trombofilia associada. Assim na presença de fator de risco de trombose venosa e dor sobre trajeto de uma veia ou edema de membro, pense na possibilidade de ter uma trombose venosa e recorra ao seu médico para que ele a possa confirmar, e iniciar de imediato o tratamento hipocoagulante.

Para evitar o desenvolvimento de trombose venosa nos membros inferiores, evite estar longos períodos de pé ou alectuado, movimente os pés regularmente com flexão e extensão. Em caso de situação de risco, contacte o seu médico e use uma meia elástica ou faça profilaxia medicamentosa.

Rui Machado, cirurgião vascular do Hospital CUF Viseu





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