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Cinfães: A festa voltou a Pias... 31 anos depois

Edição de 17 de agosto de 2018
17-08-2018
 

Começou com uma brincadeira. Com um grupo de amigos a juntar-se e a decidir que era preciso fazer alguma coisa para dar vida à aldeia de Pias, no concelho de Cinfães. Inicialmente organizaram a festa de passagem de ano, depois umas brincadeiras de carnaval e acabaram a fazer renascer uma festa recheada de tradições.

Trinta e um anos depois a festa em honra da Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus está de volta, e para ficar. O grupo de 11 amigos, e mais uns tantos que se juntaram para ajudar, garante que no próximo ano a iniciativa se vai repetir. “Agora vamos parar um ou dois meses e depois vamos começar logo a preparar a edição do próximo ano”, conta ao Jornal do Centro, Daniel Silveira, um dos membros da Comissão de Festas que fez renascer a romaria na aldeia, habitada por pouco mais de 80 pessoas.

O balanço dos três dias de festa (13, 14 e 15 de julho) é “positivo”, mas Daniel Silveira confessa que não foi fácil, até porque foi tudo feito um pouco à pressa. “Um evento como este leva algum tempo e só começámos em fevereiro/março. Não é fácil organizar, sobretudo pela questão financeira, mas no fim acabou por ser uma verdadeira festa”, conta. Foram os peditórios “porta-a-porta”, os leilões, “e o muito trabalho” do grupo de jovens que permitiu que a festa “tivesse corrido bem”, admite. No início houve, até, quem não acreditasse que, 31 anos depois, o certame se realiza-se. “Houve um impasse... Será que vai? Será que não? Ainda por cima era um grupo muito jovem. Mas depois quando começaram a ver o peditório e os cartazes, as pessoas começaram a acreditar”, explica.

Festa à moda antiga

Em três dias de festa, houve direito a música e muitas atividades, mas o ponto alto foi no domingo, 15 de julho, com a procissão em honra da Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus. Uma procissão que fez lembrar os tempos antigos já que a organização quis recuperar a forma com ela era feita, precisamente há 31 anos. “São vários os pormenores que marcam a diferença, como a forma de vestir dos mordomos e de quem leva os andores. Este ano já conseguimos algumas parecenças com outros tempos, mas ainda não a 100 por cento. Vamos continuar a trabalhar para que na próxima edição seja ainda melhor”, assegura Daniel Silveira.

A procissão, que percorre as ruas da aldeia, é composta por quatro andores - Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus; Santo António; Santa Ana e Nossa Senhora do Outeiro - uma romaria por caminhos de calçada antiga e que devolve a Pias imagens de outros tempos.

Jovens são o futuro

Para Daniel Silveira, têm que ser os jovens a dar vida às aldeias, afirmando que o exemplo de Pias deveria servir para outros locais. “Os jovens têm um papel fundamental, são o futuro. Se não formos nós é difícil. Os mais velhos vão ajudando, mas já não têm a primeira iniciativa”, afirma. Segundo o mordomo, a ideia deste grupo de amigos foi recuperar tradições e tornar a aldeia mais dinâmica e apelativa para, quem sabe, voltar a ser a casa de muitos habitantes que um dia saíram para procurar um futuro em outros locais.





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