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Escolas querem mais turmas e mais dinheiro para o ensino articulado

Edição de 6 de setembro de 2019
07-09-2019
 

Na cidade de Viseu são quatro as entidades envolv idas no ensino articulado das artes: Escola E.B.2,3 Grão Vasco, Escola Secundário Emídio Navarro, Conservatório Regional de Música de Viseu Dr. José Azeredo Perdigão e Escola de Dança Lugar Presente. O ensino articulado é uma forma de frequentar o ensino da música ou dança, em que as entidades envolvidas se articulam para aliviar a carga horária do aluno e não duplicar disciplinas no regime regular. Assim, o aluno frequenta um plano de estudos especificamente adaptado à modalidade escolhida.

Na Escola Básica Grão Vasco, a diretora Inês Campos vê no ensino articulado uma forma de diversificar a oferta formativa. A escola conta com cerca de 150 alunos no ensino articulado da música e outros 47 no ensino da dança.

Para a diretora, “devemos dar a possibilidade dos alunos terem outras ofertas formativas que não as regulares”. Segundo Inês Campos, “os meninos do ensino articulado são ótimos alunos porque a música e a dança obrigam a uma grande concentração e resiliência o que possibilita que tenham bons resultados nas outras disciplinas mais gerais”.

José Rosa é o diretor da Escola Secundária Emídio Navarro que oferece o ensino articulado da música e da dança a cerca de 95 alunos entre o básico e o secundário. Em relação à sobrecarga horária, o diretor diz que “o ensino artístico da dança acaba por ter uma carga horária superior à da música mas tudo isso está legislado e tudo depende também do empenho de cada um”. “Os alunos da dança têm uma carga letiva maior, enquanto que na música a carga horária é muito semelhante à regular, mas também temos que ter em conta a prática do instrumento em casa”, sustenta.

O diretor afirma que muitos alunos seguem para os conservatórios de música ou dança para continuarem os seus estudos e muitos dos formandos ingressam nos corpos docentes das instituições onde estudaram (Conservatório e Lugar Presente).

José Carlos Sousa é diretor pedagógico do Conservatório de Música de Viseu que há mais de dez anos tem o ensino articulado a funcionar em parceria com as escolas do ensino regular. São mais de 300 alunos do quinto ao décimo segundo ano de escolaridade que frequentam a instituição. “Os alunos vêm ao conservatório ou o próprio conservatório vai às escolas, como por exemplo em Mangualde”, refere o diretor.

O objetivo é poder proporcionar um ensino de qualidade, direcionado para a música, para preparar os alunos que queiram seguir uma carreira nesta área. Para o diretor, o ensino articulado tem como mais valia a possibilidade de alunos que não podiam pagar propinas em escolas particulares poderem fazer de forma gratuita e seguir uma carreira, “o que é extraordinário”.

Quanto à evolução do ensino articulado, José Carlos Sousa diz que nos primeiros cinco anos houve um período de implementação e que agora já está numa fase estabilizada e que o futuro passa por mais escolas e mais turmas. “Era importante que as escolas tivessem um reforço de verbas para podermos abrir mais turmas. Podíamos também abrir o ensino articulado noutras escolas do distrito uma vez que que já nos contactaram de várias escolas”, exemplifica.

Ana Cristina Pereira é diretora pedagógica da escola de dança Lugar Presente. Na instituição que dirige são cerca de 150 alunos no ensino articulado e supletivo. A escola já apresenta esta oferta formativa desde o ano letivo de 2011-2012, mas segunda a diretora ainda há pessoas que não conhecem esta valência.

Os cursos são aprovados e financiados pelo Ministério da Educação no segundo e terceiro ciclo e secundário, mas o contrato não financia todos os alunos e alguns têm que pagar mensalidade. “Só um número limitado por turma está incluído e só os que têm as melhores notas são abrangidos pelo financiamento” esclarece.

Mais opções no distrito

O diretor pedagógico do Conservatório de Música e Artes do Dão, Mário Cruz, tem a seu cargo 240 alunos no ensino da música em articulação com os agrupamento de escolas de Santa Comba Dão, Tábua e Carregal do Sal. Por enquanto são apenas alunos do 5º ao 9º ano de escolaridade, mas segundo o diretor “estamos a batalhar para ter uma oferta formativa para os que queiram seguir o ensino da música no secundário”.

Mário Cruz diz que o ensino articulado da música já existe no conservatório desde 2008 e faz um balanço “muito positivo”. Para o diretor, permite dar aos alunos “o melhor dos dois mundos”.

Em Cinfães o ensino articulado da música existe nas três escolas do agrupamento, do quinto ao sétimo ano, numa parceria com a Academia de Música de Castelo de Paiva e a Academia das Artes de Cinfães. Manuel António Pereira, diretor do Agrupamento de Escolas, lembra que Cinfães “é um concelho onde a música tem um peso muito importante” e as famílias tudo fazem para que os seus filhos possam frequentar as academias. “Se os encarregados de educação valorizam essa formação a escola tem que adaptar-se a essa realidade”, conclui.





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