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Edição impressa: Misericórdia de Lamego reduz despesa para equilibrar contas

Edição de 29 de novembro de 2019
01-12-2019
 

A Santa Casa da Misericórdia de Lamego projeta baixar o défice da instituição em 30 por cento no próximo ano pela via dos cortes nos fornecimentos e serviços externos. A decisão faz parte do plano de atividades e do orçamento que foram aprovados e que prevê uma verba de dois milhões e 300 mil euros em receitas e dois milhões e 145 mil euros em despesas. A rubrica “custos com o pessoal” é a que, segundo o provedor Marques Luís, mantém um peso mais significativo.

O documento, salienta o provedor, apresenta várias medidas que visam a redução da despesa e o aumento da receita.

“A rubrica dos custos com o pessoal continuará a manter um peso significativo, nomeadamente com uma nova atualização do salário mínimo nacional. No próximo ano, esta instituição deverá assumir mais 46 mil euros de encargos com o aumento do salário mínimo. A atualização dos valores dos acordos que esta Misericórdia tem em vigor com a Segurança Social são insuficientes para cobrir a subida desta despesa”, alerta o provedor para quem tal política “só poderia conduzir à asfixia económica e financeira das IPSS que, como é óbvio, não podem refletir no preço dos serviços prestados o aumento dos encargos salariais”.

Para Marques Luís, a situação da Santa Casa da Misericórdia de Lamego é igual a muitas outras no país (um estudo aponta para 70 por cento das instituições em rutura financeira) e só há uma forma de “desatar o nó” para as instituições não “morrerem por asfixia” que é o Governo dar um maior apoio por parte da Segurança Social.

O subfinanciamento de algumas valências é, então, uma das razões que explica a existência de défice. Por isso, os cortes previstos na despesa vão incidir, em particular, na rubrica de fornecimentos e serviços externos e noutro conjunto alargado de despesas. “Procurar-se-á que estas diminuições correspondam a cortes estruturais e não apenas conjunturais”, garante Marques Luís.

Do lado da receita, está previsto um aumento de 140 mil euros devido, sobretudo, aos valores da comparticipação e subsídios à exploração explicados pelo novo acordo do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social  (SAAS). Dos 28 protocolos existentes no distrito para a promoção desta valência, apenas dois – Lamego e Viseu – deram origem a novos acordos, tendo as restantes sido encerradas. “Também contribuirá para o crescimento da receita, o incremento dos rendimentos provenientes da exploração da Quinta de Lobrigos, o que vem demonstrar a mais valia do investimento que vem sendo realizado”, salienta o responsável pela Misericórdia. Acresce ainda o crescimento da prestação de serviços referente às comparticipações dos utentes e o alargamento do número de utentes do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) e do Centro de Apoio ao Estudo.

A Misericórdia de Lamego aguarda que seja apresentado um plano de reajustamento económico-financeiro, baseado na auditoria que solicitou à União das Misericórdias Portuguesas. Logo que seja recebida, Marques Luís afirma que os seus resultados serão apresentados em Assembleia-Geral, “com vista à adoção de medidas para uma redução mais sustentada do défice de exploração”.

O próximo ano será marcado pelo encerramento do programa de comemorações do 500º aniversário da fundação da Santa Casa da Misericórdia e pelo início do funcionamento da nova ala do Lar de Idosos de Arneirós, o maior investimento feito na história desta instituição, segundo o provedor. “Um imperativo que há muito se impunha e que é necessário responder com o objetivo de preservar a visão, a missão e os valores da instituição”, afirma Marques Luís.





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