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Emissões de CO2 fazem tremer PSA

Edição de 21 de junho de 2019
21-06-2019
 

Pouco mais de meio ano depois de ter começado a produção dos novos modelos (K9) da terceira geração dos veículos comerciais Peugeot Partner e Citroën Berlingo, a fábrica de Mangualde do grupo PSA já produziu 47 mil viaturas.

Segundo a empresa, deste número, 66 por cento refere-se a veículos comerciais ligeiros e 34 por cento a veículos familiares. Noventa e dois por cento da produção foram destinados à exportação.

“França, Espanha, Portugal, Itália, Grã-Bretanha e Bélgica foram os principais mercados”, refere a administração da PSA Mangualde. Foi em novembro de 2018 que a produção dos novos modelos arrancou a cem por cento deixando para trás as “Partners” e “Berlingos” que vinham a ser produzidos desde há cerca de 20 anos.

O centro de produção disse ao Jornal do Centro que o K9 levou a um investimento por parte do grupo que rondou os 87 milhões de euros, acrescentando que “2019 é um ano de consolidação do novo modelo com uma produção prevista entre 77 mil e 78 mil viaturas”.

Comparando com 2018, o grupo PSA espera que a produção em Mangualde aumente, este ano, cerca de 23 por cento. A partir de outubro deste ano a PSA, em Mangualde começa também a produzir o novo Opel Combo nas variantes de comercial e de passageiros.

Comissão de trabalhadores “tranquila”

O início da produção dos novos modelos, no final do ano passado teve segundo a comissão de trabalhadores “um arranque tremido”. Uma situação que considera “normal” quando existem mudanças para um produto novo. “Essa mudança também coincidiu com a saída de algumas pessoas e a entrada de novos elementos, o que tornou a transição um pouco mais atribulada”, refere uma fonte acrescentando que de “todas as mudanças, esta foi a mais complicada”.

No entanto, “a situação foi ultrapassada” e nesta altura a produção decorre “sem sobressaltos e tranquila”. Sobre a terceira equipa, é “para continuar”. Uma garantia dada à comissão de trabalhadores pela Administração da Peugeot Citroen de Mangualde.

A mesma fonte adianta ainda ao Jornal do Centro que no início do ano foi entregue, à administração, um caderno reivindicativo sobre as condições sociais dos trabalhadores, mas até esta altura ainda não obtiveram qualquer feedback.

E o futuro?

Segundo a administração da fábrica de Mangualde, os volumes para 2020 vão depender das respostas dos mercados mediante “o contexto difícil que a indústria automóvel está a passar”, devido às exigências em relação às emissões de CO2. O Parlamento Europeu exige uma redução de 40% em 2030.

Os limites às emissões de CO2 na União Europeia são boas notícias para o ambiente, mas ameaçam a indústria europeia de automóveis e preocupam a PSA, cuja atividade pode estar em risco em Mangualde. Um alerta que já foi deixado por Carlos Tavares, que lidera, há seis anos, os destinos do grupo PSA. Ainda assim, o responsável garante que a unidade mangualdense “continua a progredir bem, como todas as unidades da PSA”. O grupo está a apostar em fábricas em Marrocos, no norte de África.

“Se a Europa Ocidental continuar a criar entraves ao desenvolvimento industrial haverá um momento em que eles terão efeitos visíveis”, refere Carlos Tavares. Já em fevereiro de 2018, o presidente do grupo PSA se mostrava apreensivo com o processo de eletrificação dos automóveis, que na sua opinião “pode colocar em risco a sobrevivência de empresas do sector”.

Nessa altura, Carlos Tavares, dizia que a urgência em mudar a forma de abastecimento era “uma exigência política de governos e não do setor automobilístico”.

Apesar das críticas, a PSA está a preparar modelos cem por cento elétricos e afirma que terá versões elétricas ou híbridas de toda a sua gama de produtos até 2025.





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