A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

O bordado secular ainda é o que era

Edição de 14 de junho de 2019
14-06-2019
 

Foi em 2016 que a comissão consultiva para a Certificação de Produções Artesanais Tradicionais deu parecer positivo ao pedido da autarquia mangualdense para o registo do bordado de Tibaldinho no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas. No entanto só em finais de 2017 é que a certificação ficou concluída. Os Bordados de Tibaldinho, antes conhecidos por Bordados de Alcafache, são uma arte considerada por muitos uma “jóia da coroa”, que é feita em Mangualde há mais de 200 anos, mas foi a partir dos anos 20 do século passado que ganhou mais relevo.

Com a certificação o produto tem tido, segundo a Câmara Municipal de Mangualde, um maior interesse por parte dos apreciadores, compradores e também de bordadeiras. “Antes da certificação tínhamos apenas uma bordadeira certificada e agora temos seis”, conta João Lopes, vereador da cultura, acrescentando que existem outras pessoas interessadas em seguir esta arte de forma certificada.

Atualmente, a autarquia mangualdense, em parceria com o Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE), tem vindo a promover ações de formação profissional em Tibaldinho, que abrangem mulheres de localidades vizinhas. É o caso do curso que começa esta sexta-feira (14 de junho) e que decorre até dia 28 de junho, na sede da Sociedade da Banda Filarmónica de Tibaldinho. Uma das formadoras e bordadeiras certificadas mais antigas, há cerca de 15 anos, é Cidália Rodrigues que há mais de 50 anos experimentou bordar, era ainda criança. Desde essa altura que a sua vida é dedicada ao Bordado de Tibaldinho e assim pretende continuar “até conseguir ver e ter mãozinhas”.

Ao Jornal do Centro disse que a certificação é sinónimo de “boa qualidade” e que desde esse passo a arte tem sido mais valorizada. Isso vê-se nas diversas encomendas que recebe de todo o país e do estrangeiro. Todos os dias mostra a arte do bordado no “atelier” que está de portas abertas na aldeia de Tibaldinho e onde recebe muitos dos interessados em conhecer o seu trabalho e de outras bordadeiras locais. Cidália Rodrigues diz que se trata de um bordado que “demora muito a fazer e é muito difícil de aprender” e só quem se dedica com empenho consegue “ao fim de dois ou três anos” viver daquela arte.

A formadora e bordadeira mostra-se confiante quanto ao futuro do Bordado de Tibaldinho, uma vez que a área de certificação que estende, para além do concelho de Mangualde, também aos concelhos de Nelas e Viseu. “Se a certificação fosse apenas para o nosso concelho ou aldeia a arte acabava por desaparecer”, lamenta acrescentando que as pessoas não conseguem dedicar-se exclusivamente ao bordado.

Exposição em Paris

Com o objetivo de mostrar aos parisienses “o melhor artesanato” feito no concelho de Mangualde, a Câmara Municipal está em negociações com o consulado de Paris para a organização de uma exposição naquela cidade.

É intenção do município mangualdense reunir trabalhos das diversas áreas, como cerâmica, vitrais, tapeçaria, bordados, entre outras, numa mostra prevista para o próximo ano e dessa forma atrair possíveis novos apreciadores e compradores. “O nosso objetivo não é fazer uma exposição em Paris para os emigrantes mas sim para os franceses”, explica o vereador.

Alguns produtos certificados no distrito de Viseu

ARTESANATO:

-Bordado de Tibaldinho

-Junça de Penedono

-Louça preta de Molelos (para restaurantes)

GASTRONOMIA:

-Maçã Bravo de Esmolfe

-Maçã da Beira Alta

-Queijo Serra da Estrela

-Requeijão Serra da Estrela

-Borrego Serra da Estrela

-Folar de Vouzela

-Pastéis de Vouzela

-Tortas de Nandufe





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT