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Real Mosteiro de Santa Maria vai ser requalificado

Edição de 2 de agosto de 2019
04-08-2019
 

O protocolo entre a família proprietária do Mosteiro secular e as duas entidades envolvidas - a Câmara Municipal de Mangualde e a Direção Regional de Cultura do Centro - foi já assinado a pensar na intervenção relativa à cobertura do edifício. Uma obra cujo orçamento ronda os 500 mil euros, sendo que 85 por cento são comparticipados pelo Programa Operacional do Centro 2020.

Na década de 1960, a propriedade foi adquirida, em leilão, pela família Jorge Ferreira, de Pombal. À época, o monumento mandado construir por D. Soeiro Teodoniz que pertenceu inicialmente à Ordem Beneditina para depois ingressar na de Cister, já se encontrava sem recheio, revestimento ou ornamentos, como retábulos, altares e imagens, que nos anos anteriores tinham sido vendidos pelos anteriores proprietários, devido a dívidas de jogo. Joana Horster, uma das atuais proprietárias, disse ao Jornal do Centro, que quando a família comprou o Mosteiro “ já estava muito degradado e sem telhado”.

“A primeira coisa que o meu avô fez foi telhar completamente o convento, recorrendo a telha antiga para manter um aspeto mais autêntico”, conta acrescentando que com o passar dos anos, a cobertura foi-se deteriorando apesar da manutenção que a família ia fazendo.

Com a designação de Monumento Nacional desde fevereiro de 2002, no âmbito de uma candidatura apresentada pela Associação Cultural Azurara da Beira, o Mosteiro passou a estar inserido em zona de interesse paisagístico e a partir dessa altura a família proprietária deixou de poder fazer qualquer tipo de manutenção. “Foi um passo para a degradação se agravar porque ficámos de mãos atadas”, explica Joana Horster. Ao longo dos anos “fizemos vários apelos às entidades competentes mas nada acontecia”.

O espaço que era aberto a visitas acabou por fechar portas devido ao avançado estado de degradação, que “podia colocar em risco as pessoas”. Depois de muitos anos de luta pela conservação do edifício, a representante da família congratula-se pelo passo agora dado para o início das obras, agradecendo o “papel crucial da autarquia de Mangualde junto do Estado”. “O Mosteiro não vai ser todo remodelado porque não há dinheiro para isso mas vai ser recuperada a cobertura da igreja e a seguir vai ser feita uma estabilização dos claustros. Obras que a responsável ainda não sabe quando avançam porque “há diligências que têm de ser feitas até ser lançado o concurso”.

“Estou esperançada que tudo avance no mais curto espaço de tempo possível”, refere Joana Horster. “Estou muito satisfeita pelo passo que foi dado. Só peca muito por tardio”, desabafa.

“Jóia da coroa”

O presidente da Câmara Municipal de Mangualde, João Azevedo, destaca “a importância do trabalho que tem sido desenvolvido” entre os proprietários, autarquia e a Direção Regional de Cultura do Centro, “que culminou com a assinatura do protocolo que permite devolver dignidade à joia da coroa do território”.

O autarca refere ainda que “com as obras de conservação e restauro da cobertura da igreja e da estabilização dos claustros, está aberta a porta a estímulos exteriores de investimento, numa área que será, a breve prazo, a alavanca fundamental do progresso e do desenvolvimento sustentável dos territórios: o turismo cultural”.

Após as obras, a igreja vai acolher uma exposição permanente interpretativa da história do imóvel e será, segundo a autarquia mangualdense, colocado em marcha o plano de programação cultural desenhado pelos serviços de arqueologia e património cultural do município para aquele espaço, classificado de Monumento Nacional.





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